Bombas Guiadas a Laser

Laser é o acrônimo de Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation. A teoria do laser implica em se aprofundar em física quântica e por isso não irá ser descrito aqui. O laser permite direcionar a luz em uma direção com freqüência bem controlada. Ao entrar em contato com uma superfície emite uma luz bem brilhante que pode ser detectada pelos sensores das bombas.  

A principio, o guiamento laser envolve a iluminação do alvo com um laser. A arma guia até os reflexos até atingir o alvo. O sistema consiste em dois elementos, o designador e a arma com o seeker. O designador está equipado com um laser com óticos para pontaria. O sistema pode ser manual (atualmente só nos terrestres) ou estabilizado (nas plataformas aerotransportadas e navais).

O laser gera cores monocromáticas, o que significa que a luz refletida pode ser detectada facilmente por sensores simples através de filtros nas lentes. Uma arma guiada pode ser equipada com este sensor e ligado a um mecanismo de controle para direcionar a arma para o alvo iluminado pelo laser.

Os laser podem ser pulsantes ou de onda continua. Um sensor codificado pode ser usado para discriminar entre vários iluminadores e diminuir a interferência ou despistamento. Os lasers usados para iluminar alvos operam na banda de 1.064 µm.

O designador laser marca o alvo e a luz refletida é vista por um sensor na aeronave ou bomba. O piloto aponta para o alvo através do HUD para disparar a bomba. Podem ser usadas várias freqüências de codificação para vários designadores designarem alvos próximos. A bomba é lançada como uma bomba convencional contra o alvo e adquire o laser para fazer as correções de pontaria durante o vôo.

A invenção do laser no inicio da década de 50 levou os militares a estudarem seu uso para guiar armas. Primeiro foi pensado em usar o laser como arma de energia dirigida, mas só agora esta capacidade está se tornando prática. Uma arma de energia a laser gasta muita energia e meios físicos, mas o fato do laser ser apontado e permanecer organizado a longa distancia mostrou que podia ser usado para pontaria de armas. O laser poderia ser adicionado a um telescópio com mira com o laser focado para iluminar o alvo e marcar ou designar. Por gerar poucas cores também significa que o reflexo do alvo pode ser facilmente detectado por um sensor simples com um filtro. Um arma guiada poderia receber este sensor que seria ligado a um sistema de feedback para se guiar até o alvo iluminado.

Os requerimentos de um sistema de pontaria moderno são:

- Precisão para atacar alvos de ponto - CEP da ordem de metros
- Capacidade de operar a noite ou com visibilidade zero
- Simplicidade, confiabilidade e facilidade de manter
- Capacidade de transferir alvos entre aeronaves ou observador para a aeronave
- Resistência a interferência ou outras contramedidas
- Alcance para atacar alvos além das defesas do alvo

Existem vários tipos de sistemas de guiamento e todos tem problemas em alguns destes requerimentos. O guiamento laser preenche bem estes requisitos.

O uso do laser para guiamento de armas iniciou em 1958 para estudos de sensores de mísseis anti-carro pelo US Army. Os estudos foram derivados de pesquisas sobre o uso do laser em sistemas de guiamento de mísseis. Em 1960, os pesquisadores mostraram que podiam projetar uma luz laser e logo iniciaram testes de sistemas de guiamento a laser.

A idéia para usar como sistema de guiamento levou dois engenheiros do US Army Missile Command, David J. Salonimer e Norman Bell, que estavam interessados em projetar projeteis de artilharia guiados a laser, a conduzir estudos sobre sistemas de designação e sensores. Conseguiram algum orçamento e trabalharam com a Texas Instruments (TI) para modificar um míssil Shrike como arma guiada a laser superficie-superficie. O experimento não terminou, mas a idéia de uma arma guiada a laser não acabou. As pesquisas foram realizadas em 1962 mostrando a viabilidade do sistema. O Vietnã não seria uma guerra blindada e os esforços foram passados para a USAF.

Inspirado no experimento com o Shrike, a Martin Marietta iniciou seus próprios experimentos com sistemas de designação a laser e em 1964 mostraram o sistema para a USAF. O conceito do uso de bombas guiadas a laser foi sugerido pela primeira vez em 1965 por Weldon Word, trabalhando junto com Salonimer, que trabalhava na companhia Texas Instruments (TI).

