FAC na Operação Desert Storm

Após o conflito do Vietnã as operações de Cobertura Aérea (CAS – Close Air Support) da USAF foram reprimidas por falta de interesse e investimento. A invasão de Granada e Panamá foram apoiados por aeronaves AC-130, helicópteros de ataque do US Army e jatos A-7 da US Navy. No fim da década de 80 foi até pensado transferir os OA-10 para o US Army para atuarem como FAC(A).

Eram os oficiais em terra que queriam uma aeronave projetada especialmente para CAS. As aeronaves de alto desempenho aumentaram a distância entre o desejado e o real. Alta velocidade atrapalhava a identificação de alvos, aumentava o consumo diminuindo o tempo na área do alvo, resultando em muito período sem CAS. Também citam que uma aeronave lenta é mais barata e mais simples.

Após a guerra da Coréia e do Vietnã, a experiência de Interdição Aérea dos Fast FAC da USAF foi perdida com foco em um conflito na Europa. O foco passou para sistemas como o ATACAMS, A-10, Apache e JSTAR para derrotar a Rússia na Europa. A interdição do campo de batalha (Batefield Air Interdiction - BAI) foi adotada como parte da doutrina “Airland Battle”. As missões de interdição de campo de batalha seria para interditar o segundo escalão. Um cenário de alta ameaça e muitos alvos diminuiria o potencial dos Fast FAC. A detecção de alvos seria fácil com o JSTAR e as rotas da invasão eram previsíveis. Os pilotos podiam estudar o terreno antes e se familiarizar com terreno amigo. A Guerra do Golfo em 1991 fez os comandantes mudarem rápido de foco novamente.

Apenas o USMC manteve o uso de FAC(A) com o OV-10 e OA-4M. O OA-4 foi substituído em 1989 pelo F/A-18D e atuaram juntos com o OV-10 no Golfo. O USMC também usaram os helicópteros AH-1 e UH-1 como FAC(A). A USAF usava os OA-37 mais como substituto de aeronaves Slow FAC como o O-2A e para cenários de baixa intensidade.

A fase aérea da operação Desert Storm, a retomada do Kuwait, chamada de operação Instant Thunder, era a antítese da Rolling Thunder no Vietnã. Enquanto a Rolling Thunder era uma campanha graduada, de longo prazo, escalando para conter os movimentos inimigos, a Instant Thunder era focada, concentrada, com um ritmo intenso de operações aéreas, para incapacitar a liderança e destruir as capacidades chaves, em um curto período.

Os EUA desenvolveu uma lista de alvos e priorizavam determinando o nível de dano necessário, em porcentagem, para ter sucesso. O planejamento determina o pacote de armas necessária, mas a avaliação de danos era ruim. Os alvos estratégicos cresceram de 48 para 127 e depois para 178. Em dezembro de 1990 já eram 238 e em janeiro de 1991 já eram 350. O F-117 era ideal para efeito ao invés de nível de dano devido ao uso de armas guiadas. PGM.

A ofensiva aerea era baseada em três fases realizadas simultaneamente. A fase I e II seria contra alvos estratégicos e para obter superioridade aérea atacando bases aéreas, postos de comando e radares. A fase III seria contra tropas em terra no campo de batalha. O apoio a invasão seria a fase IV.

Os comandantes logo pensaram em usar o poder aéreo para diminuir o potencial das tropas terrestres do inimigo, sua vontade de lutar e poder de fogo, e sua capacidade de manobra. A estratégia mostrou ser um sucesso com as perdas aliadas sendo muito baixa na fase terrestre, mas precisou mudar de tática.

Uma semana após o inicio das operações aéreas foram destruídos praticamente todos os radares de alerta e os iraquianos não podiam mais indicar alvos para seus caças e baterias de mísseis SAM. Os primeiros caças a decolar eram logo derrubados e outros voltavam. Com a Superioridade Aérea obtida logo passaram a se concentrar na fase III que já tinha começado gradualmente.

FASE IIII

A USAF estimava que havia 40 Divisões iraquianas no Kuwait. Eram 23 no país, nove como reforço e 18 na reserva. As Divisões pesadas eram estimadas em 18. A USAF também estimava que havia 3.800 carros de combate, 2.600 blindados e 2.700 peças de artilharia no teatro. As Divisões iraquianas na região não estavam completas e tinham moral baixo. Mesmo assim não arriscaram e não consideraram estes problemas.

Um dos centros de gravidade identificados foram as sete Divisões da Guarda Republicana em reserva na fronteira do Iraque com o Kuwait. As forças da Guarda Republicana eram quatro Divisões de infantaria, duas blindadas, uma mecanizada e uma de forças de operações especiais. As Divisões da Guarda Republicana foram as primeiras a invadirem o Kuwait e depois foram deslocada para a retaguarda como reserva. Eram a guarda pessoal de Saddam e eram consideradas o centro de gravidade no local.

