Uso em Combate
A primeiro arma guiada por GPS a entrar em combate foi o míssil cruise AGM-86C CALCM lançados pelos B-52 em 1991 contra o Iraque. O guiamento por GPS foi mantido em segredo durante um ano pois na época não existia cobertura total da rede GPS e o inimigo podia prever quando seria possível um ataque.
Outras armas logo foram equipados com GPS/INS como a EGBU-15, o AGM-130, o SLAM e até as bombas guiadas a laser como as Enhanced Paveway III que também foram usados em combate.
As JDAM entraram em combate em 1999 na operação Allied Force e depois nas zonas de exclusão aérea no Iraque com a US Navy. Até setembro de 2006 foram lançadas quase 20 mil JDAM em combate.
Operação Allied Force
A primeira vez que as JDAM entraram em combate foi na operação Allied Force na Iugoslávia em 1999 disparadas pelos bombardeiros B-2. Nesta operação o B-2 logo mostrou a capacidade das JDAM de atacar alvos múltiplos em uma única passada e em qualquer tempo.
As defesas aéreas integradas (IADS) iugoslavas eram bem sofisticadas. Na primeira semana era proibido voar abaixo de 15 mil pés. Os B-2 logo mostraram ser uma plataforma ideal para este cenário podendo atacar 16 alvos simultaneamente e com apenas dois tripulantes em risco. Os B-2 não atacavam qualquer alvos, mas os mais bem defendidos e resistentes.
Na época só havia 600 bombas JDAM no estoque da USAF. Os ataques foram treinados semanas antes contra os alvos planejados. Os ataques foram praticados várias vezes contra o mesmo alvo no mesmo dia. Foram testados todos os problemas possíveis de serem encontrar nas missões.
Os vôos saiam dos EUA. Para os sérvios não deduzirem se estavam decolando para a missão real continuaram os treinos. Ficava difícil saber se estava levando bombas reais devido ao compartimento interno de armas. Uma aeronave em missão real decolava e horas depois pousava outra em treinamento para criar confusão. A chegada da aeronave real era antecipada por uma decolagem de treinamento.
No dia 24 de março de 1999 foram lançadas dois B-2 em missão real. Foram seguidos de outros e de mísseis Tomahawk TLAM. Os B-2 voavam sempre juntos e faziam três reabastecimentos no vôo de ida. As missões duravam 15 horas para ir e 13 horas para voltar. Na volta realizavam apenas dois reabastecimentos em vôo.
Os tripulantes estudavam os alvos na ida e recebiam dados de meteorologia e mais dados atualizados durante o vôo. Os B-2 nem sempre faziam parte de pacotes da OTAN. Atacavam alvos aos pares ou sozinhos. Abriam os ataques como os F-117A, mas aproveitavam o apoio dos EA-6B e supressão de defesas. Não precisavam mas protegia ainda mais.
Próximo ao alvo tiravam foto de imagem SAR de alta resolução do alvo. Comparavam com as fotos disponíveis e verificavam as coordenadas do GPS. Depois atualizavam a mira das bombas se necessário. Geralmente lançam oito bombas por passada, mas podem lançar até todas as 16 ou uma de cada vez.
Os B-2 realizaram 49 saídas, menos de 1% das missões totais, e dispararam 11% das bombas guiadas sendo que 90% caiu a até 40 pés do alvo. As JDAM foram responsáveis pela destruição de 11% dos alvos. Os B-2 dispararam 652 bombas JDAM GBU-31 com cabeças de guerra Mk84 ou BLU-109/B. Do total, 96-98% funcionou atingindo 87% dos alvos designados. Os B-2 também lançaram quatro bombas penetradoras GBU-37. Os planejadores em terra gostavam das JDAM e os estoques acabaram rápido.
A maior parte dos alvos são secretos e sem dados disponíveis. Certamente eram centros de comando, bases de mísseis SAM e radares. Os B-2 usaram as JDAM para atacar alvos alto valor como refinarias de petróleo entre prédios urbanos.