Weldon Word pensou em usar o laser para guiar bombas e munições de artilharia. Word conversou como Coronel Joe Davis na base aérea de Eglin. Davis queria ajudar os pilotos no Vietnã a atingir seus alvos com mais facilidade. Davis queria uma bomba que pudesse ser disparada a cerca de 10 mil pés e voar o resto direto até o alvo com grande carga explosiva. Outros riram da idéia do laser, mas Davis não.

Os pilotos americanos no Vietnã queriam uma arma que os mantivessem longe do fogo antiaéreo e que fosse precisa o suficiente para não ter que voltar depois para atacar o alvo novamente. A arma tinha que ser barata, segura e fácil de usar. Os pilotos viam o problema, mas os burocratas não. A USAF simplesmente não admitia a existência do problema.


Pilotos veteranos da Segunda Guerra Mundial perceberam que a artilharia antiaérea em alguns alvos no Vietnã era mais intensa que em alguns alvos bem defendidos na Alemanha. Os pilotos acabavam evadindo ao invés de se concentrar na pontaria. Em uma ocasião Word contou as crateras ao redor de uma ponte e parou ao chegar em 800 sem terminar.

Davis propôs um projeto que deveria ser entregue em uma semana. Queria uma dúzia de armas guiadas com precisão de 10 metros. O preço do contrato deveria ser menor que US$ 100 mil e deveria ser entregue em seis meses para testes de vôo.

O programa foi aceito pois existia um programa para financiar melhorias em itens já existentes. A precisão de 30 pés bateria em muito a precisão das armas da época que chegava a 100-1000 pés (30 a 300 metros) dependendo da tática, alvo e condições meteorológicas.

O objetivo era construir um seeker e descobrir um modo de passar estas informações para a unidade de controle do Shrike instalada na traseira da bomba. Depois teria que voar e ser aerodinâmica. Só existia dois lasers no mundo e receberam um para testes. Os engenheiro da TI não conheciam nada sobre laser nem sabiam se era seguro. O seeker foi construído do zero. A aerodinâmica foi testada com um modelo em escala em uma piscina para testar o tamanho das barbatanas até o máximo para manter estável. Entre as dez bombas lançadas, oito atingiram o alvo caindo a menos de 30 pés.

Assim, em 1966 a USAF lançou um requerimento para kits de bombas guiadas a laser. A North American Aviation-Autonetics (NA-A) também concorreu para receber verbas para os protótipos. As propostas foram testadas no verão de 1966 na base de Eglin. O conceito da TI era bem simples e barato, mas com sistemas de risco. O conceito da NA-A usava técnica de guiamento já testado, com canard de controle, mas era três vezes mais caro por usar giroscópio mais caro e complicado. O protótipo da TI mostrou ser melhor na prática e recebeu um contrato para instalar os kits nas bombas M-117 e Mk84 no meio do ano de 1967 no programa Pave Way (Precision Avionics Vectoring Equipment) para fabricar 50 kits.

NAA Proposta de bomba guiada a laser da North American Aviation-Autonetics.

BOLT-117 A BOLT-117 (BOmb, Laser Terminal-117) foi a primeira bomba guiada a laser. Era baseada na bomba M-117 de 340kg da Segunda Guerra Mundial com sensor guiamento KMU-342 e kit de controle. Ficou operacional em 1967 com avaliação em combate em 1968. Poucas foram produzidas e parou em favor da GBU-10 duas vezes mais precisa e mais potente. Mesmo assim foi revolucionária transformando uma bomba burra em bomba inteligente com uma precisão 100 vezes maior. A USAF queria uma bomba com um mecanismo semelhante ao guiamento por radar semi-ativo, mas usando raio laser. O projetista da TI teve uma semana para mostrar a proposta e só usou régua de cálculo para criar o projeto. O resultado foi a BOLT-117 (Bomb, Laser, Terminal Guidance) baseada na bomba M-117 que ficou pronta em 1968. Os primeiros testes foram realizados em abril de 1965. O resultado foi ruim, mas a precisão aumentou em muito com a Mk84 slick com controles no nariz ao invés da cauda como na BOLT-117. Inicialmente o projeto teve vários problemas técnicos e operacionais, mas com resultados positivos, mostrando muito mais precisão que as bombas burras, mas sem os custos, complexidade e limitações de mísseis como o AGM-12 Bullpup. A BOLT-117 mostrou ser efetiva contra pontes que antes precisava ser atacada por muitas bombas e saídas de aeronaves táticas para ser destruída. Mesmo assim o projeto correu risco de ser cancelado com superiores da USAF mandando cancelar o projeto por não aceitar os resultados. A TI realizou mais testes entre 1965 a 1966. Nos testes iniciais foram disparadas 66 bombas com apenas nove falhas. Os kits usavam tecnologia simples e barata que permitiu testes repetidos com armas reais para refinar o conceito, táticas, técnicas e tecnologia.


