FAC na Operação Iraq Freedom
A operação Iraq Freedom iniciou muito tempo antes com os vôos nas zonas de exclusão no sul e norte do Iraque (Operation Southern Watch - OSW e Operation Northern Watch - ONW). Na operação ONW e OSW os EUA queria evitar vôos para proteger curdos no norte e shiitas no sul, mas não preveniu ações por terra. Logo passou a ser missões de monitoramento local.
Entre março de 2000 a março de 2001, as aeronaves americanas voaram cerca de 10 mil saídas e foram engajados 500 vezes pela artilharia antiaérea ou mísseis SAM. A resposta foram 38 RO (Response Option) após janeiro de 2001. As RO incluía alvos nas bases aéreas.
No fim da OSW começou a ter RO planejada com relação com a invasão. Os vôos da OSW ajudou nas operações, no reconhecimento e familiarização do terreno. Nos FAM (vôos de familiarização) também eram realizados ataques de familiarização (SFAM ) para reconhecer o local e testar proficiência. A aeronave não levava armas e simulava ataques, mostrando presença e treinando táticas de disparo de armas.
No fim das operações OSW as aeronaves faziam mais defesa aérea e escolta para apoiar as aeronaves de reconhecimento e vigilância o U-2 e o UAV Predator, preparando a invasão. Os alvos finais eram sistemas de Comando&Controle, centros de comunicações e cabos de repetição. Os sistemas C2 eram importantes para atrapalhar a coordenação da Força Aérea Iraquiana. Foram realizadas cerca de 150 saídas por dia no centro do Iraque e fora das zonas de exclusão.
Os pontos dos cabos de repetição eram visíveis no deserto e forçaria os iraquianos a usar rádio e celular que eram mais fáceis de jamear. Apenas na fase de preparação, na OSW, os esquadrões de F-16 Block 40 lançaram 84 bombas JDAM. No fim levaram até tropas na fronteiras para reconhecimento. Na OSW, os F/A-18 do USMC já tinha sido substituídos pelos A-10 para realizar a mesma missão de apoiar CSAR, mas com mais capacidade.
OPLAN
O plano de batalha para invasão do Iraque em 2003 era chamado de OPLAN 10O3V (10-oh-3-Victor). O OPLAN era derivado do 10O3-98 para o caso de uma nova invasão do Kuwait pelo Iraque. O plano previa um avanço muito rápido e que preocupava muitos comandantes. Uma piada é que seria chamado de "shook and awww-shit" com as tropas espalhadas.
As forças americanas não fizeram preparação do campo de batalha antes da invasão como foi feito na Guerra do Golfo em 1991 e o mau tempo não permitiu realizar esta tarefa depois. No inicio fizeram mais Apoio Aéreo e não ataques contra alvos fixos como esperado. No dia 23 de março começaram a voar as ordens fragmentarias e eram 80% de preparação e 20% para Apoio Aéreo Aproximado (CAS).
A invasão foi realizada com 300 mil tropas e 1.800 aeronaves sendo 700 do US Navy e USMC, cinco NAes (dois no Mediterrâneo). Pela OPLAN os Fuzileiros (USMC) avançariam pelo leste e o US Army pelo oeste.
O A-day e G-day (inicio da guerra aérea e guerra terrestre) seriam separados, mas o medo dos iraquianos sabotarem as instalações de petróleo uniu as datas.
Foi planejado o disparo de 800 mísseis Tomahawk (TLAM) e 3.000 saídas de aeronaves táticas nas primeiras 48 horas, mas na prática foram disparados 320 TLAM e realizadas apenas 802 saídas de ataque, mais para decapitação e contra centros de C2 e comunicações. Os ataques de decapitação foram realizados com 40 Tomahawk (TLAM) e dois F-117 no dia 19 de março. Os TLAM atacaram 45 alvos fixos na primeira noite. Os TLAM disparados de navios e os CALCM disparados dos B-52 foram disparados para atingir seus alvos antes dos caças chegarem a Bagdá.
Os B-52H dispararam 153 mísseis cruise CALCM no conflito. Depois atuaram com FAC do US Army e USMC em missões de CAS. Entre os alvos estavam uma coluna de blindados atacada com bombas WMCD e controlado pelo JSTAR. Com o casulo Litening II puderam disparar suas próprias bombas guiadas a laser GBU-12 e também buscaram alvos.
Os pilotos da US Navy esperavam voar três vezes por dia, mas só voaram uma vez. As IADS e bases aéreas foram atacadas logo nos dois primeiros dias com TLAM e JDAM para deixa-las inoperáveis. Foram mais alvos atacados nas primeiras 48 horas que na operação Desert Storm com menos aeronaves. Alvos como pontes, purificação de água, centrais elétricas e de telefonia ficaram intocados pois seriam usados depois da invasão.
Na primeira noite dois F/A-18 lançaram dois SLAM-ER junto com os TLAM. Os F/A-18 com HARM atrasaram e não apoiaram os Tomcat com as JDAM operando na SuperMEZ. Um pacote chamado OBS tinha 68 aeronaves para atacar 91 alvos perto e dentro de Bagdá. O pacote era formado por 20 Hornet, oito F-14, 10 EA-6B Prowler, oito F-15E, sete F-117, três B-2, oito F-16CJ e quatro Tornado GR4. Os alvos eram liderança, C2, armas ofensiva e defesas aéreas. O uso de uma grande força tinha como objetivo saturar defesas. O pacote foi precedido de mísseis TLAM.
A fronteira do Kuwait do Iraque era protegida com duas pilhas de areia em toda a fronteira, seguida de um campo minado de uma milha de largura. Toda a fronteira podia ser vigiada pela colina Safwan onde havia um posto de observação e escuta de rádio iraquiano. O local podia ver toda a invasão do USMC. O ataque aéreo ao local destruiria prédios e depois seria tomado pela equipe UM do Force Recon de helicópteros poucos minutos depois para matar quem sobrevivesse. As aeronaves usadas no ataque continuariam voando no local para supressão com canhão. Um Tenente Coronel seria o comandante de missão em um UH-1N Huey. O tempo sobre o alvo dos F/A-18D com três JDAM cada seria 18:30h, mas atrasou para 18:45h. Os cinco jatos conseguiram disparar 14 das 15 JDAM. O FLIR gravou as imagens incluindo as que falharam. Eram dois alvos em cada lado da colina. Um par continuou sobrevoando para suprimir, mas não foi necessário. Gravaram as imagens dos Cobra atacando uma pick-up que tentou fugir do local. A inserção de helicóptero foi cancelada devido ao mau tempo e novamente cancelado na manha seguinte. Os Force Recon foram por terra e o local já estava vazio.
Invasão no Norte
Na invasão do norte do Iraque pela Turquia seria usado 65 mil tropas, incluindo a 4a Divisão de Infantaria, apoiada por 225 aeronaves e 65 helicópteros. A invasão foi considerada impopular pelos Turcos que proibiram a invasão por terra a partir do seu território. Os EUA tentaram de tudo para mudar a opinião dos turcos e até ofereceram US$ 30 bilhões em empréstimos para abrirem a fronteira.
A estratégia logo passou para o uso de Forças de Operações Especiais com apoio aéreo aproximado para manter ocupado o IX Corpo que atuava no norte do Iraque. As táticas foram desenvolvidos na Operação Enduring Freedom no Afeganistão. As tropas seriam formadas apenas por equipes de Forças de Operações Especiais do 10th Special Forces Group (total de mil tropas) e 10 mil tropas pára-quedistas da 173a Airborne Brigade, junto com a guerrilha Curda (10 mil tropas) e sem o apoio da 4a Divisão de Infantaria. As FOpEsp operariam isolados ou junto com guerrilheiros Curdos.
O local de passagem das aeronaves táticas embarcadas em NAes no Mar Mediterrâneo poderia ser por Israel, Mar Vermelho e Jordânia e fronteira da Turquia próximo a Síria. Pela Turquia seria o melhor, mas fecharam o espaço aéreo. A Arabia Saudita liberou depois, mas não aceitou o uso de bases no país. O problema foi resolvido no dia 23 de março com a Turquia abrindo seu espaço aéreo. Mesmo assim as aeronaves do CTF-60 saíram do delta do rio Nilo e foram para a região apertada entre Chipre, Síria e Turquia. As vezes os Naes operaram a vista um do outro. Um operava a noite e outro de dia com mais frequência. Também apoiavam tropas do SAS da Austrália e Reino Unido. Os pilotos não estavam familiarizados como o terreno, IADS e meteorologia como ocorria no sul quando os pilotos operavam na OSW.
FSCL
O Comando Central Americano usou o conceito FSCL (Fire Support Coordination Line) para controlar as operações de apoio de fogo no avançado das tropas. A FSCL era uma linha imaginaria onde todos os meios de apoio de fogo como helicópteros, artilharia e caças estavam sob controle das tropas em terra (V Corpo do Exército ou 1a MEF dos USMC).
Além da FSCL o controle seria feito pelo JFACC (Joint Force Air Component Commander) da USAF e todos podem atacar alvos com identificação positiva (PID) sem autorização do comandante em terra. Dentro do FSCL tem que coordenar com as tropas em terra e pedir autorização.
O conceito de kill box foi usado para facilitar a atualização da FSCL sem precisar de usar coordenadas o que foi bom com o avanço rápido das tropas. Antes era só o JFACC que controlava e o AWACS não saberia rapidamente do avanço da tropa e resultaria em um maior risco de fogo amigo.
Antes da Operação Iraq Freedom as operações de CAS eram controladas pelos AWACS e JTARS que ficou saturado. Antes eram controladas pelo ABCCC que era dedicado e foi retirado de serviço.
Na coordenação das missões de apoio aéreo aproximado, KI/CAS, SCAR e FAC(A) do USMC o nível mais alto era o TACC (Tactical Air Control Center) do USMC, com código de chamada "tropical", que acompanhava os Marines em terra. Era o equivalente ao AWACS/ABCCC. No V Corpo era feito pelo ASOC (Air Support Operation Center) com código de chamada "Warhawk".
O TACC também coordenava as operações de defesa aérea, coordenação do espaço aéreo e de ataque aéreo no avanço do USMC. Depois foi integrado ao CAOC tendo acesso a mais recursos de inteligência disponíveis. O Tropical era a célula Time Sensitive Target (TST) do TACC e passava coordenadas para os F/A-18C atacarem com bombas JDAM.
Os caças chegam no Iraque e fazem check-in/check-out com o TACC dizendo o armamento e queria alvo em tal lugar (alvos no leste do Iraque por exemplo). O TACC passa os caças para o DASC (Direct Air Suppport Center) que era o nível mais abaixo da cadeia de comando do Tropical. O comboio do TACC avançava junto com o MEF e era formado por blindados LAV, AAV7 e HUMVEE que paravam e depois avançavam rápido para acompanhar o avanço.
O próximo nível era o DASC que indicava o G-FAC com quem o caça operaria com os fuzileiros que era o nível mais baixo da ponta de lança do MEF. O DASC controlava diretamente os AH-1W, os AV-8B e os F/A-18 do USMC.
O DASC ia junto com as tropas sendo formado por 12-17 oficiais e tropas auxiliares. O DASC coordenava os ataques até 18 milhas a frente da Divisão (não da MEF) ou o alcance da artilharia de 105mm. Os pilotos gostavam do DASC do USMC, pois passava alvo bem mais rápido que o ASOC do US Army. Os pilotos da USAF operando com o US Army logo calculavam o combustível para ir para o DASC do USMC.