Em uma missão um B-2 atacou a intercessão de duas pistas em uma base aérea criando grandes crateras com as JDAM. Depois a base foi atacada pelos B-1B e B-52H com bombas burras. Foram duas bases aéreas atacadas por esta mesma aeronave na mesma missão.
A ponte de Zezeljev no rio Danúbio em Novi Sad foi atacada com sucesso e não esperavam usar as JDAM contra pontes devido a precisão insuficiente. Um B-2 lançou seis JDAM no meio da ponte e duas no norte da ponte destruindo completamente. A ponte já tinha sobrevivido ao ataque de duas bombas GBU-15 de um F-15E e depois duas GBU-27 com BLU-119/B de um F-117A.
Os B-52 e o F/A-18 seriam as primeiras aeronaves a levar a JDAM, mas o Pentágono decidiu que seria o B-2 para dar capacidade não nuclear. A JDAM era a resposta para a capacidade de ataque de precisão para o B-2 e foi até armado provisoriamente com as GAM. Os B-52 e B-1B também podiam lançar as JDAM, mas eram poucas armas disponíveis. Sete B-1B block D podiam disparar 24 JDAM contra 16 do B-2.
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Imagem do ataque das JDAM contra a ponte de Zezeljev.
Nos dois primeiros meses do conflito apenas 1/4 do tempo permitiu o ataque. O dano colateral era problema que influenciava a decisão de atacar. O mau tempo na Allied Force fez as JDAM mostrarem sua utilidade. Apenas os F-15E e B-2 conseguiram operar no mau tempo da região. Um dos motivos foi os radares com modos SAR de boa qualidade e as armas guiadas por GPS/INS no caso a EGBU-15 e AGM-130 no F-15E e as JDAM nos B-2. No inicio das operações apenas os mísseis cruise CALCM e Tomahawk superaram em poder de fogo as armas disparadas pelas aeronaves e também eram guiados por GPS/INS.
As AGM-130 e EGBU-15 usam o GPS/INS para chegar próximo ao alvo e depois o WSO refinava a pontaria com as imagens que recebia pelo datalink. Se não conseguisse receber as imagens a bomba continuava mas com menor precisão.
Operação Enduring Freedom
A próxima oportunidade de uso das JDAM foi em 2001, durante a operação Enduring Freedom no Afeganistão. Durante as primeiras seis semanas de operações foram lançadas nada menos que 4.600 bombas GBU-31(V)1/B, GBU-31(V)2/B e GBU-32(V)1/B. No primeiro mês foram disparadas 12 mil bombas sendo 7.200 bombas guiadas incluindo as 4.600 JDAM. Nas nove primeiras semanas de operações consumiu metade das 10 mil JDAM em estoque. Das 18 mil armas gastas, metade era de precisão e das armas de precisão era JDAM.
Para comparar, na guerra do Golfo em 1991, 9% das armas eram guiadas e eram realizadas 3 mil saídas por dia. Na Enduring Freedom, as aeronaves realizaram 200 saídas por dia, mas atingiram o mesmo número de alvos, ou seja, eram 10 aeronaves por alvo em 1991 e agora foram dois alvos por aeronave. Por outro lado as defesas no Afeganistão eram muito fracas.
A JDAM teve papel principal na derrota do Talibã. O uso maciço pelos B-1B mostrou bem claro ao Talibã que não estavam lutando contra URSS e sim um inimigo bem mais capaz. A idéia de um bomba vindo do nada, a noite, e com mau tempo era uma grande ferramenta psicologia. O colapso rápido do Talibã e al Qaeda teve relação direta com a precisão das JDAM apoiadas pelas equipes de Forças Especiais em terra. A Aliança do Norte ficou realmente impressionada com as JDAM.