O comandante Schwarzkopf desenvolveu uma estratégia de atacar primeiro as forças terrestres no local pelo ar antes da invasão terrestre. O resultado em perdas amigas e velocidade do avanço foi muito melhor que a melhor estimativa. Mas tiveram que mudar as táticas. Os aliados queriam atritar 50% da força iraquiana. As Divisões da Guarda Republicana eram bem defendidas com artilharia antiaérea e mísseis SA-6 e SA-13. Estavam bem dispersas e entrincheiradas. Foi estimado que para atritar 50% da força em cinco dias seria necessário 600 saídas por dia.

As operações iniciaram com operações de reconhecimento armado com caças. Depois passaram a fazer "tank plinking" a noite com os F-111. Com a ineficácia das missões de reconhecimento armado, passaram a ser apoiados pelos Fast FAC como vinha fazendo os USMC com sucesso com seus F/A-18D na sua área de operação.

Na guerra do Golfo em 1991 o problema de aquisição de alvos era o contrario do Vietnã. O terreno desértico sem proteção no Kuwait era ideal para o poder aéreo atuar. Havia poucas montanhas no norte, os rios estavam secos e havia poucas cidades. No deserto plano os alvos eram muito fáceis de encontrar. Não havia falta de alvos e estavam bem marcados com barricada de areia ao redor (dava uma boa proteção em caso de acerto próximo), mas era difícil distinguir veiculo destruído de real. Alvos já destruídos passaram a ser atacados mais uma ou duas vezes. Os iraquianos até colocavam fogo em blindados já destruído para confundir.

Para resolver o problema das características monótonas do deserto o terreno foi dividido com o sistema de "kill box". Os kill box eram nada mais que uma serie de grid de referência com designação alfanumérica.

O zoneamento com os kill box era uma idéia bem antiga. Os kill box eram delimitados por latitude e longitude. Era meia latitude e meia longitude ou 30x30 milhas. Depois eram novamente divididos em quatro quadrantes. O JSTAR ajudava a localizando alvos fixos e móveis nos kill box e passava as coordenadas para o centro de comando da USAF (ABCCC) e do USMC (DASC). O AWACS e ABCCC controlavam com C2 os kill box.


O Kuwait foi dividido em "kill box" para facilitar as operações aéreas. As operações aéreas próximas da linha de frente (FSCL) eram de apoio aéreo aproximado (CAS). As missões além da FSCL eram de interdição do campo de batalha (BAI).

AE-7    
AF-7    
AG-7
AE-6    
AF-6    
AG-6    
AE-5    
AF-5    
AG-5    

Exemplo de codificação dos kill box.

AF-6

Northwest
  AF-6

Northeast

AF-6

Southwest

      AF-6

Southeast

Cada kil box tinha 30 por 30 milhas, e novamente era dividido em quatro quadrantes de 15 x 15 milhas. Os quadrantes menores era renomeados sudeste, nordeste, noroeste e sudoeste como na imagem acima.

Seis C-130 ABCCC operavam no local com um voando em uma órbita próximo a frente de batalha. A aeronave fazia Comando e Controle para as missões de Apoio Aéreo Aproximado e Interdição do Campo de Batalha (CAS/BAI). O ABCCC controlava o trafego entre os kill box, e controlava a quantidade e posição das aeronaves na frente de batalha.

Os AWACS ajudavam com conselhos, alertas de ameaças, chamava escolta de supressão de defesas e patrulhas de combate aéreo se necessário, passava frequência dos FAC, e direcionava para o REVO. Os E-3 orbitavam por 12 horas mais 2-3 horas para ir ou vir para a base. O Estado Maior do Airborne Command Element (ACE) ficava no AWACS. O ACE tomava decisões importantes como quem vai reabastecer primeiro se tem muitos caças para fazer REVO e escolhe a prioridade e quem vai para outra aeronave REVO.

As aeronaves nos kill box eram acompanhados por aeronaves de supressão de defesa F-4G para ajudar a destruir baterias de mísseis SAM e artilharia antiaérea. No Iraque os radares não emitiam e tinham que ser caçados visualmente. Se respondiam os F-4G atacavam. A missão era chamada de "Wart Weasel".

As esquadrilhas de caças fariam reconhecimento armados nos kill box. Os F-16 e B-52 atacaram a Guarda Republicana mais ao norte enquanto os A-10 atacariam as Divisões regulares na fronteira do Kuwait com a Arábia Saudita. Os B-52 podiam atacar vários kill box ao mesmo tempo.
Cerca de um terço das saídas das operações aéreas era contra unidades iraquianas no Kuwait. Eram muitas saídas no mesmo teatro ou cerca de 900 a 1.400 por dia.

O ataque aéreo contra as forças iraquianas no Kuwait iniciou já no primeiro dia do inicio das operações aéreas com 24 saídas de F-16 contra instalações de comando. Logo três B-52 atacaram a Divisão Tawalkaladla. Seria um ataque de hora em hora, com pelo menos três B-52 até o fim da guerra. Cerca de 40% das missões dos B-52 foi contra a Guarda Republicana. No Segundo dia oito F/A-18 do USMC atacaram a Divisão Hammurabi e no terceiro dia por 32 F-16, seis F/A-18, oito F-15E e doze B-52. No oitavo dia os ataques ultrapassaram 200 saídas por dia.