O USMC também tinha um DASC(A) (Airborne) voando em um KC-130T continuamente próximo a linha de frente. O objetivo era cobrir falhas na aquisição de alvos se o "tropical" terrestre perder contato com o alvo ou se estiver fora do alcance de rádio com as aeronaves táticas. O DASC(A) tinha código "sky chief" enquanto os DASC era o "chieftain" e "blacklist" para cada Divisão do USMC.
O DASC(A) operava no campo de batalha por horas em perfil de vôo econômico. Tinha ótima visão do campo de batalha funcionando como um satélite a baixa altitude. Conversava com todas as unidades em terra e passava as coordenadas de alvos para as aeronaves táticas que o apoiavam.
Enquanto o TACC e DASC estavam sempre procurando alvos para atacar e passar para os caças os equivalente da USAF e US Army não pareciam fazer o mesmo. O pessoal equivalente na USAF parecia atarefado com o grande o numero de aeronaves para passar alvos e não sabia da capacidade do Hornet mandando identificar alvo como se tivesse a mesma capacidade dos Litening dos F-15E.
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O DASC é um sistema de C2 e controle aéreo responsável pela direção das operações aéreas em apoio as tropas em terra. Funciona de modo descentralizado, mas supervisionado pelo TACC. O DASC processa pedidos de CAS, coordena o emprego de aeronaves com outras armas de apoio, apoia meios de apoios e serviços de combate e controla UAVs e aeronaves no espaço aéreo. Não apóia aeronaves fazendo DAS, mas apóia o TACC na missão.
O ASOC do V Corpo tinha código de chamada Warhawk. As vezes o ASOC (Warhawk) ficava surpreso com caças aparecendo para apoiar e não usavam os FAC(A) corretamente. Já o DASC passava CAS e FAC(A) para quem precisava corretamente. Se ninguém precisava passam para kil box aberto para fazer SCAR e reconhecimento armado.
Os E-2 ajudava a saber onde estavam as aeronaves CAS para mandar para os FAC(A). Era como um mercado com vendedores e compradores. As aeronaves táticas vendiam armas e era perecível com o combustível acabando. As tropas em terra eram compradores e compravam o mais "perecível". As aeronaves embarcadas operando no Golfo contatavam o controlador aéreo no NAe, depois o controlador aéreo no Kuwait, depois no AWACS, depois o AWACS apoiando as operações de reabastecimento em vôo, depois a aeronave REVO, depois o AWACS avançado, depois o ASOC do V Corpo ou o TACC do MEF e depois o FAC em terra. As vezes uma agencia não passava informações correta para frente e virava uma bagunça.
Uma função dos ABCCC/TACC era evitar fogo amigo, mas no dia 3 de abril ocorreu um episódio de fogo amigo com uma GBU-12 disparada de um F-15E atingido uma posição amiga matando 3 e mais 5 feridos. O AWACS tinha confirmado que não havia tropas amigas no local.
Antes o ABCCC tinha código de chamada "bookshelf" e controlava o CAS. O ABCCC diz para o caça com quem falar e fala com a unidade em terra e decide quem precisa de CAS e como melhor usar.
Os esquadrões tinham contato com o sistema de Comando & Controle com o oficial do OG (Operation Group) da AEW (Ala Espedicionaria). O OG integra o esquadrão no sistema, decidindo sobre razão de saída, emprego operacional da aeronave, seleção de armas e mantém os recursos necessários para ter sucesso. Também passa relatórios do esquadrão para o CAOC. O esquadrão recebe as tarefas na forma de ATO (Air Task Order) ou ordens fragmentárias.
O uso de Email seguro facilitou o trabalho de passar as ATO (ordens fragmentarias) para os Esquadrões. As comunicações por voz, dados e teleconferência acelerou em muito o processo de decisão. Mais informações chegavam até 24 horas antes da saída.
Na US Navy o briefing geral era realizado 2,5 horas antes da missão, depois no esquadrão meia hora antes e depois pela dupla de pilotos/tripulantes 15 minutos antes de entrarem na aeronave. Os briefing nos NAe permite lançar um pacote maior pois todos os pilotos estão juntos no planejamento. Na pratica se dividem em pacotes menores para cobrir o "Vul" e evitar colisão.
Na Ala embarcada CVW-3 operando no norte do Iraque, a equipe de planejamento foi dividida em equipes de 10 pessoas para apoiar os pacotes. Os membros da equipe planejavam e brifavam como um ciclo dia após dia. O CV-63 USS Kitty Hawk era o NAe dedicado para CAS com a ala CVW-5 operando no Golfo Pérsico. Os NAes operavam em ciclos de lançamento e recuperação pré-programados e não como as bases aéreas em terra abertas 24 horas continuamente.
Um ataque alfa era planejado da mesma forma que na Coréia, Vietnã e Golfo. A seção de inteligência planejava a maior parte e os pilotos focam no alvo o que é bom para aperfeiçoar as táticas. Pode ser bom para CAS e BAI, pois está tudo no kneeboard, e apenas alguns tripulantes ficam horas preparando a missão. Tudo é feito junto com outros equadores. A seção de inteligência passa as ATO, cartões de joelho (kneeboard), imagem do alvo, posicionamento das formações amigas, ameaças e onde o ultimo SAFIRE (Surface to Ar FIRE) foi visto.
As informações usadas no planejamento de missão incluíam envelope de ameaça, armas a serem usadas, técnicas evasivas, perfil de ataque, frequências de rádio, pontos baliza, meteorologia, estações de reabastecimento, alvos alternativos e critérios de cancelamento. Estas informações eram vitais para sobreviver e cumprir a missão. As ATO considera muito evitar colisões e os pacotes de 50 aeronaves tornavam esta possibilidade muito alta. Os planejadores criaram rodovias tridimensionais no ar, pontos de reportagem, e diferença de altitude. No inicio o planejamento durava 6-8 horas, com o tempo foi diminuindo para 30 minutos pois não tinham nem mais alvos fixos para atacar. Os alvos eram passados pelos FAC(A) durante os vôos.
KI - Kill Box Interdiction
As missões dos FAC(A) apoiavam as missões de Apoio Aéreo Aproximado (CAS) e os pilotos também faziam Interdição do Campo de Batalha (BAI), interdição de kill box (KI), KI/CAS e SCAR.
Com o A-day e G-day apressados, para chegar em Bagdá mais rápido, os ataques a alvos fixos logo deu lugar as missões de KI/CAS e interdição do campo de batalha (BAI - Battlefield Air Interdiction). O CAOC já esperava que os caças ficassem sem alvos fixos em poucos dias após a invasão. As táticas KI/CAS foram planejadas pelo CAOC antes da guerra. Funcionou muito bem na guerra convencional no sul.
As aeronaves táticas no local realizavam cerca de 2.000 saídas por dia no auge das operações para apoiar as operações de CAS. As aeronaves que não recebem alvos para CAS eram enviados para fazer KI/CAS, SCAR ou reconhecimento armado nos kill box abertos.
As operações eram baseadas em setores chamados kill box com todo Iraque sendo dividido em kill box. Cada kill box tinha 30x30 milhas e era novamente dividido em quatro quadrantes. Nas missões de KI as aeronaves tinham duplo papel de "on-call CAS" (XCAS), podendo ser chamadas para outro kill box para fazer CAS. A missão passou se chamar KI/CAS (ou kick-ass).
A missão KI consistia em patrulhar um kill box onde usavam táticas SCAR. As aeronaves voavam a média altitude procurando alvos de oportunidade. Se encontra um alvo o lider chama o Ala voando 5 km atrás para atacar primeiro. O líder faz identificação positiva de alvos (PID) e avaliação de danos colaterais (CDE) e libera o alvo. O padrão de ataque era do tipo "bow tie" dando tempo para o Ala atacar.
A linha de frente (FSCL) determinava quem controlaria os fogos e as táticas dos kill box facilitava definir a linha de frente. O US Army e USMC controla os fogos até a FSCL e depois era feito pela USAF. Além da linha de frente as aeronaves táticas não tinham que coordenar com as tropas em terra. A FSCL era profunda chegando a 180km a frente da linha de frente e era controlada por tropas em terra. Era uma distancia muito grande e foi bom para evitar fogo amigo das tropas que avançaram rápido após cruzarem a linha de frente.
Os kill box eram fechados se havia tropas amigas dentro ou se tropas entravam para evitar fogo amigo. Se o controle fosse só aéreo demorariam em saber da mudança e poderia ter ocorrido mais episódios de fogo amigo. As aeronaves só atacavam com autorização de um G-FAC nos kill box fechados. Se o kill box estivesse aberto, o controle aéreo sabia que não tinha amigo e estava livre para atacar.
As missões nos kill box abertos era como missões de interdição de campo de batalha sem planejamento. As aeronaves decolavam, passavam as comunicações por varias agências e recebiam informação de kill box aberto para apoiar. Era bom ter uma boa imagem do kill box para saber se tinha sido "trabalhado" antes. O ideal era enviar um FAC(A) primeiro, 15 minutos antes, ou as aeronaves de ataque acabavam fazendo SCAR e passando alvos para quem chegava 15 minutos depois.
No avanço do sul até Bagdá, as tropas em terra avançaram rápido passando por An Nasiria, Al Kut e An Najaf, com as aeronaves táticas tendo o trabalho de conter a resistência das tropas nestes locais. Os kill box abertos nos flancos do avanço passaram a ser protegidos pelas aeronaves táticas e incluía destruir pontes para imobilizar blindados e atacar concentrações de tropas. O objetivo era usar menos tropas em terra desviando de cidades e usando as aeronaves táticas para manter os pontos sobre pressão. Isso também permitiria mover rápido, mas mesmo assim a velocidade média equivale a de tropas andando a pé. As missões KI/CAS foram usadas como força de manobra aérea e evitou que os iraquianos se dispersassem e tiveram que se concentrar o que facilitou o ataque terrestre.
O MAG-11 (Marine Air Group) com seus cinco esquadrões foi usado como unidade de manobra no ataque a Al Kut para atacar a divisão Bagdá da Guarda Republicana. A partir de 1o de abril a unidade foi atacaram por três dias por todos os cinco esquadrões. Três FAC(A) operavam continuamente na região. Os caças decolavam de 45 em 45 minutos e voavam por até seis horas. Passavam alvos até para B-52 e B-1B. O próximo alvo foi a Divisão Blindada El Nida que protegia o lado leste de Bagdá. Novamente a MAG-11 foi chamava para atritar a Divisão. O Poder Aéreo conseguiu parar o IV Corpo do Iraque, destruindo ou desertando, sem disparos de armas em terra.
A interdição incluía o uso de operações psicológicas (Psiops). Foram consideradas tão importantes quanto a destruição cinética. As aeronaves usavam container de bombas em cacho designadas Mk129 para lançar 15 mil panfletos cada. Os F-16CG do Esquadrão 524 (FS) lançou 31 Mk129 antes do inicio da guerra e 108 depois de iniciado a ofensiva. Eram lançadas manualmente e treinaram no local. O objetivo era neutralizar uma Divisão sem desviar as tropas que iam para Bagdá. Lançaram panfletos avisando para se renderem em dois dias ou seriam atacados. Depois atacavam. O ataque era seguido de aviso que se ainda não se rendessem continuariam a ser atacados. A Divisão nunca entrou em ação. Também foram lançados panfletos pelo C-130, A-10, F/A-18 e B-52. No total foram laçados 31,8 milhões de panfletos.