Por exemplo, em uma ocasião as tropas da Aliança do Norte tentava induzir a deserção de um líder do Talibã. Agentes da CIA ofereceram dinheiro na forma de US$ 10 mil para o comandante e US$ 50 mil para o comandante principal. As equipes de operações especiais (A Team) direcionou uma JDAM na porta do posto de comando. No próximo dia ofereceram US$ 40 mil e aceitaram.
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Os ataques das JDAM contra as posições do Talibã foram importantes para a vitória americana no Afeganistão. As equipes de operações especiais foram apoiadas em terra por cerca de 1000 tropas anti-talibã.
Em 2001 as JDAM já estavam certificadas para todas as aeronaves táticas americanas. Foi muito usada e aproveitaram as informações de sensores aéreos, satélites e equipes de operações especiais.
O Esquadrão 389 equipado com caças F-16 realizou 178 saídas no Afeganistão. Apenas uma missão foi realizada com o piloto conhecendo a coordenada do alvo. No restante as coordenadas dos alvos foram passadas por equipes de Forças Especiais em terra.
Na operação Desert Storm a USAF enviava pacotes de 20-24 caças F-16 para atacar um alvo a média altitude com bombas burras com vários pontos de impacto (DMPI - Designated Main Point of Impact). A tática geralmente funcionava. Se precisava mais precisão enviavam 24 jatos contra um único DMPI e nem sempre acertavam. Se fosse a porta de um bunker era ainda mais difícil. Por ser quase precisão ainda precisa das GBU-12 ou GBU-10 para acertar direto a porta de bunker. Com a JDAM o invés de 24 jatos podem pensar em usar apenas duas ou quatro aeronaves.
Outra arma usada pelos F-16 era o dispersador WCMD guiado por IMU. A razão de JDAM/WCMD dos F-16 no Afeganistão era de 50/50 mas geralmente variava. Em Tora Bora atacavam mais com as JDAM e nas missões de apoio aéreo aproximado em Kandahar usaram mais as WCMD. Os F-16 podem ter o alvo mostrado no HUD ao contrario B-1 e B-52, tendo modo de pontaria visual.
O uso de munição guiada facilitou o planejamento de missão. Sem ameaça em terra podiam orbitar e conversar com os controladores aéreos em terra. Uma missão de F-16 típica era o direcionamento por um AWCS até um controlador aéreo em terra recebendo o código de chamada, freqüência e localização. Na área de operação conversavam com rádio seguro, e com péssimo som, até obter a coordenada do alvo para atacar. Os controladores aéreos em terra usavam um radio por satélite para conversar com o AWACS e postos de comando em terra e com rádio por UHF para conversar com as aeronaves táticas. Já os caças conversavam com AWACS a até 350km em outra freqüência.
Os B-1B dispararam 40% de todas as armas voando apenas 5% das missões. Geralmente levavam 24 bombas JDAM. As operações no Afeganistão mostrou a capacidade de apoio aéreo aproximado em qualquer tempo e não se imaginava esta capacidade nos bombardeiros. Foi até classificado como novo tipo de missão chamada de Ground-Aided Precision Strike (GAPS) com o poder de fogo manobrando no céu apoiado por tropas em terra.
Algumas plataformas atacaram alvos móveis com as JDAM calculando o tempo de vôo da JDAM e nas coordenadas antecipadas do alvo futuro. As vezes tinham bons resultados.
Operação Iraq Freedom
Durante a operação Iraq Freedom em 2003, durante a invasão do Iraque, as munições guiadas foram a munição primária das aeronaves táticas. Os aliados dispararam um total de 29.199 bombas e mísseis nesta operação. Do total, 68% ou 19.948 eram guiadas, 22,4% do total eram JDAM (6.542) e 29,5% eram bombas guiadas a laser (8.618). As bombas burras foram 9.251 no total sendo que 5.005 foram bombas Mk82. Nos quatro primeiros dias 90% das munições disparadas eram guiadas.