No terceiro dia as aeronaves táticas passavam a atacar a média altitude com o trabalho das aeronaves de supressão de defesas funcionando adequadamente e a maioria das ameaças destruídas. Na prática a ameaça aérea era inexistente.

Após 5 dias os ataques aéreos no Kuwait não atingiram 50% dos danos esperados. As saídas eram bem menos que as 600 por dia planejada, com a maioria sendo desviadas para caçar Scud e devido a ameaça de mísseis SA-6 contra os A-10. Era menos de 100 saídas por dia em média e no fim de 10 dias foram 728 saídas. Outro motivo é que as saídas foram menos efetivas que o esperado como nos jogos de guerra. Os ataques foram feitos a média altitude, sendo difícil identificar os alvos, e os pilotos não estavam familiarizados com táticas de ataque a média altitude. O mau tempo atrapalhava em boa parte do tempo. O resultado final foi apenas 24% de atrito em 38 dias.

A fuga das tropas iraquianas do Kuwait começou logo com a queda das primeiras bombas. Os alvos eram Centros de Comando, blindados e artilharia que eram a base para medir a efetividade de combate do inimigo. Os alvos não poderia ser as tropas por serem alvos difíceis, pequenos e bem protegidos. Os veteranos lembravam do Vietnã quando atacavam a artilharia inimiga. Era bem difícil acertar e logo eram colocados novamente em operação. Era mais fácil atacar locais de armazenamento de munição de artilharia.

Os B-52 dispararam 14 mil bombas Mk-117 sendo 11 mil contra tropas e 4.600 contra campos minados. Cerca de 70% dos ataques foram contra posições de tropas. Também dispararam mais 13 mil Mk-82 e 4 mil CBU-58. Os primeiros ataques eram a baixa altitude, mas a ameaça dos mísseis SAM e da artilharia antiaérea logo forçou a subirem para atacar a média altitude. Os ataques a baixa altitude era uma tática treinada em tempo de paz, e a precisão piorou com CEP de 600-700 pés após voarem a média altitude. Contra alvos grandes não era problema, mas para abrir brechas em campos minados era ineficaz. Os Iraquianos criaram uma linha fortificada na fronteira com a Arábia Saudita. Plantaram 2,5 milhões minas no local e cavaram abrigos e trincheiras bem camufladas.

Os B-52 foram usados no lançamento de panfletos avisando de bombardeiros e bombardeavam. Avisavam novamente e depois avisavam que seriam bombardeados e mandavam fugir para o sul. As tropas realmente fugiam. O dano psicológico foi maior que as bombas em si.

Os F-16 realizavam a maioria das missões no Golfo por serem a frota mais numerosa na região. Foram cerca de 25% das saídas totais, ou 300-400 saídas por dia em um total de 13.500 saídas no conflito.

Iniciaram as operações no Kuwait fazendo reconhecimento armado nos kill box. Uma tática era voar em trilha de dupla com o Ala atrás a uma distância de 5 milhas. O Líder a frente detecta os alvos e atacava e quando saia do mergulho o Ala já chega atacando. No inicio atacava e fugia, depois conseguiam realizar mais passadas com a diminuição da ameaça. Voavam com o canhão carregado, mas nunca metralhavam. Os F-16 de Nova York usavam o casulo com um canhão GAU-8, mas não era tão preciso quanto o canhão do A-10. Os F-16 Block 40 usava o Maverick guiado por infravermelho.

Os pilotos de F-16 percebiam a falta de armas guiadas. Atacar com o Maverick era fácil, mas com bombas burras era pouca probabilidade de atingirem algum alvo a média altitude. A intolerância a perdas fez aceitarem o baixa CEP do F-16. Se a tolerância fosse bem menor seriam bem mais efetivos.

Um estudo da USAF após a guerra mostrou que as aeronaves de longo alcance armadas com armas guiadas eram mais efetivas como o F-111, F-117 e F-15E ao contrario das aeronaves de curto alcance e sem armas guiadas como o F-16. O estudo sugeriu equipar todas as aeronaves com armas guiadas e até o B-52.

Depois da fase de atrito os F-16 foram direcionados para operações de CAS e BAI. Decolavam 4-8 caças F-16 com duas Mk84 ou CBU. Faziam um REVO em uma das 5-6 estações próximas ao Kuwait sendo que sempre havia doze estações de REVO na fronteira. Depois passaram a ser apoiados por FAC que podia ser um F-16 com casulo LANTIRN de navegação. A principal missão dos F-16 levados para a região era interdição do campo de batalha.

Os A-10 voavam entre 4-6 mil pés nas missões de Interdição. Detectavam os alvos com dificuldade e era difícil diferenciar um alvo verdadeiro de falso e de vazio. Os OA-10 passaram a voar bem mais baixo para identificar os alvos. Os pilotos treinavam para atuar a baixa altitude, mas no Golfo foi só a média altitude. Iam para os kill box e caçavam alvos por 30 minutos. Operavam sozinhos ou aos pares. Faziam reconhecimento meteorológico para o ABCCC direcionar para as regiões com bom tempo.

No ataque a Divisão Medida no dia 15 de fevereiro foram lançados oito MANPADS derrubando dois A-10 e com danos pesados em um A-10. Antes não abriam fogo contra as aeronaves.