Entre janeiro e fevereiro de 2003 os F/A-18 também lançaram panfletos com instrução para não atirar nas aeronaves e alertava aos comandantes a não usar armas de destruição em massa. Lançavam até dois containers por saída e os Hornet lançaram dois milhões de impresso (todos impressos nos NAes).Os Hornet subia a 35 mil pés e uma esquadrilha lançavam 180 mil panfletos na imediação das cidades e consideravam a direção do vento. O vento e a altitude ajudava a ficar fora o envelope dos mísseis SAM e artilharia antiaérea.
KI no Norte
O ataque ao norte do Iraque foi coberto por 72 caças F/A-18 Hornet de quatro esquadrões da ativa, uma unidade da reserva e um do USMC operaram nos dois NAes no Mar Mediterrâneo. Junto havia mais 20 Tomcat em dois esquadrões que constituíam a CTF-60. As aeronaves faziam parte da ala embarcada CVW-3 do CVN-75 Harry S. Truman e da Ala CVW-8 do CVN-71 USS Theodore Roosevelt. Os pilotos foram avisados dois dias antes que o CVN-75 operaria de dia e CVN-71 a noite, mas nem sempre cumprido.
Inicialmente apenas o Tomcat, Hornet e Prowler operaria norte junto com 14 bombardeiros B-52. Depois iniciaram vôos com A-10, F-15E e F-16CJ voando ao norte de Bagdá. Os vôos de B-52 era perigo pois voavam alto e disparavam sem se importar se havia alguém embaixo. Os pilotos de caças pediram para informar pelo rádio que estavam chegando para fugir depois que alguns viram bomba caindo do lado. O raio de curva do B-52 era do tamanho do norte do Iraque.
Depois do "shock and owe", a missão da CTF-60 era apoiar as Forças de Operações Especiais e curdos para parar o III Corpo do Exército iraquiano no norte e evitar que fossem para o sul. As equipes de Forças Especiais detectariam alvos para as aeronaves táticas. As Forças Especiais já tinham treinado a missão antes para apoiar o avanço de tropas convencionais como feito no sul.
Como a Turquia fechou a fronteira para a entrada da 4a Divisão de Infantaria sobrou 1.000 tropas da Força de Operações Especiais da Força Tarefa Viking (TF Viking) e 10 mil curdos da guerrilha Peshmerga contra 100 a 120 mil iraquianos.
SCAR
As Forças Especiais Também foram pegos de surpresa. No sul e oeste tinha tropas amigas próximas e operavam atrás das linhas, mas com uma força convencional de 100 mil tropas do V Corpo do US Army e da 1a MEF (1st Marine Expeditionary Force) do USMC absorvendo a reação dos iraquianos. No norte não tinham este luxo. No sul só pegavam alvos de alto valor para a força tarefa CTF-50 enquanto no norte eram todos alvos de oportunidade. Eram muitas aeronaves, 30-40 aeronaves para poucos FAC em terra com canais de rádio a procura de alvos. Houve muita confusão no inicio.
No norte ocorreram poucas batalhas convencionais. As FOpEsp usavam a furtividade e não o confronto para realizar suas missões. Os curdos que usavam grandes formações para tomar as cidades. No dia 6 de abril ocorreu a batalha do Passo de Debecka. Forças Especiais e Curdos estavam no local e foram cercados. Era uma rota importante entre Mosul e Kirkuk. Blindados iraquianos foram logo engajados pelo ar e oito T-55 e 16 BMP foram destruídos. Com o mau tempo no local os Hornet tiveram que voar abaixo de 7 mil pés. Atacaram com bomba Paveway iluminados por designadores laser Viper das Forças Especiais. A batalha durou 24 horas com os iraquianos lançando varias ondas de ataque até se retirarem.
Uma das táticas feitas nos kill box pelas aeronaves táticas foi a SCAR (Strike Coordination And Reconnaissance) ou busca e destruição pela coordenação de ataque e reconhecimento. A plataforma SCAR está para Interdição Aérea e Ataque Direto, como meio de Comando & Controle, assim como o FAC está para Apoio Aéreo Aproximado. O objetivo era encontrar, identificar e passar alvos para outras plataformas e fazer avaliação de danos de batalha (BDA). Era uma missão semelhante ao FAC(A), mas com aeronave rápida e não lenta e sem contato com tropas em terra. Se tivesse tropas controlando seria uma operação de FAC. A missão de SCAR nem precisa de um FAC(A) para ser feita, mas era melhor se fosse feita por um FAC(A).
As missões SCAR foram apoiadas pelos F-15E, B-52, B-1B, F/A-18, F-14 e AV-8B. Os F/A-18 e F-14 já faziam esta missão por vários anos (chamavam de hunter-killer) e depois foi copiada pela USAF. Os pilotos qualificados em FAC(A) eram poucos e todos podiam fazer SCAR e reconhecimento armado.
Os F-15E da USAF se deram bem nas missões SCAR sendo que antes treinavam mais para interdição profunda. Os pilotos de F-15E da USAF aprenderam as táticas SCAR a partir da experiência da US Navy. O F-15E era ideal para a missão. Os pilotos aprenderam a passar alvos, fazer identificação positiva e estimativa de danos colaterais. Era difícil treinar até em tempo de paz pois tem que aprender a identificar alvos. Os tripulantes só treinavam antes contra alvos fixos com identificação já sendo feita pela inteligência.
As aeronaves fazendo SCAR chegavam primeiro nos kill box e faziam identificação positivo do alvo (PID), Collateral Damage Estimative (CDE) em alvos com civis perto dependendo das armas das aeronaves de ataque. Os alvos eram passados para outros que chegavam a cerca de 15 minutos depois.
As aeronaves fazendo SCAR operavam a média altitude. O objetivo era procurar alvos de oportunidade. O operador de sistemas (WSO no F-15E) identifica o alvo e passava para outras aeronaves enquanto o piloto controlava outras aeronaves na área e falava com o AWACS. O trabalho é bem mais difícil do que parece.
Antes decolar os F-15E eram informados sobre os kill box onde fariam SCAR. Recebiam indicação de alvos e alvos secundários onde poderia lançar as bombas antes de voltar. Os alvos tinham uma hierarquia de prioridade como artilharia, blindados, armas pesadas etc. Havia 10 Ground Liasion officer (GLO) na base dos F-15E em Al Udeit no Kuwait que ajudavam na inteligência e a entender a guerra em terra.
Os F-15E em missões SCAR primeiro fala com AWACS para ir para o kill box. O operador de sistemas (WSO) da aeronave líder (Bravo 1) checa com os caças na área e o WSO do ala (Bravo 2) procura alvos com ajuda do radar e casulo Litening e determina as coordenadas do alvo para ataque. O piloto de Ala (Alfa 2) faz cobertura para o piloto líder (Alfa 1) pois os dois tripulantes na aeronave líder ficam olhando para dentro da cabina. Com os alvos distribuídos o Alfa 1 checa os vôos das aeronaves de ataque para a área e o Bravo 1 fala com o Bravo 2 passando alvos. Se Bravo 2 acha alvos passa para o Alfa 1. O F-15E pode usar o datalink JTIDS/FDL para facilitar os ataques entre eles.
Se forem atacar um alvo detectado o Ala ataca primeiro com o líder fazendo PID e CDE. O Ala voa 5km atrás e acaba economizando combustível disparando primeiro pois geralmente usa mais potencia para acompanhar o líder.
Os pilotos usam o termo "cleared to engaje" e não "cleared hot" como nas missões de CAS, o que significa que as aeronaves ataque também tem que fazer PID e CDE. É a diferença para FAC(A) que é o único responsável pelo PID e CDE. O B-52 era exemplo de aeronave incapaz de realizar PID e CDE por voar muito alto e não ter sensores adequados e por isso precisada de um FAC(A) para a missão. Os pilotos foram liberados para fazer PID e CDE para os B-52 e B-1 que não tinham esta capacidade, mas alguns pilotos se recusavam a passar as coordenadas.
As duplas voam em posição "wedge" com o Ala ficando em um "cone" de 30 graus atrás do líder a até 5km para proteção. O Ala vigia ameaças em terra com os olhos e ameaças no ar com o radar. Uma outra função do Ala é tentar ver a explosão do alvo. Munição penetradora não dá para ver nada a não ser com o casulo FLIR. Caso a dupla seja atacada por um míssil SAM disparado no modo balístico eles não atacam o local. Determinam as coordenadas e mudam de local pois pode ser uma "SAM trap" e não se aproximam.
Os F/A-18D de alguns esquadrões do USMC tinham pilotos qualificados em FAC(A). Faziam SCAR nos KI, indo e vindo para o REVO e orquestrando outros meios de ataque apos detectarem e identificarem alvos. Operavam como equipe hunter-killer (caça-ataque). O ataque podia ser desde helicópteros até os B-52.
Os F/A-18 em missão KI/CAS entram na região a 15 mil pés. Se não encontram alvos descem para 10 mil pés. O Ala fica dois mil pés acima e bem atrás cobrindo principalmente contra artilharia antiaérea e MANPADS (Man Portable Air Defense Systems). Se detectam míssil, "chama" a ameaça e manobras evasivas. O líder se concentra em encontrar alvos e pode fazer buddy laser. Pode até mergulhar a cinco mil pés e até menos para encontrar e identificar alvos. É taticamente estúpido fazer varias passadas cada vez mais baixo sobre um alvo assim, mas com tropas em perigo não tinham escolha. O mesmo é feito a noite para ajudar o FLIR e identificar alvo.
As regras de engajamento (ROE) de ataque era simples com o WSO tendo que mover o cursos para onde deveria estar o alvo correto em coordenada errada. Se tiver errado não ataca. Outras ROE eram não atacar alvos 15 metros fora da coordenadas se for um alvo fixo, ou qualquer alvo no kill box se não for feito PID e CDE e sem tropas amigas próxima.
As missões de SCAR e KICAS eram efetivas, as vezes com 100% de eliminação dos alvos no kill box, com destruição ou deserção. As operações psicológicas também ajudavam.
FAC e FAC(A)
Havia muitos alvos no Iraque e muitas aeronaves para atacar, mas poucas para identificar alvos. Os FAC(A) mostraram ser necessários. Eram os FAC(A) que conversava com as tropas em terra para encontrar os alvos, liga com os controladores aéreos e busca o campo de batalha a procura de alvos com os próprios sensores.
Os FAC(A) eram a fonte primária de alvos fazendo reconhecimento visual nos kill box. Até as aeronaves CAS como os F/A-18 do USMC também foram usadas para fazer reconhecimento visual a frente das tropas e foram muito usados nesta função. Os carros de combate M1 tinham a vantagem do alcance contra os T-72 e ficava sem utilidade se não saberem o que tem na frente. Os FAC em terra podia pedir para os FAC(A) e aeronaves CAS para fazer reconhecimento de rota nas estradas a frente do avanço.