No meio da década de 90, os EUA esperavam que 19% dos alvos no Iraque seriam atacados por munição guiada. Este valor aumentou para 43% em 2002 com a introdução das JDAM. O aumento do número de casulos de designação de alvos de Terceira Geração disponíveis também está diretamente relacionado com esta mudança.
A JDAM mostrou ser a melhor arma para destruir a maioria dos alvos terrestres. As principais exceções eram os blindados e veículos leves, e alvos móveis como os mísseis SAM. A armas em cacho foram usado contra estes alvos desde a década de 60.
As JDAM foram responsáveis pela aceleração do avanço das tropas em terra. Psicologicamente minou a confiança inimiga, mostrando que irão atingir alvos mesmo a noite ou fumaça e tempestade de areia. A JDAM logo virou o padrão ouro de qualidade entre as armas guiadas de precisão.
As bombas guiadas a laser ainda foram muito usadas e ainda são muito precisas. As JDAM mostraram ser mais efetivas, podendo atacar alvos em cidades com pouco dano colateral. Os pilotos gostaram por poder disparar em vôo nivelado a média alta altitude em segurança. Era a arma preferida e as Paveway passaram a ser secundárias.
O mau tempo foi um problema na Guerra do Golfo em 1991 e em Kosovo em 1999. Em 2003 as JDAM permitiram continuar os ataques com mau tempo.Os iraquianos tentaram usar tempestades de areia para ocultar seus avanços mas a aeronave E-8 JSTAR detectava e depois atacavam com a JDAM. Os iraquianos também tentaram esconder alvos com fumaça e óleo queimado, mas não funcionou contra as JDAM.
Antes a tática contra bases aéreas da US Navy era atacar com seis F/A-18 equipados com 24 bombas burras e com sorte fechava uma pista ou pista paralela. No primeiro ataque em 2003 usaram 10 aeronaves F/A-18 e F-14, sendo que um teve uma pane e retornou. Seis estavam equipados com três JDAM cada e outros com HARM para supressão de defesas. As JDAM criaram buracos a cada 700 metros nas pistas principais e secundárias e também atingiram dois HAS com apenas 15 bombas. Cada buraco tinha 15 metros de diâmetro por 7 de profundidade.
As JDAM permitiu que os F/A-18 passassem da capacidade de ataque diurnos e bom tempo com bombas burras para múltiplos DMPI em qualquer tempo. Com o AMRAAM passou a ser bom também na arena ar-ar. Já fazia supressão de defesas e o JDAM adicionou mais uma opção de arma para ser usada nesta missão.
Os F-14 levavam um mix de armas para tempo bom e ruim. As bombas guiadas a laser eram usadas com bom tempo e as JDAM para mau tempo. Arma de penetração era o que faltava. No inicio das operações o planejamento de missão era bem simples considerando mais as freqüências de radio e posições dos controladores em terra.
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Um F-15E armado com bombas JDAM e Paveway. A aeronave está usando o conceito MaxFlex, máxima flexibilidade, com vários tipos de armas, potencia e métodos de guiamento.
Os B-2 realizaram 43 missões sendo 27 partindo dos EUA. Dispararam 418 bombas sendo 230 GBU-31V1, 93 GBU-31V3 e 11 penetradores GBU-37. A GBU-43/B MOAB estava disponível, mas não foi usada. Um ataque foi feito como 80 bombas Mk82 não guiadas.
Os B-1B Block D modernizados a partir de 2003 receberam as JDAM além de outros sistemas como os despistadores rebocados ALE-50. No total podiam levar até 24 bombas JDAM.
Logo no inicio das operações dez aeronaves B-1B atacaram 240 alvos com as JDAM na primeira noite. Os B-1B usaram as JDAM para atacar seis torres de interferidores de GPS em Bagdá. Um B-1B lançou 23 JDAM e destruiu quatro emissores usando apenas o guiamento por INS como já treinado em tempo de paz. Logo pararam de usar os interferidores. O uso de interferidores de GPS de fabricação russa foi uma das surpresas da guerra.