No dia 15 de junho de 1968 a USAF aprovou a compra de 293 kits por US$ 4,7 milhões. Os testes dos protótipos foram em novembro de 1967 e depois foram enviados ao Vietnã em maio de 1968 com testes operacionais iniciando em setembro de 1968. Os resultados foram variados com as armas sendo empregadas pelos F-4D da Oitava Ala de Caças (8th TFW). A primeira aplicação foi atacar alvos difíceis no Vietnã Norte como a ponte Lang Giag que perdeu seis dos 11 vãos em um único ataque. Outro alvo foi a hidroelétrica Lang Chi que foi desabilitada sem danificar a represa.

Entre os dias 22 de maio a 9 de agosto de 1969 a 8 TFW atacou o sul do Vietnã do Norte. Com ameaça mais leve as tripulações puderam se concentrar em desenvolver táticas. As M-117 e Mk84 com kit laser mostraram ser bem precisas com a última sendo duas vezes mais potente. Foi calculado que aeronaves equipadas com bombas guiadas a laser podiam destruir 20 vezes mais alvos que aeronaves equipadas com seis bombas M-117 cada. O custo por alvo favorecia as bombas guiadas a laser e a capacidade de disparar a média altitude diminuiria as perdas para a artilharia antiaérea.

A USAF também experimentou outras bombas com kit laser. Em outubro de 1969 os kits para bombas M-118 de 1.360kg ficaram disponível. Era usada contra alvos grandes e reforçados e grandes pontes. A versão menor com kits para bombas Mk82 de 227kg eram usadas contra alvos menores na trilha Ho Chi Mim substituindo a M-117 ainda em 1968.

Nas táticas usadas pela 8a TFW os F-4D iniciavam o mergulho a 20 mil pés a 45 graus e disparavam as Paveway a 12 mil pés. Outro F-4D iluminava o alvo com o designador portátil AVQ-9 Pave Light operado pelo tripulante traseiro. A aeronave que disparava a bomba podia realizar manobras evasivas logo depois do disparo. O sistema manual mostrou ser difícil para manter o laser alinhado com o alvo, mas as bombas guiadas a laser atingiam o alvo de qualquer jeito. Os testes em combate atingiram um CEP de 21 metros com a BOLT-117 e 10 metros com a GBU-12. Metade conseguiu acerto direto no alvo.

Com o sucesso inicial o uso passou a ser em grande escala. Os testes levaram a série Paveway I que consistia em kits dianteiros e traseiros para instalar nas bombas Mk82, Mk83 e Mk84 que se transformaram na GBU-10, GBU-16 e GBU-10, respectivamente. Todas usam o mesmo seeker, mas o resto era diferente para cada bomba. Os kits custavam US$ 3 mil dólares na época contra US$ 35 mil de uma Walleye.

 
Limitações

O conflito no Vietnã mostrou que as bombas guiadas a laser também tinham limitações. A primeira é que são muito precisas em condições meteorológicas ideais. O alvo deve ser iluminado pelo laser durante o ataque. Se o seeker não consegue mais ver o reflexo (sparkle), por ter sido desligado, bloqueado ou movido, a precisão da bomba diminui. A poeira, fumaça, nevoeiro, nuvens e chuva interferiam no sistema de guiamento por difração. Na guerra do Golfo em 1991 os reflexos da areia levaram várias bombas a guiar até alvos falsos. Testes na neve também mostraram que podia interferir. O feixe também pode ter reflexo para frente se apontado muito baixo no alvo ou para trás se apontado no alto do alvo. O laser é uma arma de linha de visada e uma estrutura em terra e até na aeronave pode obscurecer o feixe do laser ou a visada do sensor na bomba.