No dia 27 de fevereiro uma força de 48 caças A-10, divididos em forças de 8 aeronaves, ao invés de duplas, atacaram a Divisão blindada Tawakalna da Guarda Republicana. O ataque durou três dias. A reação dos iraquianos foi cavar mais fundo e criar mais alvos falsos.

Os A-10 dispararam mais de 4.800 mísseis Maverick, 17 mil bombas Mk82 e 2.600 Mk84, mais 2.600 CBU-58. Oito A-10 sofreram danos leves e seis danos pesado (cinco voltaram a operar). O A-10 foi tão bem na campanha que foi cancelada sua substituição pelo F-16 nas missões de CAS. Foram deslocados 135 aeronaves A-10 e 12 OA-10 para o Golfo. Só atuou no Kuwait e caçando mísseis Scud.

Uma inovação na Guerra do Golfo foram as operações de "tank plinking" e mostrou pela primeira vez que o poder aéreo podia ser realmente efetivo a noite. Antes da guerra os pilotos de F-111 perceberam que podiam detectar facilmente blindados entrincheirados. O metal resfriava mais lentamente que o terreno ao redor e era fácil distinguir o contraste com o FLIR dos casulso Pave Tack. As aeronaves voavam entre 15-20 mil pés nas missões e eram auxiliadas pelos JSTAR.

As operações de "tank plinking" iniciou no dia 5 de fevereiro. O esforço concentrado iniciou no dia 11 de fevereiro contra duas Divisões. Em quatro semanas foram metade das saídas de F-111. Os F-15E iniciou as missões de "tank plinking" no dia 11 de fevereiro. Os F-15E receberam 16 casulos LANTIRN ainda no teatro e foram integrados em combate. Foram usados para disparar 1.700 bombas GBU-12. Antes a GBU-12 eram consideradas fracas para atacar bunkers e blindados, mas mostraram ser extremamente adequadas para atacar blindados.

As operações de "tank plinking" com os A-10 era com um par de aeronaves com uma voando baixo, com todos instrumentos com as luzes apagadas e o ppiloto só vendo a tela do sensor IIR do míssil Maverick. O Ala voava mais atrás e acima e era os olhos do Líder. Depois trocavam de poisição. A assinatura IR dos blindados era bem maior que o ambiente ao redor que esfriava mais rápido. Dois esquadrões de A-10 foram designados para fazer esta tarefa a noite.

A Interdição do Kuwait não era considerada muito importante pois o Iraque teve tempo de armazenar muitos suprimentos no local antes da operação. Mas ainda assim as pontes podiam ser importantes no futuro e eram alvos prioritários. Um dos objetivos era atrapalhar a fuga dos iraquianos e não só o ressuprimento. Inicialmente só atacaram as pontes ferroviárias, pois eram muito usadas para levar blindados e depois passaram a atacar as pontes rodoviárias. As pontes eram o gargalo, pois o deserto facilitava a mobilidade de forças blindadas.

Nas missões de reconhecimento armado de rios os F-111 e F-15E usavam casulos FLIR para detectar pontões sendo montados. Se não encontram atacam alvos alternativos. As pontes eram resistentes. As GBU-10 derrubava apenas meio vão e tinham que atacar várias vezes para dificultar os reparos. Algumas pontes não tiveram vão derrubado. Alguns canais foram tampados com terra para virar pontes. Tinham que ser atacados a cada dois dias pois eram facilmente reconstruídos e tiveram que minar a área. Os pontões eram ainda mais fáceis de construir e reparar e bem mais numerosos. Foram 41 pontes principais e 31 pontões destruídos de 54 pontes identificadas como importantes e penas cinco sobreviveram. Sem munição guiada o trabalho teria sido bem mais difícil.

Antes de iniciar os ataques com armas guiadas contra pontes foram 200 saídas com caças F-16 , F/A-18 e A-6 sem derrubar um único vão de ponte com bombas burras. Com o F-117 e F-111 um vão era derrubado a cada duas saídas.

FAC(A) do USMC

O USMC emprega o F/A-18D como Fast FAC, para controlar aeronaves de ataque. O termo Fast FAC iniciou no Vietnã e se refere a velocidade dos jatos comparado com as aeronaves mais lentas a hélice.

O atrito das forças iraquianas planejada para a operação Desert Storm era a razão de ser das missões dos Fast FAC. Bem antes do inicio da operação Desert Storm foi percebido a necessidade do uso de FAC(A) pelo USMC. Os VMFA(AW)-121 Green Knights receberam a missão de ser usado para FAC(A) por ser único esquadrão equipado com os F/A-18D biposto.

Os "kill box" foram a chave dos procedimentos dos Fast FAC do VMFA(AW)-121. Os F/A-18D voavam de dia em duas órbitas continuamente. A noite o Fast FAC era feito por trinta minutos em cada hora. O VMFA(AW)-121 era um esquadrão qualquer tempo (AW - All Weather) mas não tinha esta capacidade. Era bom a noite com uso do radar, FLIR e NVG sendo na verdade de ataque noturno (NA - Night Attack).