Durante as operações de apoio aéreo aproximado os B-1B levam até 24 JDAM contra no máximo quatro das aeronaves táticas, mas geralmente levam 16 JDAM e um tanque extra. Podem voar até 5 horas em "CAS Call". As táticas incluem fazer passagem baixa para elevar o moral das próprias tropas e dissuadir o inimigo. As vezes bastava presença para o inimigo fugir. Se a tropa amiga está muito perto do alvo, podem pedir para se afastar da posição por segurança antes de dispararem. Um Laptop permite ver o que é mostrado para os operadores de sistemas defensivos e ofensivos.
O uso do B-1B nas missões de apoio aéreo aproximado10 anos antes seria um conceito ridículo. Em 2001 passaram a considerar as capacidades e não plataforma devido as distancias no teatro de operações. A combinação de controlador aéreo em terra, B-1B e JDAM mostrou ser fantástica.
As vezes o B-1B fazia escolta de comboios e reconhecimento de rota. O radar com modo GMTI permite detectar alvos móveis em terra, mas não tem capacidade de identificar alvos o que vai ser possível com a instalação do casulo Sniper XR. Nos vôos longos a maior ameaça era permanecer alerta.
Em uma ocasião um B-1B lançou quatro GBU-31 com a Mk84, seguida 3 segundos depois por uma GBU-31 com o penetrador BLU-109/B contra um bunker. O objetivo era cavar um buraco na terra para facilitar o trabalho do penetrador. A cratera tinha 50 metros de diâmetro.
No total os B-1B voaram 213 saídas, ou menos de 1% do total até fim do "shock and owe". Disparou 2.159 JDAM até cessar as operações ou 43% das JDAM, ou 22% do total de armas guiadas. Todas as missões foram voadas acima de 20 mil pés.
Entre 7 a 10% das JDAM falharam, ou a mesma média das outras armas guiadas. No fim das operações havia no estoque da USAF mais 17 mil JDAM, 25 mil bombas guiadas a laser e 6.500 WMCD.
Após a operação Iraq Freedom as JDAM passaram a ser a arma de escolha. No caso de tumultos as passadas baixas passaram a ser arma mais usada e as vezes no caso de tropas em contato. As vezes as armas eram miradas fora do alvo para não atingir amigos e assustar o inimigo.
A mais nova JDAM a entrar em ação foi a GBU-38 feita principalmente para missões de apoio aéreo aproximado. A primeira fez que a GBU-38 foi empregada em combate foi no dia 7 de outubro de 2004 pelos F/A-18 do VMFA-242 na operação Braxton em Falluja. A GBU-38 foi usada em combate no Afeganistão em maio de 2006 pelos B-1B e AV-8B em Kandahar. A GBU-38 mostrou ser ideal para apoio aéreo aproximado em cidades. A bomba cai por cima evitando os prédios ao redor.
Um F-16 decolando para uma missão no Iraque. A aeronave está armada com duas GBU-12 e duas GBU-38. As Paveway ainda são necessárias para caso de precisão ou alvos móveis. O resultado foi unir os kits de guiamento a laser e GPS/INS em uma mesma arma na Laser JDAM (LJDAM) com CEP de 3 metros e capacidade de atacar alvos móveis.
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Imagem de um ataque de bombas JDAM contra uma casa o Iraque. É possível observar a segunda bomba logo acima da explosão. Quando os insurgentes se escondem em prédios os controladores em terra chamam aeronaves equipadas com a JDAM que chegam em cerca de 10 minutos.
Outras JDAM
Outros paises desenvolveram armas similares a JDAM, mas apenas EUA conseguiu com baixo custo. As armas estrangeirais equivalentes a JDAM são a AASM da Sagem francesa, a Umbani da Denel Sul africana, a KAB-500S-E russa, a SPICE e Lizard GAL israelense, A LS-1 e LS-6 chinesa e a ER-PGM indiana. A PBS britânica é baseada nas Paveway com guiamento duplo laser e GPS/INS. A Seirina Grega, a BFL brasileira, a FT-1 chinesa e a KAB-500S parecem ser mais parecidas com a JDAM cm baixo custo.