Outra tarefa importante dos FAC(A) era fazer controle de ataque (SC - Strike Control). Para exemplificar a importância do controle de ataque, em uma ocasião, um F/A-18D atuando como FAC(A) tinha que reabastecer logo após detectar vários blindados em barricadas e instalações. Avisou o AWACS para já enviar as aeronaves de ataque e esperarem. Enquanto reabasteciam os pilotos do F/A-18D ouviram a confusão das aeronaves querendo atacar sem ordem e de forma confusa. É um exemplo de como os FAC(A) era necessário para organizar ataques. Ao voltar para o kill box o FAC(A) rapidamente "empilhou" as aeronaves de ataque em várias altitudes de 15 a 31 mil pés, em dez seções. O FAC(A) voava mais baixo a até 15 mil pés. Marcavam os alvos com foguetes de fumaça Zuni de 127 mm para os que não tinham casulos de designação de alvo ou dificuldade de identificar o alvo. Podiam fazer buddy laser para os alvos para os que não tinham designador próprio. O FAC(A) davam ordens, tipo "duas passadas para lançar tudo e vai embora e não volta mais". Um FAC(A) novo na área foi ordenado a ir para cima e esperar o combustível acabar para receber a função de controlar o kill box.
A necessidade de FAC(A) na operação era tão grande que a US Navy enviou dois F/A-18F Super Hornet com tripulantes qualificados como FAC(A) e dois F/A-18E para a região. Eram do esquadrão VFA-41 que operaram com o VFA-115. Primeiro fizeram vôos de familiarização com os F-14D. Os Super Hornet faziam dois Vul de cerca de uma hora cada.
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Os F/A-18D podiam marcar alvos com foguetes de fumaça (na foto com os lançadores chamuscados), ou identificar o ponto de pontaria ou determinar as coordenadas do alvo para bombas JDAM e Paveway. Fazer PID e CDE também era função dos FAC(A). Como eram poucos pilotos qualificados como FAC(A) voavam com Ala não qualificado como FAC(A). As aeronaves FAC(A) tinham prioridade para REVO e ficavam mais tempo nos "vul".
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Uma dupla de snipers dos Seals da US Navy. A dupla está armada com fuzil M-40 de ferrolho, um Mk12 semi-automático com silenciador e uma M-4. Sua arma principal ainda é o rádio por satélite com laptop que pode ser usado para chamar artilharia e apoio aéreo aproximado. Durante a invasão do Iraque em 2003 os EUA usou cerca de 1.000 operadores das forças de operações especiais para controlar o norte do país e evitar que os três Corpos de Exército na região fossem deslocados para o sul. Foram ajudados por cerca de 10.000 guerrilheiros curdos que conheciam. As equipes se comunicavam com um centro de comando com rádio de satélite que passava as informações para as aeronaves táticas (TACAIR) da posição dos controladores aéreos. A comunicação com as TACAIR era por rádio de curto alcance. As equipes usavam lasers para indicar alvos para as aeronaves. A maioria das equipes era formada por duplas de snipers, armados também com fuzil pesado, e se movimentavam com motos que era ideal para a região. Operavam a partir de uma base maior escondida que apoiava várias duplas. O treino de sniper era útil para se esconder e para realizar reconhecimento e vigilância, além de dar uma boa capacidade de defesa contra tropas em número superior.
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Um piloto de caça da USAF atuando como FAC com um designador laser se comunica com as aeronaves acima. O FAC está usando óculos, mas é do tipo que protege contra raios laser, e não significa que a USAF aceita pilotos de caça que usam óculos.
Casulos Litening, LANTIRN, LTS e Nite Hawk eram meios importantes nas missões CAS e FAC(A). O apontador laser era operado junto com tropas em terra equipados com óculos de visão noturna ou óculos especiais para mostrar onde estavam fazendo pontaria. O objetivo era confirmar que não estavam errando o alvo ou evitar fogo amigo. As tropas em terra também podiam usar apontadores laser para que os F-15E e A-10 equipados com o Litening detectassem o alvo mais facilmente. Era bem mais rápido comparado com o uso do rádio.
Os pilotos do USMC voam um tour e ficam outro em terra e uma opção é atuar como FAC. Os FAC do USMC conheciam os pilotos acima enquanto a USAF não conhecia os FAC do US Army ou FOpEsp que nem tinha experiência de vôo. Para ser FAC(A) tem que ser experiente no jato e boa capacidade de manter consciência da situação. O curso dura pelo menos três meses e meio e tem que ser qualificado como FAC em terra primeiro. Havia até três pilotos de F-15E como FAC em terra acompanhando o US Army e USMC. Os pilotos de FAC(A) treinaram com FAC em terra antes no Kuwait.
O USMC tinha dois FAC e um oficial de ligação para cada três Companhias. Em 30 dias, um FAC cita que controlou 72 seções de aeronaves CAS e 30 dispararam armas. Estava em um carro de combate M1 e foi atingido varias vezes por tiros de metralhadores. Um M1 a 25 metros foi atingido por uma RPG. Ficava muito exposto fora e observando alvos.
Os FAC do USMC em terra eram considerados muito bons. Caças da USAF e US Navy logo queriam trabalhar com eles visto que os FAC terrestres do US Army chamava mais artilharia e carros de combate, e as vezes Apache, quando precisavam de apoio de fogo. Não chamavam muito os caças. Os pilotos eram designados para atuar com um FAC específico em terra, mas procuravam outros FAC que precisavam de ajuda. Os pilotos de F-15E logo aprenderam a dizer para os FAC do US Army que estavam sem combustível e depois procuravam um FAC do USMC para disparar suas 10 Paveway em 15-30 minutos.
Os pilotos de A-10 iam para as tendas do USMC saber em qual kill box os FAC(A) atuariam. Os FAC(A) nos F/A-18D geralmente trabalhavam com três seções/duplas de Hornet e as vezes 1-2 de Tomcat, mas logo chegou os caças da USAF. Os FAC(A) gostavam dos F-15E pois levavam 10 GBU-12 e tinham que achar alvos para todas.
As aeronaves em missões de CAS iam para o FAC do US Army e eram notificados que não eram necessários. Os caças iam para um canal aberto chamar outro FAC que precisavam de bombas para não voltar com bombas.
Os FAC do US Army eram mais treinados para chamar helicópteros de ataque. Não treinaram com os caças antes. No inicio a conversa era simples, com "estamos aqui, disparem as armas ali". Era comum indicar um alvo que estava "na colina". Os pilotos não viam nada e perguntavam o tamanho. A resposta foi "15 metros" o que era muito difícil de identificar voando a 7 mil metros. Funciona bem com helicópteros, mas não com caças.
Para atacar alvos "cegos" era preciso muita fé do piloto. O FAC tinha que acreditar que os pilotos entravam as coordenadas corretas e os pilotos rezavam para receber a coordenada correta. Um erro pode ser fogo amigo ou civil. Ocorreu uma vez no Afeganistão com um Operador de Forças Especais colocando a própria coordenada como alvo após trocar as pilhas do GPS.
Os FAC terrestres foram renomeados JTAC (Joint Tactical Air Controllers) em 2004 após o fim da Operação Iraq Freedom. Os pilotos já passaram a gostar da capacidade dos JTAC do US Army, enquanto no Iraque tiveram desempenho horrível. Foram treinados para considerar detalhes necessários pelos pilotos, já que não eram pilotos, como a dificuldade de detectar alvos enquanto voavam a 7 mil metros. A doutrina mudou do ataque com as Paveway para as JDAM como arma preferida.
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O USMC fizeram Slow FAC com o AH-1W Super Cobra e UH-1 Huey (foto). Atuaram junto com os Fast FAC nos F/A-18D cobrindo a 1a MEF (1st Marine Expeditionary Force). Os Hornet não queriam fazer CAS urbano. O USMC preferia usar o AH-1W Super Cobra para CAS urbano por causar do menor dano colateral das suas armas mais leves. O casulo Nite Hawk tinha definição muito ruim em cidades. O ATFLIR seria a solução, mas chegou tarde. Os binóculos estabilizados eram até melhores.
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Os OH-58 eram considerados bons para FAC, mas a US Navy operou no norte onde os Scout só operaram no fim do conflito. Alguns pilotos só descobriram que o designador laser era de OH-58 quando o FAC em terra falou que está era a fonte. O piloto nem viu o Scout e nem sabia que podia designar. Os pilotos de helicópteros podiam ver de bem perto, mas hoje seria possível para os caças com o ATFLIR.
Um piloto de Hornet cita que 25% dos alvos que atacou eram pré-planejados sendo uma missão bem rápida. Nas outras 75% eram de apoio aéreo (CAS). Também cita que cerca de 25% do CAS era contra tropas com risco de serem derrotadas. Em outros 25% estavam em contato, mas sem risco, e 50% eram FOpEsp que encontravam alvo sem contato nenhum com inimigo. O piloto deduziam a situação pela voz no rádio e tiros e explosões no fundo.
No cerco a Bagdá os FAC(A) davam alerta as tropas em terra melhorando a consciência da situação, além de coordenar o apoio aéreo as tropas em terra.
Os pilotos que cobriam o norte do Iraque esperavam alguns riscos para defender as 65 mil tropas que invadiriam a região. Com o cancelamento da invasão no norte esperavam ser mais fácil sem muitas tropas em constante risco. Alguns FAC pediam para metralhar alvos e era o risco maior.
Os blindados iraquianos no norte foram parados com a destruição de pontes seletivamente. No dia 2 de abril os americanos foram alertados sobre a presença de uma coluna blindada indo para Bagdá. Logo foi decidido destruir a ponte em Tikrit para barrar a coluna com sucesso.
Nas missões FAC(A) e CAS no norte partindo dos NAe, os pilotos tinham um comandante de pacote que brifavam todos antes de decolar. Não tinham alvos fixos. Atualizavam a meteorologia, órbitas de REVO, frequências de rádio e ameaças. Um pacote típico tinha 2-4 F-14 e 6-8 F/A-18, além do Prowler e escolta de supressão de defesas. Reabasteciam na fronteira do Iraque para um Vul. Se disparasse todas as armas voltava direito para o NAe. Se não fazia novo REVO e voltava para um novo Vul. Depois voltavam obrigatoriamente para dar a vez a outro pacote.
Os caças se separavam em duplas e as vezes em esquadrilhas. Chamavam o E-2 Hawkeye avisando que estavam prontos. Informavam o tipo de aeronave, se era qualificado como FAC(A), armas e estado do combustível. Recebiam uma tarefa junto com coordenadas da estação, frequência do FAC terrestre dedicado, ou estação KI se não tiver FAC disponível. Os pilotos levavam vários livros com códigos de rádio. Passavam de um para outro e tinham que conferir frequência. Exemplo, Maule 18, depois Purple 6, etc.
Havia entre 40 a 50 kill box no norte. Os kill box incluíam alvos fixos que podiam ser usado para lançar bombas ao invés de voltar com a carga para o navio. Ao chegar no kill box os pilotos pediam permissão para abrir o kill box. Se não permitido era por ter FOpEsp no local.
Os pilotos indo para kill box recebiam frequência do FAC. As instruções passadas em canais abertos são nomes códigos como "blue 16" ou "beige 24". O código era decifrado pelo kneebord por questões de segurança. Cada G-FAC tinha dois rádios com frequências únicas para conversar com os caças. As Forças Especiais só tinham um rádio portátil para se comunicar com os caças e os pilotos tinham que sobrevoar para se comunicar. O alcance do rádio portátil era pior ainda em locais montanhosos. Um rádio de longo alcance por satélite era usado para conversar com o CAOC que passa a tarefa para o AWACS que passa para os caças.
Uma equipe de FOpEsp atuando como FAC em terra era geralmente uma dupla ou trio com fuzil AMR .50, laser Viper com zoom de 50x, usavam roupas civis e atuavam com os curdos que conheciam a região. As FOpEsp atuando como FAC falavam rápido e com poucas palavras. Tropas do SAS e SARS também atuaram no norte. Quando atuavam sozinhos podiam usar motos. Os binóculos com laser tipo Viper, junto com a experiência no Afeganistão, permitia passar alvos rapidamente e com maior precisão. Os FAC do US Army não tinham estes meios e demoravam a passar o alvo e sem total certeza.