O envelope limitado era outra limitação. Kits de guiamento laser foram instalados em mísseis como o AS30L e Maverick para terem maior alcance e manobrabilidade. A variante Skipper da GBU-16 recebeu foguetes para aumentar o alcance.

As Paveway tinham que ser disparadas dentro de um envelope para poderem atingir o alvo e o seeker enxergar os reflexos do laser no alvo. Este envelope era chamado de cesta (bastket) e se não fosse seguido a bomba não guiaria. Os parâmetros de disparo eram similar as bombas burras. O piloto mergulha no alvo a 20 mil pés, adquire o alvo e lança a bomba a cerca de 10 mil pés, bem acima do alcance da artilharia antiaérea.

Se a Paveway fosse disparada muito baixo ou longe, pode ficar fora do campo de visão ou não ter energia para alcançar o alvo. No geral eram disparadas a média altitude onde os caças ficavam mais vulneráveis aos mísseis SAM. Devido ao padrão sinusóide da trajetória, as primeiras Paveway perdiam muita energia e o alcance era menor que o da Walleye não sendo adequadas para deixar as aeronaves fora do alcance das defesas antiaéreas.

Com o designador manual AVQ-9 a aeronave iluminadora voava um padrão circular previsível para guiar a bomba lançada por outra aeronave ficando exposta por muito tempo as defesas. O ataque israelense a usina nuclear iraquianas em 1981 foi feito com bombas burras Mk84 exatamente para evitar expor as aeronaves as defesas locais com o sistema manual. A capacidade melhorou com a introdução do designador Pave Knife na operação Linebaker que permitia o disparo pela mesma aeronave lançadora e permitia que a aeronave manobrasse durante o ataque.

A iluminação a partir de uma distância muito grande dá reflexo muito grande por divergência de feixe. O feixe pode ser atenuado pela atmosfera ou mau tempo que é piorado a grande distância. Os designadores atuais de Terceira Geração como o Damocles, Sniper XP, Litening e ATFLIR tem capacidade de designar alvos voando a até 40 mil pés (laser 40k) e com maior alcance resolvendo o problema de curto alcance.

Por outro lado as bombas guiadas a laser tinham como vantagem em relação as armas guiadas por TV e IR a simplicidade e não precisavam de um link para trocar dados com a aeronave como a Martel, GBU-15 e Maverick. Os kits também são fáceis de adaptar em qualquer arma e não precisavam de modificações nas aeronaves.


Evolução do Ataque de Precisão


Desde os seus primeiros dias a aviação militar tem como objetivo a destruição de alvos militares do inimigo. Seja com o lançamento de granadas mão em 1914 até as bombas nucleares Fat Man e Little Boy em 1945, estas armas tem um conjunto de fatores em comum: eram armas não guiadas de queda livre. A primeira medida dos pilotos para melhorar a pontaria das bombas lançadas manualmente pelo observador foi instalar cabides para lançar bombas e o uso de miras simples.

A guerra moderna mudou com o bombardeiro de saturação com bombas não guiadas se tornando cada vez mais impopulares devido a grande perda de não combatentes. As grandes frotas de bombardeiros também mostraram ser caras de comprar e manter. Com o surgimento das bombas nucleares a necessidade de uma frota grande diminuiu, mas é considerado politicamente incorreto e agora anti-ecológico também.

A operação Rolling Thunder no Vientã levou a um requerimento de ataque de precisão, mas a USAF não estava preparada. O F-105 tinha uma mira computadorizada com auxilio do radar para lançar bombas nucleares contra alvos do tamanho de um quarteirão, mas que era insuficiente para atingir uma ponte. O F-105 foi testado em ataques de precisão na operação Northscope e Commando Nail (chamados tripulantes Ryans Raiders) com resultados desapontadores.

Os Ryans Raiders também fariam ataques diurnos em mergulho iguais aos da Segunda Guerra Mundial e Guerra da Coréia, mas com jatos supersônicos. Com pouca precisão e muita defesa antiaérea não era possível garantia a destruição dos alvos.

As missões logo mostraram que sair do mergulho a 700-1.000 metros era perigoso e passaram a sair a 2.500 metros ou mais diminuindo ainda mais a precisão com CEP de 150 metros ou mais. Este perfil é útil contra alvos de área como uma estação ferroviária. O dano colateral era grande. A pontaria até que melhorou visto que na Segunda Guerra Mundial um alvo de 20x30 metros precisava de três mil saídas com nove mil bombas para atingir um CEP de mais de 1.000 metros. A maioria dos danos eram contra as imediações do alvo.