A decolagem do Fast FAC era programada para que os F/A-18D e sua escolta chegassem no kill box 15 minutos antes das aeronaves de ataque. Primeiro fazia reconhecimento visual para encontrar alvos. Se não identificava alvos podiam descer mais baixo como no Vietnã. Usavam foguetes de fósforo Zuni de 127mm para marcar o alvo 30 segundos antes da chegada das aeronaves de ataque. As aeronaves de ataque voariam em órbitas acima. Nas missões de reconhecimento armado a aeronave localiza e destrói o alvo por contra própria. Esta missão não era realizada pelo VMFA(AW)-121 pois os F/A-18D não levava armas.  

No dia 23 de fevereiro havia dois Fast FAC do USMC no Kuwait. A cada sete minutos o DASC enviava aeronaves de ataque que eram empilhados em várias órbitas de CAS para o FAC terrestre das tropas em terra ou apoiados pelos OV-10. O excesso de CAS era passado para duas órbitas de CAS controladas pelos F/A-18D em um kill box. No dia seguinte foi iniciado a campanha terrestre. As aeronaves de CAS não usadas logo foram passadas para as órbitas de CAS no norte para ser usada pelos Fast FAC.

O USMC validou o conceito da USAF de preparar o campo de batalha. O resultado foi o medo iraquiano de ficar perto das suas armas e a chegada de suprimentos praticamente parou. Os prisioneiros até achavam que a guerra terrestre era desnecessária, pois em até duas semanas teriam que se retirar por problemas logísticos. O Fast FAC foi a chave deste sucesso.

Além da Fire Support Coordination Line (FSCL), o Fast FAC não controla CAS como um FAC terrestre típico por não ter tropas amigas no terreno. O Fast FAC controla as saídas de interdição para preparar o campo de batalha. Foi sugerido o termo Fast DAC, para Fast Deep Air Controller controlando as operações de interdição além da FSCL. O Fast DAC foi usado no Vietnã com sucesso e foi vital na operação Desert Storm, mas foram usados sem doutrina pela USAF e USMC. Sem papel definido não foi criado uma doutrina ou treinamento adequado. O termo DAS agora é de uso correntemente para as missões de interdição das aeronaves do USMC. Os Fast FAC da USAF também controlavam operações de interdição e não de CAS no Vietnã e Golfo. Então faziam Fast DAC.

Os OV-10 Bronco levados para o Golfo pelos USMC também realizaram esta missão. Os OV-10 cobriam três posições por 24 horas fazendo FAC(A) junto as tropas do USMC.

Os OV-10 Bronco do USMC voaram 482 missões no Golfo sendo 41 de CAS. Estavam equipados com FLIR e laser para designação de alvos. Os pilotos voavam uma missão por dia que durava cerca de 4 horas. Geralmente era uma patrulha na fronteira do Kuwait e Arábia Saudita para mapear as posições de tropas e posições inimigas. Também foram usados para reconhecimento visual, reconhecimento com FLIR, FAC(A), retransmissão de comunicações, observador de artilharia naval e terrestre. Eram apoiados pelos Force Recon e Seals para indicar alvos.

Um OV-10 Bronco derrubado Golfo foi atacado por um MANPADS por trás cerca de 7 km dentro do território inimigo. Na batalha de Khafji foram os primeiros a detectar as colunas blindadas e chamar os A-6E. Nos primeiros dias da campanha aérea já localizavam posições de artilharia para ataque dos AV-8B Harrier. No segundo dia um OV-10 foi derrubado e mudaram a zona para patrulha sem perdas. Na batalha terrestre havia sempre três Bronco apoiando o avanço do USMC 24 horas por dia. No ataque ao aeroporto na cidade do Kuwait outro OV-10 foi derrubado por um MANPADS.


Alguns OV-10 do esquadrão VMO-1 receberam camuflagem do deserto. Todos foram armados com mísseis Sidewinder para reagir a possíveis ameaças de Migs. Em 1994 os OV-10 do USMC foram substituídos pelos F/A-18D, AH-1W e UH-1N nas missões de FAC(A).

F-16 Killer Scout

Em 17 dias após o inicio dos ataques aéreos a USAF estava desanimada com os ataques dos F-16 em missões de reconhecimento armado nos kill box. Os pilotos de F-16 não tinham condições de procurar alvos. O mau tempo atrapalhava muito as operações. As táticas de média altitude dificultavam a identificação de alvos e estavam atacando alvos já destruídos. Os alvos eram muitos, mas eram todos iguais. A precisão a média altitude era péssima. O pouco tempo na estação era insuficiente para identificar os alvos. A avaliação dos danos de batalha era péssima sem muita fotos. Os pilotos nem sabiam se atingiram os alvos devido a fumaça e ao mau tempo.
O vento e a poeira do deserto não deixava os pilotos enxergarem a mais de 2 km de distância quando voavam baixo. Voando alto podiam ver mais facilmente e não tinha mesmo onde se esconder no deserto plano.