As FOpEsp de outros paises operavam diferente. Por exemplo, o SAS identificava o alvo e deixavam a área para ser atacada. Depois perguntavam para os caças se atingiram ou não o alvo. Os americanos ficavam no local e diziam o resultado dos disparos. O SARS australiano atuou com duas equipes no norte.
Na captura de duas bases no oeste do Iraque, em 20 março, foram realizados muitos treinamentos preparatórios entre os FAC(A) e caças da USAF com as Forças Especiais em terra. A coordenação foi muito boa. Foram varias operações similares contra represas, palácios e campos de petróleo.
Os pilotos usavam um protocolo nove linhas (itens) para conversar com o FAC em terra ou com aeronaves de ataque. O protocolo tinha os seguintes itens descritos resumidamente:
1 - IP onde a aeronave de ataque irá iniciar o ataque
2 - Bearing/off set - Direção do alvo em relação ao IP (esquerda/direita)
3 - Distância. Em milhas náuticas do alvo em relação ao IP
4 - Elevação do alvo. Em pés ou metros acima nível do mar
5 - Descrição do alvo
6 - Localização do alvo - coordenada
7 - Marcação do alvo. Pode ser visual, laser, apontador laser. Feito pelo FAC em terra.
8 - Tropas amigas no local. Direção e distancia das tropas amigas mais próximas em relação ao alvo. Não é coordenada para evitar confusão.
9 - Rota de Egresso. Direção e IP que a aeronave deve tomar após o ataque.
Os FAC em terra ou no ar ainda podiam enviar mais informações adicionais como tempo sobre o alvo (TOT - Time On Target) e Final Attack Heading/Cone (arco ou direção para disparar armas). O piloto escreve os dados acima passados pelo rádio, ou datalink, no kneeboard e repete para ser confirmado. Depois insere as coordenadas do alvo no computador da aeronave e inicia o ataque.
Os pilotos já tinham um padrão de disparo brifado antes de decolar. O piloto falava "wing level" mostrando que está pronto para ataque e o FAC autoriza com as palavras "cleared hot". Os pilotos sempre tentam identificar a posição do FAC antes para evitar fogo amigo.
A doutrina americana cita a três tipos de missões de Apoio Aéreo.
- Tipo 1 usando o protocolo de "nove linhas" como descrito acima.
- Tipo 2 com as coordenadas passadas para a aeronave de ataque e não precisa ver o alvo.
- Tipo 3 operando bem a frente da FSCL com reconhecimento armado ou missões SCAR.
Armas Táticas
As armas preferidas para CAS eram as bombas guiada a laser Paveway. As vezes usavam as JDAM devido ao mau tempo. Os Hornet podiam decolar para a missão com os dois tipos de bombas. Um piloto armado com JDAM e Paveway resolveu disparar a Paveway primeiro. Quando foi atacado durante o lançamento não pôde reagir por estar iluminando o alvo. Concluiu que era melhor disparar a JDAM primeiro para fugir se necessário. Também não era bom ser o segundo na área pois as defesas estavam bem alertas.
Os pilotos navais foram treinados para falar com o FAC, ver o alvo e mergulhar com bombas burras. Com a JDAM puderam ficar longe e disparar acima das nuvens. Era muito fácil disparar as JDAM até com os monopostos. Uma missão CAS típica era lançar um JDAM em coordenada s onde havia inimigo atirando. Lançavam sem ver o alvo e depois recebiam informações que o inimigo parou de atacar. As JDAM que não eram disparadas tinha que esperar 20 minutos para alijar. Era o tempo de duração da bateria ou a bomba tentava atingir o alvo mesmo se for balisticamente impossível.
Durante a OSW foram usados UAV para identificar os alvos, passavam a coordenadas para o CAOC que mandava um caça com JDAM. Os pilotos viraram com "bomb truck" disparando contra um alvo que não viam, mas era uma tática ruim contra alvo móvel e ruim para CAS e SCAR onde era melhor usar as Paveway, Maverick, Hellfire e canhão. Mas as JDAM era boa em mau tempo ao contrario das outras armas.
Em uma ocasião caças Tornados GR4 não sabiam onde atacar pois havia muitos alvos já atacados na área. Estavm equipados com as EGBU e os F-14D FAC(A) passaram as coordenadas do alvo que fez a tarefa ficar fácil e minimizou muito o "talk-on".
As Mk82 ainda foram usadas para CAS pelos F/A-18. Eram disparadas em mergulho para melhorar a precisão. Os F/A-18 treinam muito em tempo paz com as Mk82 por ser barata comparada com as Paveway e JDAM. Basta colocar o diamante de pontaria alvo e a Mk82 é precisa até disparada acima do envelope de mísseis SAM e artilharia antiaérea. Já a Mk83 era ruim para CAS pois o raio da explosão era de meia milha.
Na Desert Storm os Harrier do USMC disparam cerca de 500 bombas Mk77 de Napalm. Na OIF foram apenas 24 Mk77 disparadas e mais pelo efeito psicológico de desmoralizar o inimigo. As primeiras foram lançadas a grande altitude e sem bom efeito com as seis bombas. O segundo ataque foi perto da base aérea de Tallil a baixa altitude com seis jatos disparando três bombas cada.Ações de mostra de força, ou guerra não cinética, era outra arma. A aeronave voava muito baixo e
a noite lançando flare. Se o alvo suspeito é amigo avisa e evita fogo amigo. Os F-15E fizeram passagem baixa a noite em emboscadas e dispararam o canhão no outro lado estrada.
Os iraquianos, procurando equipes SAS, foram sobrevoados por F/A-18 a noite. Achando que seriam atacados, os iraquianos voltaram para os veículos e fugiram. A equipe tinha sido inserida no oeste do Iraque para caçar lançadores de mísseis Scud. Foi descoberta logo no primeiro dia de operação, dia da guerra, e perseguidos até o centro do Iraque.
TACAIR
As aeronaves táticas (TACAIR) que realizaram ou apoiaram as missões de FAC(A), KI/CAS e SCAR na OIF foram o F-15E, B-52, B-1B, F/A-18, F-14 e AV-8B.
O requerimentos da aeronave ideal para realizar as missões de FAC(A), KI/CAS e SCAR era para um caça bimotor, com dois tripulantes, bons sensores, longo alcance, boa carga de armas, datalink com outros plataformas incluindo plataformas de Comando&Controle. Com bons rádios as aeronaves FAC(A) também eram usados para retransmissão de comunicações. As preferidas eram o F-14D e o F-15E.
Aeronaves monopostas como o F/A-18 ficava saturado fácil com a operação de rádios, encontrar REVO, evitar zona engajamento dos mísseis Patriot e navegar em mau tempo. Depois tinha que evitar a artilharia antiaéreo, mísseis SAM e disparar suas armas. No rádio tinha que checar com uma dúzia de agências, mudava de frequência em todas, tinha evitar colisão e as vezes passa bem próximo de outras aeronaves a noite.
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Os iraquianos colocavam suas armas em colocaram barricadas para proteger de acertos próximos como na operação Desert Storm, mas com as armas guiadas só facilitou detectar e destruir como mostra esta foto de um kill box em al Kut.
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Outra imagem de um kill box no Iraque.
F-15E
Os F-15E iniciaram o conflito disparando mísseis AGM-130, atacando bases aéreas, interdição e atacando alvos fixos, mas a maioria das missões era de KI e KI/CAS com táticas de SCAR nos kill box.
Os F-15E Eagle eram as únicas aeronaves táticas da USAF com alcance, sistemas de auto-proteção e capacidade de detecção para voar livremente no sul e norte do Iraque. As missões complicadas eram melhor realizadas com dois tripulantes e era melhor em mau tempo. O WSO encontrava alvos e falava com outras aeronaves de ataque enquanto o piloto coordenava com o AWACS e controlava a posição de outras aeronaves próximas.
Quando havia pouco REVO disponível, como nas duas primeira semanas de combates, os F-15E também tomavam a frente. Os F-15E faziam "No Gas Kick Ass", pois não precisavam de REVO na ida até os kill box. Só fazia REVO se voassem mais para a região central e norte do Iraque. Esta capacidade foi importante para apoiar o avanço entre Kut e Basra onde havia risco de contra-ataque da Guarda Republicana, mas tinham que voar duas vezes por dia para proteger o avanço e cobrir os flancos. A proteção era bem vinda pelas tropas em terra. O lado ruim era ter que voar duas vezes por dia para dar cobertura. Os pilotos passaram a fazer reabastecimento "quente" no Kuwait para voar mais longe no Iraque. O contra ataque acabou vindo do sudeste de Basra e as colunas blindadas foram dizimadas pelos F-15E. Eram cerca de 100 veículos e blindados sendo a única tentativa de ataque em massa dos iraquianos. Foi estimado que os F-15E destruíram 60% força da Divisão Medina da Guarda Republicana, centros das IADS e C3 na super MEZ em Bagdá e fizeram CAS.
Os pilotos dos F-15E passaram a gostar mais da GBU-12 por ser menor, mais precisa e causando menor dano colateral. Antes a arma preferida era a GBU-10 de 900kg. A carga normal era de nove GBU-12 e geralmente voltava sem nada. Uma dupla levava 18 GBU-12. Levavam quatro GBU-12 com espoleta instantânea em um lado e atraso no outro. Foi uma iniciativa das tripulações pois as ordens fragmentarias (ATO) não especificada o tipo de espoleta e funcionou bem. Podiam escolher a espoleta adequada para cada tipo de alvo com blindado (contato) e depósito de munições (atraso).
A USAF deslocou 55 caças F-15E dos esquadros esquadrões 335th FS "Chiefs" e 336th FS "Rocketeers" para a operação Iraque Freedom. Cada aeronave tinha duas tripulações completas. Os F-15E do Esquadrão de Caça 336 voaram 5.837 horas, sendo 4.788 horas em 1.768 saídas, com 84% de prontidão. Antes os esquadrões de F-15E treinava ataque em profundidade e interdição, até com arma nuclear. Agora o treino foca em FAC(A), KI/CAS e SCAR. No Iraque a missão primaria era caçar Scud e membros do partido. Os F-15E fizeram SCAR nas bases aéreas destruindo 67 aeronaves iraquianas, além de artilharia antiaérea, posições de mísseis SAM, depósitos, centros de comando, etc.
O esquadrão 335th FS disponibilizou 10 tripulações para apoiar as operações das Forças Especiais da TF-20 Tawny. Atuavam em kill box "black" e usavam rádios seguros encriptados KY-58. As Forças Especiais usavam luzes estroboscópicas para serem facilmente visíveis nos NVG e faziam buddy laser para os F-15 com seus designadores portáteis. No dia 2 de abril vários lançadores Scud foram atacado e destruído. Os alvos foram designados pelas Forças Especiais a 1500 metros do alvo. Foram outros 10 alvos atacados no local.
Os F-15E também mostraram sua capacidade "dual role" com configuração ar-ar para defesa aérea, substituindo os F-15C da USAF e F/A-18 da RAAF. Levavam duas GBU-12 para procurar e atacar alvos no fim da missão.