A Extended Range Precision Guided Munition (ER-PGM) indiana é baseada em uma bomba 450kg com asas e kit de guiamento GPS/INS. O CEP de 3-4 metros sugere que também usa guiamento terminal. O alcance é de 100 km.
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A China desenvolveu a LS-6 com guiamento por GPS/INS e o receptor também aceita sinais do GLONASS russo equivalente ao GPS. A LS-6 tem alcance de 60km disparada a 10 mil metros com velocidade de queda de cerca de Mach 1. A LS-6 pesa 540kg, tem 3 metros de comprimento, 37,7 cm de diâmetro, 2,7 metros de envergadura e ogiva de 440kg. O CEP é de 15 metros. O fabricante LOEC cita que o kit pode ser instalado também nas bombas Mk83 e Mk84. A bomba foi mostrada em 2006 e pode ter sido vendida para o Paquistão.
A FT-1 é a equivalente chinesa da JDAM.
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A Seirina grega tem conceito semelhante a JDAM. É fabricada pela Ordtech Military Industries. O projeto foi iniciado em março de 2000 com os modelos SGM-500 de 500kg e a SGM-1000 de 1000kg.
As JDAM da FAB
O CTA-IAE e a Avibras Aerospace estão desenvolvendo kits de bombas guiadas por satélite com a designação BFL. As bombas estarão disponíveis nos modelos BFL-1000, 500 e 250, com cabeça de guerra de 1000 Kg, 500 Kg e 250 Kg respectivamente. Os kits são instalados nas Bombas de Fins Gerais BFA-230, BFA-460 e BFG-920. O alcance é tido como 20km com precisão de 12 metros. Outras cabeças de guerra são as bombas penetradoras BPEN-1000 e talvez a Bomba Lança-Granadas BLG-252.
A entrada em operação das BFL irá trazer novas capacidades para a FAB, mas também muitos problemas. Um dos problemas será a disponibilidade de código de GPS de precisão em caso de conflito. Caso os EUA não apóie o Brasil provavelmente a FAB não terá acesso aos códigos para uso do GPS no modo de precisão ficando limitado ao modo INS. Outra opção é ter acesso também ao sistema GLONASS russo e futuramente ao Galileu Europeu.
Sem a disponibilidade da atualização do GPS, a capacidade das BFL está relacionado com a precisão do INS. Se a capacidade for similar ao CEP conseguido pelas JDAM com o INS, ou cerca de 14 metros, o GPS nem fará muita falta. Se for igual ao requerimento original das JDAM, ou um CEP de 30 metros, as BFL ainda poderão ser úteis contra boa parte dos alvos fixos.
Se a capacidade for pior, ou um CEP de cerca de 50-60 metros, a precisão será similar ao uso de bombas burras disparadas a média altitude com modos CCIP e que já está disponível para a FAB nos AMX e agora nos F-5EM. A vantagem será poder disparar as armas em qualquer tempo com apoio de radar com modo SAR, atacar alvos múltiplos, atacar alvos de área com pontos de impacto não linear, poder escolher o ângulo de impacto, fazer disparo fora do eixo e aumentar o alcance do disparo aumentando a capacidade de sobrevivência da aeronave.
Um seeker de guiamento terminal poderá ser necessário para garantir a precisão final. Os sensores possíveis são o laser, imagem infravermelha e TV. O laser é bem provável como os já em uso nas JDAM. O sensores de TV CCD são baratos e os de imagem infravermelha podem operar em qualquer tempo. Os sensores de imagem precisam de algoritmo de aquisição automática de alvo ou de um datalink. O datalink irá encarecer o custo da arma assim como o casulo designador a laser. Os sensores infravermelhos dos mísseis MAA-1 são uma opção contra alvos quentes como navios e blindados.