Os comandantes da USAF queriam melhorar a efetividade das aeronaves de ataque. Uma opção era diminuir a altitude de operação e se aproximar mais do alvo mesmo com o preço podendo ser mais alto em termos de baixas. O problema era o mesmo do Vietnã e pensaram em usar os Fast FAC procurando alvos de oportunidade para resolver o problema. As aeronaves fariam vigilância aérea e controle de ataque com ameaça de mísseis SAM significativa. Também fariam avaliação de danos de batalha. O conceito podia funcionar bem melhor no deserto.

O primeiro problema era ter que escolher a aeronave para realizar Fast FAC. O F-16 foi logo recomendado por ser rápido e ágil. Tinha boa capacidade de auto-defesa, bons sistemas de navegação e um radar bom. A Ala de Caças 388 (TFW) foi a unidade escolhida para realizar a missão por estarem equipados com os F-16CG Block 40 que era o melhor no local. Tinha bons sistemas de navegação com auxilio de GPS. Os esquadrões que voavam a noite logo foram retirados da lista. Sobrou o 4o Esquadrão de Caças (FS) que tinha 16 pilotos qualificados como FAC(A), CAS, com experiência no A-10 ou ambos. Usariam pilotos experientes com a missão de identificar alvos já atacados na sua área de operação. Também validavam alvos "vivos" e indicavam para ataque.

O nome dado para a operação foi "scout" para diferenciar dos OA-10 que faziam FAC(A). Como marcariam os alvos com bombas Mk82, por não ter foguetes, foram chamados de "killer scout" (esclarecedores assassinos) por ser mais apropriado. Os fuzileiros chamavam de SCAR (Strike Coordination And Reconnaissance). O nome "killer scout" foi dado para diferenciar do "hunter killer" usado pelas aeronaves de supressão de defesas no Vietnã.

A 388th TFW propôs, desenvolveu e testou um conceito tático igual aos Fast FAC no Vietnã. O conceito tático era simples. Os killer scout validariam os alvos destinados aos F-16 nas ordens fragmentarias e encontrariam outros alvos lucrativos na área. Fariam controle indireto, coordenação de tráfico na área do alvo, alertas de ameaças, e atualizariam as coordenadas do alvo e fariam descrição do alvo para os caças chegando. Se o alvo for bom autorizaria o ataque. Se não for valido direcionaria para alvo de reserva.

Os killer scout ficaram responsáveis por identificar os alvos pré-programados e determinar as coordenadas com ajuda dos E-3 AWACS e ABCCC. As aeronaves tinham rádios para comunicação direta e controle de todos os caças na área. Os alvos respeitavam o conceito de kill box. O conceito de kill box simplificava muito o desconflito e podia focar o poder aéreo onde era mais necessário.

Oito pilotos de F-16 foram logo escolhidos para atuar como killer scout. Conheciam os alvos, os caças destinados a missão e tinham mapas detalhados do local. Os killer scout atuavam em duplas com o Líder qualificado como FAC(A) e armado com seis bombas Mk-82. O Ala levava duas Mk-84 ou bombas em cacho. Todos os pilotos do 4o Esquadrão de Caças foram checados para voar como Ala de piloto qualificado como FAC(A) na liderança. O Ala atuava com escolta como no caso dos F/A-18 monoposto dos Green Knights. O código de rádio era Pointer e era apropriado pois apontaria alvos para os caças. Os outros F-16 tinham código com nomes de cachorros.

A partir do dia 4 de fevereiro, 19o dia da guerra, oito F-16 do 388 FW iniciaram os vôos de "killer scout" com quatro elementos se alternando entre os kill box e as estações de REVO por oito horas. Orbitavam as posições da Guarda Republicana por cerca de uma hora e voltava depois de reabastecer.

No primeiro dia logo viram a importância dos killer scout e ficaram impressionados com a quantidade de armas iraquianas no deserto. Alguns alvos previstos nas ordens fragmentarias se moveram, com o abrigo onde estavam ficando vazio. Os FAC(A) encontraram novos alvos descobertos durante o reconhecimento visual como depósitos de munição, pontos de transferência, posições de artilharia e sites de comunicações e as missões de ataque não foram desperdiçadas.

Com muitos caças fazendo check-in, ficou complicado. Em um período de duas horas foram 120 caças atingindo alvos com controle dos killer scout. Nos intervalos voltaram para os alvos atacados para fazer avaliação de danos de batalha para ver se precisava de novo ataque. A avaliação de danos de batalha logo mostrou ser precisa.

As unidades de caças logo sugeriram expandir as operações dos killer scouts. Nos dias seguintes foram feitos pequenos ajustes nas operações dos killer scout como comunicações, kill box e fluxo de caças. Os killer scouts iniciaram o trabalho em 4-6 kill box por vez, cobrindo até 5.400 milhas quadradas. A cobertura era sobreposta por uma formação de duas aeronaves para cobrir estas áreas o dia inteiro. O conceito original era usar apenas oito pilotos para ser killer scout. Os killer scout logo passaram a cobrir três das áreas dos alvos simultaneamente sendo necessário 32 saídas de killer scouts por dia. Em três semanas 99% das missões do 4o Esquadrão eram do tipo killer scout.