F-16
O esquadrão de caça 524 e 352 com aeronaves F-16CG Block 40 equipados com o casulo LANTIRN foram deslocados para a base de Al Jaber no Kuwait. As aeronaves realizariam missões de apoio aéreo aproximado (CAS) armados com bombas JDAM e Paveway e atacariam blindados, depósitos de suprimentos, postos de comando e sítios de comunicações. Na pratica também fizeram alerta contra alvos com premência de tempo (TST - Time Sensitive Target) e ataques de decapitação. Não estava planejado seu uso na zona protegida em torno de Bagdá (Super MEZ - Missile Engagement Zone).
Na base de Al Jaber havia um total de 20 F-16CG, 50 A-10, um esquadrão de AV-8B, cinco de F/A-18 e dois de Harrier GR7 da RAF. Era a central de CAS que ficava no Kuwait. Os A-10 fariam CAS mais próximo com canhão e mísseis Maverick. Os AV-8B e F/A-18 do USMC fariam CAS para as próprias tropas.
O treino anterior a operação enfatizou as missões de CAS e ataque em profundidade. Os pilotos de F-16 não tiveram nenhum treino de combate aéreo na preparação para a invasão. Antes treinavam penetração noturna a baixa altitude com os casulos LANTIRN de navegação. Agora só atuam a média altitude com proteção de casulos de guerra eletrônica e escolta de interferência eletrônica.
Os F-16 block 40 que operam no Kuwait dispararam um total de 372 bombas GBU-12, 23 GBU-10, duas GBU-24, 244 GBU-31 JDAM, 108 Mk129 de lançamento de panfletos e 568 tiros de 20mm. Os alvos destruídos foram 69 blindados, 44 peças de artilharia, 82 caminhões, 47 postos de comando, 35 quartéis ou caches de munição, 14 mísseis SAM ou sites de artilharia antiaérea e 14 aeronaves em terra. Tudo isso em 597 saídas em 1.438 horas.
A base aérea de Azraq na Jordânia recebeu a Ala Expedicionária 410 (AEW) com três equadores da Guarda Aérea Nacional e um da reserva com 40 aeronaves F-16 (ANG). Estas aeronaves fariam caça aos Scud (ou C-TBM - counter, theater balistic missile) e apoiariam Forças de Operações Especiais da TF-20 atuando no deserto. Na pratica também realizaram CAS, defesa aérea e ataque a bases aéreas. Os pilotos treinavam caça a lançadores Scud incluindo identificação visual e com casulos de designação de alvos de várias direções.
Foram realizadas 1.322 saídas em 6.504 horas com o disparo de 518 GBU-12, 24 Mk82 e 89 GBU-31. Os pilotos usavam mais a GBU-12 e depois um par de GBU-12 e uma JDAM. Com o estoque de munição acabando passaram a levar bombas Mk82.
A-10
Os A-10 realizaram missões de CAS, FAC(A) e ataque e a novidade foi o uso do casulo Litening II passando a ter capacidade de FLIR de longo alcance, TV e designação laser.
Os esquadrões de caça 103 e 104 com 18 aeronaves cada voaram 3.100 horas em 900 saídas. Boa parte eram missões secretas apoiando Forças de Operações Especiais atuando atrás das linhas. A guerra no oeste do Iraque foi mais secreta e até o uso de bases avançadas é desconhecido. Primeiro fariam alerta contra alvos com premência de tempo (TST) apoiados pelos JSTAR e outras aeronaves com casulos de longo alcance para identificar as zonas de operações dos mísseis Scud. Os A-10 deveriam prevenir o lançamento, mas a maioria dos Scud lançados foi mais ao sul. Depois passaram a realizar apoio aéreo aproximado e resgate de combate (CSAR). Fizeram alerta de ataque, reconhecimento de estrada, patrulharam a fronteira da Síria para evitar fuga da liderança americana e sempre mais focado no oeste para apoio das forças de operações especiais.
Os pilotos eram divididos em diurnos e noturnos para respeitar o ciclo de sono. Sempre realizavam um REVO antes de entrar no Iraque. Atuavam em duplas e as vezes em quatro. Mesmo não sendo treinados como FAC(A) acabaram realizando a missão e usavam o Litening para direcionar outras aeronaves para o alvo. Nas missões de busca e resgate de combate (CSAR) procuravam tropas em perigo no solo e o Litening ajudava a ver mais fácil aumentando a consciência da situação. Os A-10 ainda levavam bomba burras Mk82 e podiam atingir qualquer alvo com elas e o Litening facilitava mais ainda. O canhão também era outra arma de precisão.
F-14
Em 1991, dez esquadrões de F-14, ou 100 caças, tiveram pouca atuação a não ser para reconhecimento. Durante a Guerra Fria não era esperado que os Tomcat iria operar com aeronaves aliadas. Usariam suas bases, mas não aturariam juntos. Uma lição da guerra do Golfo foi a necessidade de aprender a operar junto. O resultado é que na OIF os 52 Tomcat fizeram CAP, ataque de precisão, FAC(A) e reconhecimento com sucesso. Os esquadrões tinham tripulações especializadas em FAC(A), piloto e RIO, cerca de cinco por Esquadrão, e receberam reforços de novas tripulações durante o conflito.
A primeira vez que os Tomcat atuaram como FAC(A) foi em 1999 na operação Allied Force em Kosovo e mostrou ser bom para FAC(A) e SCAR. Tinha alcance, velocidade, carga de armas, sensores, dois tripulantes, bons sistemas defensivos e sistemas de comunicações para esta missão de alta demanda.
A US Navy e USMC foram pioneiros no uso de FAC(A) em jatos. Foram usados no Vietnã com o TF-9J Cougar e TA-4F. Atualmente operam com o F/A-18D/F. A US Navy seguiu o USMC com o F-14D. Os Esquadrões tem pilotos/RIO com curso especializado. Os pilotos encontravam alvos para outras aeronaves ou comunicava com FAC em terra. Os caças precisavam de alvos que eram poucos.
Os F-14D equipados com datalink JTIDS facilitou a tarefa dos pilotos atuando como FAC(A). O F-14D tinha dois rádios seguros VHF/UHF e dois canais JTIDS. Um era para se comunicar com o Ala com som alto para alerta, outro com tropa em terra e outro com a rede de comando com o AWACS. O F-14 podia saber de noticias bem antes dos outros caças. Os Hornet voando de Ala ficavam maravilhados com a capacidade "psíquica" pois iam para um kill box e depois recebiam noticia com seu rádio que o kill box ia ser aberto.
O JTIDS mostrou ser muito importante para auxiliar na consciência da situação e nas comunicações. Mostrou ser ótimo para SCAR e FAC)(A). Boa parte do trabalho do FACA é ter boa consciência da situação que se aprende com o tempo.
Os pilotos dos Tomcat percebiam que havia "desinc" (desincronização) no JTIDS e avisava o AWACS. No desinc os pilotos chamavam e não havia resposta sendo que o AWACS achava que o canal estava calmo. As outras aeronaves não tinham canal JTIDS para avisar.
Os F-14 atuando como FAC(A) atuavam aos pares, mas pode ir sozinho com apoio de aeronaves CAS na área. Os pilotos faziam busca visual e com o designador LTS e um par de olhos adicionais mostrou ser importante para detectar fogo inimigo. As ECM também e o F-14D tinha equipamentos dos bons. O designador LTS permite passar as coordenadas do alvo rápido e sem risco de erro ou fogo amigo para aeronaves armadas com as JDAM. Os pilotos usam o HUD para apontar o FLIR do LTS para a artilharia antiaérea que atirava e que eram atacados como alvos de oportunidade.
Contra alvos fixos os F-14 treinaram com três JDAM e tanques cheios e era difícil voar. Os outros caças só operavam com duas JDAM. A guerra mostrou que o treino valeu a pena. Os F-14 levavam quatro GBU-12 para fazer SCAR o que facilitava na volta para o NAe se não disparar as bombas. O canhão era o último recursos se ficar sem armas e também era usado para alvos muito próximo as tropas. Nas missões de reconhecimento com TARPS voavam com bombas burras para o caso de alguém precisar.
Nas operações de CAS o FAC(A) conversa com o FAC no solo. O RIO controla o rádio e o piloto voa a aeronave. As coordenadas do alvo são inseridas no sistema e aponta o LST automaticamente. Os tripulantes estudam rápido a melhor tática de ataque. Geralmente seguem o manual para cada tipo de alvo. A simbologia no HUD mostra quando disparar as Paveway ou JDAM com o LST apontado para o alvo. A autorização final é do FAC em terra (com sinal cleared hot).
Os F-14 voavam 3-4 ondas por dia. As duas primeiras eram pesadas e outras mais leves no fim do dia. Os Esquadrões de Tomcat mantinham 4-6 jatos prontos de um total de 10. As missões duravam 4-8 horas, mas as tropas em terra operavam por 12-18 horas. Um esquadrão tem pilotos especializado em CAS e FAC(A) e treina os outros se necessário.
Alguns F-14 operaram do Qatar para FAC(A). A maioria dos pilotos não gostou de operar em terra achando que a USAF estava certa operando de terra. Outros achavam que mostra a flexibilidade de operar do mar e em terra enquanto a USAF não pode. Operando em terra facilitou o briefing e debrifing com outros esquadrões principalmente com os F-14A e F-15E apoiando as operações de Forças Especiais do TCT/TF-20. As aeronaves faziam reconhecimento, CAS, SCAR, FAC(A), escolta, defesa aérea e ataque de precisão. Desenvolveram novas táticas, técnicas e procedimentos para operar com as Forças Especiais. Brifavam as equipes diretamente.
O esquadrão VF-154 equipado com F-14A operando no Golfo Pérsico foi reforçado com sete aeronaves e 10 tripulações do CV-63. Um destacamento de cinco aeronaves foi enviada para terra em Al Udeit no Qatar com cinco tripulações de FAC(A). Os tripulantes voava a mesma aeronave continuamente tornando mais rápido a preparação pois não precisa ler livro registro da aeronave. O apoio em terra foi feito pela Guarda Nacional da USAF e pelos australianos.
O destacamento teve 100% de prontidão pois grande parte da frota de F-14A foi retirada de serviço e sobrou peças de reposição únicas para o modelo F-14A. Já o F-14D era mais difícil de manter pois estavam todos operando. Os F-14A realizaram mais de 300 missões disparando 98 GBU-12 em 21 dias. Cada missão durava entre 3 a 3 horas e meia.
As missões Time Critical Time em apoio as Forças Especiais da TF20 eram secretas e de alta demanda. Eram voadas só por tripulações FAC(A) como os F-14A de Al Udeit. Eram alvos oportunidade como liderança, mísseis Scud e mísseis SAM. Os FAC(A) treinaram antes com as Forças Especiais e criaram conceitos de operação. Também treinaram escolta dos MC-130, MH-60 e MH-53.
Todos os F-14 faziam buddy laser para os F/A-18 que não tinham casulos bons como LANTIRN Target System (LTS). Primeiro disparavam suas bombas, geralmente quatro GBU-12. Com as JDAM não precisavam ver os alvos fixos para atacar, mas usavam o LTS para avaliação de danos de batalha. Viam as armas falharem ou atravessaram alvos sem explodir.
Os F-14 que operavam no norte faziam um REVO na Turquia e voavam mais 45 minutos no Iraque. Se não disparava todas as arma faziam um REVO novamente e lançava o resto. Cada onda tinha dois F-14 e até quatro duplas de F/A-18. Eram apoiados por um E-2, um EA-6B e S-3 de REVO nos NAes.