Como acontece com as JDAM, a aquisição dos alvos é o gargalo do processo de operação das bombas guiadas por GPS. Os meios de aquisição de alvos disponíveis para a FAB são satélites de sensoreamento remoto, aeronaves de reconhecimento como o R-99B com radar SAR e casulos Litening III e Star Safire com telemetros a laser. O radar Grifo-F do F-5EM talvez possua modos SAR para apoiar o disparo em qualquer tempo enquanto o radar Scipio do A-1M não tem esta capacidade. Modos de radar SAR deve ser um requerimento obrigatório para os concorrentes do FX-2. A atualização das coordenadas do alvo em vôo com modos de radar SAR ou casulo de designação de alvos como o Litening III provavelmente será obrigatório.
Em 1943, a Oitava Força Aérea atacou menos de 50 alvos em um ano. Na Operação Desert Storm em 1991, foram atacados 150 alvos nas primeiras 24 horas. A USAF planeja formar uma pequena força de 12 aeronaves B-2A e 48 caças F-22A para atacar 426 alvos em um dia com o uso das JDAM ou equivalentes. Com as BFL a FAB passa a ter uma capacidade próxima da operação Desert Storm, mas com uma frota bem menor e com um prazo maior, talvez uma semana, para atacar o mesmo número de alvos. Com aeronaves mais capazes como os concorrentes do FX-2, como o Rafale e Flanker, capazes de levar até quatro bombas de grande potencia como a BFL-1000, a capacidade será melhorada.
As BFL deverá ser uma arma cara para os padrões da FAB. Os A-1M ainda terão uma boa capacidade de ataque de precisão a baixa altitude, com CEP de 15 metros com armas de alto arrasto. Com NVG e FLIR poderá realizar ataques a noite a baixa altitude a noite e em tempo bom contra alvos relativamente protegidos.
Além das novas capacidades de atacar alvos fixos as BFL também podem ser usadas em outras missões:
- Supressão de defesas. Com o apoio de um casulo Litening III, um caça pode olhar para a área onde recebe emissões de radar. Detectando o emissor o Litening III pode determinar as coordenadas do alvo que será atacado pelas BFL.
- Interdição aérea. Se a precisão da BFL for adequada é possível usá-la para atacar pontes e locais de suprimento. Modos de radar GMTI como o do Griffo-F do F-5EM será útil para detectar alvos móveis.
- Ataque a bases aéreas. As bases aéreas são alvos bem defendidos e que devem ser colocados fora de ação rapidamente. As BFL são a arma ideal contra este tipo de alvo tendo que ser disparada em grande quantidade contra vários pontos de impacto no alvo. Uma pista de pouso e pistas de taxiamento precisam de vários cortes para serem inutilizados. Outros alvos importantes são abrigos reforçados de aeronaves que precisam ser atacados com armas de precisão. Por ser um alvo bem defendido as BFL serão úteis ao serem lançadas fora do alcance das defesas locais.
- Apoio aéreo aproximado. As JDAM mostraram ser úteis para as missões de apoio aéreo aproximado, mas para a FAB será necessário o acesso ao código do GPS para ter a precisão necessária.
As BFL têm um bom potencial de serem exportadas, mas primeiro a FAB precisa ser o primeiro usuário para conseguir a confiança de compradores em potencial. Os candidatos são paises que não tem acesso as JDAM ou armas equivalentes de outros países. Armas como a BFL e JDAM são tão simples que podem ser usadas em aeronaves de Primeira e Segunda Geração com um sistema de navegação primitivo. As coordenadas do alvo podem ser passadas diretamente para a arma antes de decolar.
Também deve ser considerado o uso de armas equivalente por possíveis adversário em caso de conflito e estarmos preparados para interferir no código de satélite do GPS, GLONASS e futuramente o Galileu. Os interferidores são simples e baratos e as BFL podem ser usadas para testar as táticas e técnicas de emprego.
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