Os killer scout trabalhavam como os F/A-18D do VMFA(AW)-121 localizando alvos nos kill box. Atuavam mais ao norte do Kuwait fora do alcance do CAS cobrindo a ameaça maior nos setores da Guarda Republicana. A área de operação do FAC era dividido em kill box leste e oeste. Depois iniciaram os "killer scout" com os OA-10 operando sozinho fazendo reconhecimento visual e controle de ataque nos kill box próximo a fronteira com a Arábia Saudita.

Uma missão típica dos killer scout durava cinco horas e meia. A missão incluía três blocos de uma hora sobre o alvo e quatro REVO que consumia duas horas e meia. Após o primeiro REVO o killer scout ia para o kill box e contatava o killer scout já operando no local. Recebia alvos e atualização de ameaças. Depois assumia o controle da área e o outro killer scout partia para o REVO ou voltava para base. Os killer scout saindo reportavam dados de avaliação de danos de batalha para o ABCCC e aos outros killer scouts que seguiriam.

Os killer scout chegavam nos kill box 15 minutos antes das aeronaves de ataque para fazer reconhecimento visual. Preferencialmente operavam sempre no mesmo kill box para se familiarizar com o terreno e alvos. Os FAC já conheciam a área bem e pegavam os alvos mais facilmente. Passavam a detectar mudanças mais facilmente, mudanças de veículos e blindados, tentativas de camuflar e despistar, e chegada de novas unidades. Eram as mesmas táticas dos Fast FAC do Vietnã.

As duplas trabalhavam em uma altitude de 15 a 30 mil pés. Voando a média altitude eram auxiliados por binóculos na busca dos alvos. Desciam apenas para investigar alvos ou ameaças. O binóculos era o sensor primário para identificação de alvos. O FAC(A) voava com auxilio do piloto automático em uma curva suave e usa o binóculos para encontrar alvos. Os killer scout logo perceberam que os iraquianos usavam muitos alvos falsos. Também passaram a cavar mais fundo.
A noite usavam NVG e aproveitaram o FLIR de navegação mostrando as imagens no HUD. Queriam mesmo era um FLIR apontado por mira no capacete. Com o LANTIRN pegavam alvos "quentes" facilmente no meio dos veículos desligados. Os iraquianos usavam apenas um blindado para aquecer e economizar combustível.

O radar com modo MTI (Moving Target Identification) foi usado para localizar alvos móveis e era eficiente em mau tempo. Os killler scout passavam as coordenadas para aeronaves que usavam radar para atacar a média altitude. A tática foi muito usada contra as forças iraquianas fugindo do Kuwait com o mau tempo.

Quando as aeronave de ataque entram no kill box fazia check-in com o ABCCC e o killer scout trabalhando no kill box. Sem contato continuava para o alvo secundário.

O FAC descrevia os alvos antes de chegarem alguns minutos antes ou até 150 milhas de distância. O FAC pedia o tempo até o alvo, por exemplo 15 minutos, e a informação era dada automaticamente com ajuda do INS. Quem chegava antes atacava primeiro. As aeronaves de ataque entravam a 30 mil pés e desciam a 20 mil na área do alvo. Os FAC atuavam como guarda de trânsito controlando várias ondas de F-16 indo e vindo na região.

Se os alvos pré-planejados eram validados os FAC(A) marcavam o alvo e autorizava o ataque. Disparavam bombas Mk82 dois minutos antes do tempo sobre o alvo das aeronaves de ataque. Se o alvo não era valido passava para outro mais lucrativo descoberto durante o reconhecimento visual.


Um Killer Scout apoiando um ataque.

Nos ataques usavam formação "shooter-cover" quando uma aeronave rolava a grande altitude e dispara as bombas em mergulho em um ângulo de 20-24 graus. O Ala continuava voando alto e buscava ameaças durante o ataque e subida do Líder. O líder geralmente usava bombas Mk-82 e o Ala bombas em cacho ou Mk84. O Ala podiam suprimir ameaças, marcar alvos ou destruir alvos. As aeronaves levavam o mínimo de armas para aumentar a autonomia.

As táticas melhoraram com o passar do tempo. Os killer scouts Líder buscava alvos e controlava as aeronaves de ataque enquanto o Ala voava "fluid tactics", buscando ameaças e era o back-up no rádio. O Ala ditava manobra evasivas contra ameaças não vistas antes, indicava conflito de trafego e indicava alvos não vistos pelo líder.

Inicialmente eram pacotes de ataque grandes. Com a supressão de defesas funcionando passaram a operar em dupla ou quatro. Os killer scout logo aprenderam que era difícil trabalhar e evitar o envelope de mísseis SAM ao mesmo tempo. O conceito de evitar ameaça também consistia em ponderar a ameaça como no caso dos F/A-18D. A ameaça SAM na área automaticamente era o alvo primário e como levavam armas podiam atacar.

Um SA-2 que atacou um B-52 sem sucesso na área foi observado durante o disparo por um killer scout e logo foi atacado. Outras três esquadrilhas atacaram o mesmo alvo. A tática pareceu funcionar pois em três dias os disparos de mísseis SAM cessaram no kill box. A ação da artilharia antiaérea também diminuiu. Se o kill box tivesse muito radar ativo chamavam as aeronaves de supressão de defesas contatando o AWACS primeiro.