Uma das primeiras missões foi apoiar um assalto aéreo noturno na base aérea de Irbil no dia 26 de março onde apoiaram com CAS e defesa aérea a força de mil pára-quedistas da 173a Brigada. Como não houve reação pelo ar ou terra e lançaram bombas em alvos pré-planejados em Kirkuk. A operação foi a maior do tipo após a Segunda Guerra com apoio de 15 C-17, escoltados por três ondas de caças do CVW-8. A força depois atacou por terra as cidades de Tikrit, Mosul e Kirkuk. O apoio aéreo era a única arma pesada que tinham.
Perto de Mosul um F-14 disparou uma Paveway contra um comboio de curdos e Forças Especiais de 18 veículos. Foram mortos 18 curdos, quatro americanos, um ajudante de uma equipe da BBC e 80 feridos.O disparo foi liberado contra um alvo sem coordenadas. O piloto disse que viu uma estrada e uma interseção onde havia blindados e veículos. O FAC liberou depois disso. Estavam sobre estresse do ataque.
Os F-14 foram retirados de serviço e substituídos pelos F/A-18E/F que agora estão assumindo a missão de FAC(A) sendo bem mais capazes com novos radares e casulos ATFLIR. Os dois tripulantes tem capacetes JHMCS que podem ser usados para apontar o ATFLIR rapidamente para o alvo sem apontar a aeronave.
Hornet
A OIF foi a guerra dos F/A-18 Hornet. Eram 250 Hornet no conflito ou a maior frota de caças. O USMC enviou 84 Hornet e a RAAF mais 14.
Na Operação Desert Storm o USMC operou com sete esquadrões de Hornet. Em 2003 eram dois de F/A-18C e três de F/A-18D de esquadrões do MAG-11 (Marine Air Group) operando na base aérea de Al Jaber no Kuwait. Os Hornet apoiaram as missões de CAS para o USMC enquanto a USAF apoiava primeiro as unidades do US Army. O USMC não tinha função de fornecer saídas para a campanha geral como na Desert Sstorm.
Em 30 dias de combates os cinco esquadrões de F/A-18 do MAG-11 voaram 2.700 saídas das 4.000 voadas no total de KI/CA, SCAR e BAI. Eram 120-130 vôos por dia em média em 30 dias. As missões eram de interdição, X-CAS e X-INT. O primeiro era contra alvos fixos e os outros precisavam de autorização para disparar.
O USMC tomou os campos petrolíferos de Rumaylah e logo tomaram a Rodovia 8 em direção a An Nasiriyah atuando contra a Divisão Mecanizada 51 e Divisão de Infantaria 11 do Iraque. O avanço foi apoiado por CAS de cinco esquadrões de F/A-18, mais os AV-8B Harrier e Tornados GR4 e Harrier GR7 da RAF. Todas estas aeronaves eram controladas pelos FAC(A) nos F/A-18D.
Os FAC(A) nos F/A-18D também foram usados para fazer SCAR nos kill box a frente do avanço do USMC. Controlaram de helicópteros Super Cobra ao B-52. Isso permitiu fazer uma "blitzkrieg" ao redor de pontos fortes na rota até Bagdá com as aeronaves táticas cobrindo os flancos do avanço em kill box abertos.
Os FAC(A) nos F/A-18D do USMC eram fontes primárias de alvos chamando fogo de morteiro, artilharia e apoio de caças e helicópteros de ataque. Atuavam como retransmissor de comunicações.
Antes das missões os FAC(A) primeiro coletam informações na tenda de inteligência para saber onde poderão operar. Os pilotos raramente têm ordens para atuar direto com um FAC em terra. No ar contata o TACC e depois o DASC. Um dos dois passa para um FAC em terra ou o DASC passa para um kill box aberto para fazer SCAR e se torna uma plataforma SCAR. Os pilotos torcem para que o kill box seja um dos que esperavam atacar. Se encontra um FAC(A) no local recebem informações do kill box quando saia. Sem FAC(A) logo passam a estudar as fotos do local que levaram junto e procuram alvos. Tentam ver se os alvos já foram atacados. Depois procuram aeronaves táticas para trabalhar.
Os FAC(A)/SCAR geralmente chegam 15 minutos antes dos caças que vão chegando a cada 15 minutos. O objetivo do FAC(A) e plataforma SCAR era ajudar os caças a colocar bombas nos alvos antes do combustível acabar. Atuando com caças armados com bombas Paveway ou Maverick Laser e sem casulo de designação os FAC(A) tinham que encontrar, colocar os caças como ala e ir até o alvo para apoiar.
Duas unidade do USMC operaram embarcados no norte (VMFA-323 e VMFA-115) no CVN-75. O esquadrão VMFA-115 voou 251 saídas com 1.241 horas de vôo entre 20 de março a 20 de abril, lançando 300 mil libras de bombas. O esquadrão VMFA-323 voou 262 saídas com 842 horas de vôo com 12 Hornet e 18 pilotos entre 20 de março a 15 de abril disparando 319 mil libras de armas incluindo 67 GBU-12, 8 GBU-16, 96 GBU-35, 41 GBU-31, 23 GBU-109, uma Mk82, um Maverick Laser e um SLAM-ER, além de 1.368 tiros de 20mm.
Caças F/A-18 do USMC ficavam sempre de prontidão no solo para atacar alvos com premência de tempo (TST). Podia ser da liderança do regime, ou artilharia que era muito frequente, alem dos mísseis SAM. Bombas em cacho foram disparadas poucas vezes como no caso de aeronaves em alerta TST contra mísseis e artilharia.
Entre os dias 19 de março a 18 de abril as aeronaves táticas US Navy voaram 5.568 saídas sem perdas. Os F/A-18 e F-14 lançaram 5.300 bombas sendo que 5.000 eram guiadas. As JDAM e JSOW foram preferidas no inicio contra alvos fixos. Depois usaram mais as Paveway para missões de apoio aéreo aproximado por ser mais flexível. As Paveway podiam ser apontadas também por helicópteros OH-58 e AH-64 além de FAC em terra.
Os Hornet da ala CVW-3 dispararam 366 GBU-12 e 50 GBU-16, mas nenhuma GBU-24. Os F/A-18 do esquadrão VFA-37 voaram 1.271 horas em 297 saídas com 100% de prontidão, lançando 144 toneladas de armas e 9.400 tiros de 20mm.
Os F/A-18+ do esquadrão VFA-201 voou mais de 1.200 horas em 400 saídas (14 saídas por dia) disparando 250 mil libras de bombas incluindo 56 GBU-35, 35 GBU-32 e 31 GBU-31. Era a única unidade da reserva naval com o modelo mais antigo do Hornet na região. O esquadrão tinha 18 pilotos sendo 14 com curso Top Gun e seis de Comandante de Guerra Aérea. Foram responsáveis por 30% das saídas das aeronaves táticas da ala CVW-8 com 100% de disponibilidade.
A Ala embarcada CVW-3 lançou 78 GBU-31, 216 GBU-35 enquanto a CVW-8 lançou 32 GBU-31 e 262 GBU-35 respectivamente. As aeronaves da ala CVW-3 dispararam 37 bombas Mk82 e 86 Mk83, mas só com bom tempo visualizado o alvo. Também dispararam 1.218 tiros de canhão de 20mm.
Na ida para a área de operação os pilotos embarcados tiveram muito tempo para treinar. Em tempo de paz é comum voar com aeronaves com defeito, como um radar fraco ou FLIR que não funciona, mas preparando para OIF tiveram que caprichar na prontidão das aeronaves. Os pilotos também treinaram com FOpEsp atuando como FAC em terra contra alvos em estande de tiro na Albânia, Bósnia, Grécia e Turquia com bom proveito em combate pois geralmente só treinam contra alvos no mar. Também só treinaram com as armas que usariam Iraque pois o arsenal é bem amplo.
No caminho até o Iraque podiam escolher com quem treinar. Eram muitas opções para treinar no mundo e focaram nas piores ameaças existentes e que havia no Iraque. O treinamento de combate aéreo foi contra os Rafale e Super Etandard franceses e contra os F-16 e F-4E turcos. O treinamento foi mais intenso foram as táticas defensivas contra mísseis SAM e artilharia antiaérea que era a maior ameaça opção e deixava os pilotos ansiosos, mas a realidade foi bem mais fácil. Em combate varriam o céu com radar e olhos e olhavam o RWR a procura de Mig, SAM e artilharia antiaérea e o silencio era total. Os pilotos temiam muito os mísseis Roland por ser bem rápido. Depois de atacar já moviam e subiam rápido para evitar a artilharia antiaérea. O REVO com mau tempo, constante na área, era até mais amedrontador que as IADS.
Diferente dos treinamentos em combate colocaram pilotos experientes com ala inexperiente em configuração permanente chamado par tático. Assim puderam voar missão operacional desde o inicio das hostilidades. As aeronaves navais voaram 6.500 saídas até abril sendo 64% para CAS e ataque.
Os Hornet australianos foram bem vindos por padronizar a logística e armas. O treinamento conjunto anterior mostrou que tinham boa proficiência. As aeronaves equivaliam aos F/A-18A+ americanas. As aeronaves foram tiradas dos três esquadrões sendo recentemente modernizadas e revisadas. Os pilotos também eram de todos os esquadrões. Ficaram baseados em Al Udeid no Kuwait. Treinaram ataque com Paveway, REVO e manobras defensivas 4x4 com os F-16CJ antes do inicio das operações. No primeiro dia da operação, 20 de março, fizeram patrulhas de combate aéreo. Três duplas se revesavam entre a órbita da CAP e o REVO. Em uma ocasião foram chamados para avaliar um alvo 50km a nordeste da posição, mas não pegaram nada no radar e voltaram para a CAP. As CAP no sul do Iraque duravam 5-6 horas com 3-4 REVO. No inicio a configuração era DCA/TST, com três tanques externos, três AMRAAM e uma bomba GBU-12. Dois dias depois passou para "swing mission", com uma GBU-12 substituindo um AMRAAM ou duas GBU-10 no lugar dos AMRAAM. Para ataque levavam duas GBU-10 e um Sidewinder para defesa e três tanques externos. Para CAS levavam só GBU-12 no lugar das GBU-10. Os F/A-18 da RAAF voaram 670 saídas com 2.300 horas de vôo incluindo 350 saídas de combate em 1.800 horas disparando 122 bombas Paveway.
Super Hornet
No fim de março chegaram reforços para a frota de Hornet com mais dois esquadrões de F/A-18E de ataque e dois de F/A-18F com tripulações qualificadas como FAC(A) do CVN-72 USS Abrahan Lincoln. O Super Hornet já tinha feito seu debut no fim da OSW. O Super Hornet podia levar quatro GBU-31, como o F-14, enquanto o F/A-18A/C/D anterior tinha limitação de alcance. O F/A-18E/F também tinha maior disponibilidade e menor manutenção (8-9 horas por hora de vôo). Como não estavam qualificados para disparar as GBU-12 operaram apenas com a GBU-16.
O F/A-18E/F tem mais pontos duros, pousa com mais carga externa ("bring back") e fica mais tempo na estação com parado com o Hornet. Podem levar quatro JDAM ou atacar 16 alvos com uma esquadrilha. Em 1990, na operação Desert Storm, eram necessários quatro jatos e 12 bombas para destruir um alvo fixo. Agora um jato pode atacar dois alvos ou dois pontos de pontaria. Atacando mais alvos em menos tempo melhora a capacidade de sobrevivência diminuindo a exposição dos pilotos com menos saídas. A lista de alvos fixos também acaba rápido. O uso maciço de armas guiadas como as JDAM deve fazer a lista de alvos fixos acabar em 2-3 dias em guerras futuras. A reação é dispersar e mover os alvos "fixos".
A maioria das missões do F/A-18F na OIF foi de FAC(A) apontando tropas em terra. Com sensores melhores tornou mais amigável. O F-14 precisava de mais trabalho para ler os instrumentos. O casulo ATFLIR e o datalink MIDS foram bem vindos.
Global Hawk
Durante a guerra do Golfo a USAF queria uma plataforma de vigilância e reconhecimento para dar cobertura 24 horas em apoio a caçada aos Scuds e acompanhar as forças iraquianas. Em Kosovo o problema continuava tendo que orquestrar os meios disponíveis como o U-2, satélites e outras plataformas de reconhecimento para ter os dados necessários. O UAV Predator ainda tinha capacidade limitada. Em um grande campo de batalha o meio de vigilância deve ter grande autonomia e grande campo de visão, com datalink de grande banda para analise. O resultado foi o UAV Global Hawk em 2003 e teve um bom desempenho nos exercícios.
O Global Hawk foi usado na operação Enduring Freedom para dar grande cobertura de longo alcance. O radar SAR tinha alcance de 180km e os sensores óticos tinham alcance de 50km. A aeronave era controlada do CAOC. O operador clica onde quer que a aeronave voe e o operador de sensor clica no alvo desejado. O alcance facilitava o tempo de reação. Ficou fácil acompanhar inimigos que se movem a noite. Durante o ataque a Tora Bora o Global Hawk estava bem acima. Mostrou imagens em detalhes das cavernas e depois os AC-130 atingindo os alvos. Na operação OSW ajudou a localizar mísseis SAM e posições dos mísseis Scuds.
Na OIF ajudou nas missões SCAR. Ficar olhando na imagem do LANTIRN era ruim para cobrir uma grande área. Já o Global Hawk voava nos kill box três horas antes do ataque e indicava as áreas mais prováveis de ter alvos ou unidades. O radar mostrava veículos entrincheirados entre estradas, prédios e arvores.
A imagem era enviada aos EUA, depois ao CAOC e depois os alvos eram passados por voz para o AWACS que direcionava os caças para o local com o rádio VHF. O ataque era realizado em poucas horas após a detecção do alvo. Durante as tempestades de areia ainda podia usar o radar e indicar alvos para as JDAM. O Global Hawk ajudou a localizar e identificar mais de 300 blindados, 13 posições de mísseis SAM, mais de 50 lançadores de mísseis SAM, mais de 300 canister de mísseis SAM e mais de 70 transportes de mísseis SAM.
REVO
Uma fase crítica das operações aéreas da OIF foi o reabastecimento em vôo (REVO). As aeronaves operando no Iraque contavam com o tempo de vulnerabilidade (Vul), ou o tempo na zona de combate, e não com horas totais ou missões voadas. As missões eram feitas com vários Vul e entre eles realizavam os REVO. Foi o REVO que permitiu que as operações de CAS e FAC(A) fossem viáveis ou precisariam de muito mais aeronaves para realizar as missões ou de mais tropas em terra para cobrir missões feitas pelas aeronaves táticas. A falta de REVO foi o principal fator na geração de saídas. O tamanho dos pacotes era delimitado pela disponibilidade de REVO.
O número de aeronaves cisternas na OIF foi 149 KC-135, 33 KC-10, quatro Tristar e oito VC-10K. Foram 51 KC-135 a menos comparado com a Desert Storm. A limitação estava não na falta de aeronaves, mas na dificuldade de conseguir bases na região para as aeronaves REVO.
No inicio das operações a Ala CVW-2 teve que fazer cinco pacotes contra alvos fixos sem REVO da USAF com apoio de todos os oito S-3 para REVO. A coordenação teve que ser precisa. A falta de uma aeronave cisterna penetrante foi sentida pois o S-3 ajudava pouco.
As aeronaves REVO ficavam entre 20 mil a 25 mil pés, empilhados em órbitas próximas a fronteira com o Iraque em intervalos de 2 mil pés se necessário. Eram encontrados com ajuda do radar. A regra de segurança era uma milha de visibilidade, mas no Iraque era bem menos na pratica. Os pilotos tinham que descer para fazer o REVO e soltar bombas era até a parte mais fácil.
As aeronaves navais gostavam de fazer REVO com o KC-10 era mais fácil pois a cesta era grande e fácil de acertar permitindo muitos erros. A do KC-135 era ruim e dura.
Os F/A-18 operando no sul faziam REVO no sul da Arábia Saudita. Voavam uma hora até o REVO, uma hora para ir e voltar até do alvo até o REVO e uma hora do REVO até o NAe no Golfo Pérsico. Os F/A-18 recebiam 8 a 10 mil libras de combustível nos REVO antes de entrar no Iraque. A maioria recebia até quatro REVO quando operavam em NAes no Mar Mediterrâneo.
Os F/A-18 raramente voa com três tanques extras que é uma configuração para deslocamento. O Hornet voa com dificuldade com três bombas JDAM e cheio de combustível. Os Hornet a grande altitude voavam próximo a velocidade de estol com carga pesada, sem margem para manobra devido ao ar rarefeito. Os pilotos relatam que era como andar no gelo. Se tenta algo rápido corre risco de cair de "costas". O mau tempo no Iraque forçava a voar muito alto. Além do risco de estol, havia o problema de pouco tempo de reação contra disparos de mísseis SAM devido a cobertura de nuvens e bombardeavam alvo as cegas. Era difícil voar próximo, encontrar aeronaves amigas e o pior de tudo era reabastecer.
O REVO ficou critico quando as tropas se aproximavam de Bagdá. O alcance do F/A-18 era ruim nesta área e o REVO foi limitado. O tempo de espera diminuiu assim como o apoio as tropas. Tiveram que usar três tanques externos ao invés de dois tanques para aumentar o tempo de espera para mais 30-40 minutos, mas com a aeronave ficando mais "letárgica".
No fim da guerra as aeronaves cisternas voaram dentro do sul do Iraque e o REVO era feito a 20 minutos de Bagdá. O tempo de espera dos caças aumentou muito. Os FAC(A) tinham prioridade para REVO para ficarem mais tempo nos kill box.
O F/A-18E também apoiaram as operações de REVO com cinco tanques extras sendo um para passar combustível. O F/A-18 geralmente voa 45 minutos até o REVO e recebe 8 mil libras de combustível para ir até Bagdá. Na volta recebe mais 8 mil libras, resultando em 3 horas e 45 minutos para colocar as bombas no alvo. Com apoio do Super Hornet para REVO só precisava de 6 mil libras pois o REVO era feito mais alto e não desce atrás das aeronaves cisterna e sobe novamente. O Super Hornet como aeronave cisterna tática permite ir junto e reabastecer mais perto do alvo. A Ala CVW-14 fazia mais saídas por isso e deixou de usar as aeronaves cisternas da USAF. Um Super Hornet apoiava dois Hornet. O REVO era feito 45 minutos antes de Bagdá. Na volta recebem mais combustível dos S-3 para pousar com pouco combustível.
O REVO com os Super Hornet eram posicionados para operações estratégicas e faltava para apoiar operações de CAS. Um esquadrão de 12 F/A-18E passou a usar quatro aeronaves para apoiar as outras como aeronave cisterna tática. Um Super Hornet de REVO acompanhava uma seção de F/A-18 ou F-14. O REVO era feito logo apos decolar com os S-3, depois a 200 km antes da área do alvo com os Super Hornet que voltavam sozinhos. Na volta os caças faziam REVO com o S-3 fora do Iraque.
Os F/A-18E de REVO voavam 18-20 vezes cada um por dia. Decolavam em ciclos de 1 hora e meia com as aeronaves de ataque decolando em ciclos de três horas. O F/A-18E de REVO pousa, enche os cinco tanques e decola para outro ciclo com dobro da razão das aeronaves de ataque. Os pilotos revezavam de REVO para ataque entre as aeronaves. Os pilotos dos Super Hornet de REVO eram veteranos pois na fase de REVO assumem posição de líder de seção. A configuração de cinco tanque extra também é difícil de operar. O F/A-18E usa o mesmo casulo buddy-buddy do S-3, modelo Aero D704 Aerial Refueling Store, mas reforçado para suportar maior carga "g". Pode até usar o mesmo do S-3 se necessário. Os F/A-18E e F/A-18F também tinham que fazer REVO no meio da missão (mid cicle) de uma horas como os F/A-18A/C para cumprir os "vul".
As operações de REVO no norte do Iraque eram apoiados por aeronaves cisternas estacionadas em bases no Chipre, Bulgária e Creta. A Turquia recusou a operação no país e diminuiu as opções de bases em 25%.
Um pacote típico no norte consistia de dois Tomcat, 4-6 Hornet, um Prowler e dois S-3 para REVO. Os S-3 eram lançados primeiro, depois os F-14 e depois os F/A-18. Os Hornet faziam REVO primeiro. Os S-3 seguiam o pacote até a Turquia ser liberada para vôo o que economizou 700km e os S-3 foram liberado para não seguir mais os pacotes. Voar pela Turquia não diminuiu o tempo das missões. Ficavam sim mais tempo no Iraque. As duplas operam separadas 1-2 milhas e mantém contato visual um com a outra para evitar colisão. Atacam alvos separados, mas voam na mesma aérea geral. As vezes usam o mesmo FACA em terra com múltiplos alvos.
O Tomcat vai direto para REVO na Turquia antes de entrar no Iraque. Os Hornet recebiam 2 mil libras de combustível dos S-3 logo após decolar e enchiam o tanque após os Tomcat na fronteira antes de entrar no Iraque. Os F-14 entravam no Iraque seguido dos Hornet 15 minutos depois. Dois jatos fazem escolta e supressão de defesa e duas duplas procuram alvos como FAC(A) em locais separados. Voltam para o REVO para novo "vul" que dura mais ou menos uma hora. Depois faziam mais um REVO e voltavam para o NAe. Até aeronaves de escolta de caças levavam bombas e são chamadas para atacar alvos em terra. Quem disparava suas bombas tomava o lugar dos CAP.
Os F-14 tinha 20 mil libras de combustível e o Hornet 14 mil libras dando cerca de 15 minutos a mais nos Vul. Os F-14D atuando como FAC(A) raramente realizavam o terceiro REVO na volta para o NAe. A Exceção era com trafego pesado que atrasava o retorno. Os F/A-18 sempre realizavam três REVOs sendo o último na volta. O assento ejetor do F/A-18 foi projetado para um vôo de uma hora. Era muito desconfortável voar seis horas e os pilotos voltavam com dores nas costas.
Os F-14 em missão de escolta eram os primeiros a serem lançados nos NAes. Assim como os Hornet, procuram as aeronaves cisternas com o radar e não com o rádio. Enchem o tanque enquanto esperam os outros lançarem. O combustível permite escoltar dois grupos de F/A-18 no local em fila. Um entra e é substituído pelo outro com o Tomcat tendo o dobro do alcance, mas faz REVO na volta para pousar com segurança. Uma missão típica durava 4 horas.
Dentro do Iraque os caças voavam em velocidade tática e altitude tática que gasta mais combustível, obviamente, que a velocidade de cruzeiro típica das aeronaves comerciais. O mau tempo na região estava presente em 50% do tempo e atrapalhava as missões e as operações de REVO.
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