Com a supressão de defesas funcionando as aeronaves puderam fazer várias passadas nos kill box continuamente para encontrar armas. A tática contra a artilharia antiaérea era voar rápido e mudar de direção rapidamente. Puxavam 4-5 g´s constantemente e com velocidade sempre acima de 450kts. Sem alertas no RWR podem fazer curvas de apenas 2 g´s. Se for atacar as passadas eram realizadas de várias direções.

A carga inicial de contramedidas era de 60 chaff e 30 flares e depois passou para 90 chaff e 15 flares. Os veteranos do Vietnã voltavam para a base sempre supersônico como no Vietnã e eram seguidos pelos outros. Faziam REVO na volta. Na fronteira subiam e iniciavam uma série de contrail depois da fronteira.
 
A função secundária dos killer scout seria detectar o avanço rápido das tropas terrestres amigas na Fire Support Coordination Line (FSCL) evitando fogo amigo. Na campanha terrestre os killer scout foram usado para desconflito entre as forças terrestres e aéreas e prevenir fogo amigo. As tropas se moveram rápido ou cerca de 35 km/h nas tropas de frente. Os caças lançados uma hora antes podiam atacar estas forças que agora estavam nos alvos. O avanço blindado rápido em Jaliba foi detectado pelos killer scout pois o avanço da 24a Divisão de Infantaria estava bem a frente da FSCL. O contato com rádio com as tropas facilitava a missão. Também passavam informações sobre a linha de avanço. A campanha terrestre também aumentou a ameaça de mísseis SAM e artilharia antiaérea.

O uso de FAC em terra foi uma das técnicas para evitar fratricídio no Golfo. Criaram zonas onde só atacavam com controle de FAC em terra. Depois estavam livres a frente da FSCL. Foram dois blindados atacados por engano, mas a aviação atacou cerca de 10 mil veículos inimigos. Foram mais de 45 mil ataques próximo as tropas com pouco fogo amigo. A maioria ocorreu a noite quando é mais difícil identificar os alvos. No ar foram mais de 3 mil saídas ar-ar sem fratricídio.
 
Os killer scout foram considerados capazes de aumentar a efetividade da força de F-16 em 3-4 vezes sendo considerado efetivo em encontrar alvos validos no deserto. Os killer scout foram responsáveis por parar a Guarda Republicana de dia. Fizeram as tropas iraquianas ficarem imóveis e só apanhando. Os iraquianos se moviam a noite e eram detectados por caças noturnos, bombardeiros e pelo JSTARS. Os A-6E do USMC operavam apenas a noite em missões de apoio aéreo aproximado, apoio aéreo em profundidade e reconhecimento armado.

O treinamento dos Fast FAC foi durante o próprio trabalho tanto no Vietnã quanto na operação Desert Storm. O conceito passou a ser institucionaliza com doutrina, treino, táticas e equipamentos. Depois todos os Esquadrões de F-16 passaram a ter seis pilotos treinados como killer scout e todos os pilotos tem contato com a missão na qualificação inicial.

A 602 Tactical Air Control Wing estava equipada com 15 aeronaves OA-10 para FAC no Golfo. Foi o primeiro teste em combate dos OA-10 que realizaram 656 missões de FAC(A) e marcaram 3 mil alvos nos kill box. Os alvos eram atacados pelos A-10, F-16, A-6 e F/A-18. Também podiam usar o próprio canhão para atacar. Atuavam junto com FAC em terra e oficiais de ligação em missões de apoio aéreo aproximado. Os A-10 também fizeram CSAR com o código de chamada "Sandy".

A USAF reaprendeu muitas lições do Vietnã no Golfo. Uma era que os Slow FAC voando baixo não sobrevive a ameaça de mísseis SAM. Os OV-10 e OA-10 deveriam ser restritos a FAC(A) e não ir além da FSCL. Com a ameaça SAM diminuindo os A-10 passaram a atacar os escalões mais a retaguarda e dez A-10 foram perdidos ou gravemente danificados em dois dias. A idéia logo foi abortada e liderados depois pelos killer scout com os F-16. Os A-10 passaram a se concentrar nas missões de CAS com os F-16 voando bem além da linha de frente fazendo interdição do campo de batalha. O USMC também teve o mesmo problema evitando que os OV-10 voassem mais ao Norte após perder uma aeronave. Durante a campanha terrestre um OV-10 e um OA-10 foram derrubados.

Outra lição era a carga de armas dos Fast FAC. Um estudo de 1973 já mostrou que deveriam levar armas para atacar alvos de oportunidade de alto valor ou alvo móveis. Os F/A-18D não levava armas externas e era um problema quando encontravam alvos lucrativos e não tinham aeronaves de ataque para apoiar. A única opção era metralhar e entrar na zona de engajamento da artilharia antiaérea e mísseis SAM. Um F/A-18D foi atingido por um MANPADS no dia 21 de fevereiro nesta circunstância. Voltou para a base em Shaikh Isa, mas mostrou que precisa de armas melhores.

Próxima Parte: FAC em Kosovo 


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