As armas usadas eram bombas auto-explosivas. Inicialmente eram bombas iguais as usadas na Coréia e depois uma nova geração mais aerodinâmica (série Mk) desenvolvida na década de 50. Algumas receberam cauda retardante para uso a baixa altitude (Snakeye em uso atualmente apenas pela US Navy) e outras com sonda para explodir mais alto e não em contato direto com o solo. A maioria pesava 220 kg e 340kg. Alguns alvos como pontes precisavam das versões maiores de 900 kg e até 1.360 kg. Os foguetes eram populares para missões de reconhecimento de rota. As bombas em cacho também mostraram ser úteis para supressão de defesas.

A US Navy também tinha seus problemas. O A-6 Intruder tinham um bom radar de pontaria contra alvos pequenos e podia operar a noite. O A-7 Corsair II foi o primeiro caça americano com HUD e modo de pontaria computadorizada CCIP com CEP de 11 metros, mas só ficou disponível no fim da Rolling Thunder em 1968.

Um atraso de 0,3 segundos no disparo de uma bomba lançada em vôo nivelado a 350 knots pode levar a um erro de 60 metros sem considerar outros fatores. O pipper já esconde uma área de 40 pés e esconde o alvo em um disparo a média altitude. Uma Mk84 tem precisão de 5-6 milirads e erra fácil em 50 metros. Se o sistema de medição de altitude erra 70 metros a bomba erra em mais 40 metros. O resultado final é ter que realizar várias missões para atacar o mesmo alvo. A US Navy usava táticas de pacote (ataques Alpha) concentrando toda a força de um porta-aviões contra um único alvo.

O piloto ainda tem que encontrar o alvo, voar mais rápido e baixo, tem que desviar do terreno e das defesas antiaéreas. Geralmente o alvo está camuflado, é pequeno ou móvel. A introdução do radar e computador melhorou a pontaria. Os computadores consideram a altitude e velocidade da aeronave junto com os parâmetros das armas, além da posição do alvo e calcula o tempo de disparo. O resultado é que o bombardeiro manual ficou absoleto no cenário moderno com o surgimento das novas tecnologias de modos de pontaria computadorizadas e as armas guiadas de precisão.

Na Segunda Guerra Mundial eram necessários 150 saídas de B-17 para lançar 9 mil bombas para atingir um alvo em particular com um prédio. Em 1967-1968, com o F-105, eram necessários 177 saídas para lançar 380 toneladas bombas para tentar derrubar a ponte Paul Doumer.

O mau tempo era outro problema. Os ciclos das monções no Vietnã resultava em poder atacar apenas metade do ano com a pontaria visual sendo impossível na outra metade devido as constantes camadas de nuvens baixas. Por isso os Ryans Raiders e outros sistemas bombardeio por radar foram usados para tentar superar este problema. A rádio navegação seria outro meio como feito na Segunda Guerra Mundial. O programa Combat Skyspot era a versão atualizada sendo usada para apoio aéreo aproximado, marcando as bases americanas, mas era pouco efetivo.

As operações de bombardeio aéreo da Rolling Thunder terminou em 1968 e retornou em 1972 com a operação Linebaker. Logo foi iniciado uma revolução com novas armas desenvolvidas sendo usadas em combate.

A precisão a média altitude foi resolvida com as armas guiadas por TV e laser. Antes existia apenas dois métodos: muitas aeronaves com poucas bombas ou poucas aeronaves com muitas bombas para garantir a probabilidade de destruir o alvo. Era possível prever estatisticamente a probabilidade de destruir um alvo com a quantidade certa de bombas. Funcionava bem contra alvos fixos de área e era inútil contra navios.

Corsair Imagem do HUD de um A-7 fazendo mira na ponte de um LHD classe Tarawa. O A-7 foi a primeira aeronave que mostrou que uma aeronave inteligente poderia conseguir quase precisão com bombas burras.

Phantom
Imagem do HUD de um F-4D. No modo CCIP o computador atualiza o pipper continuamente mostrando onde a bomba vai cair. Erros comuns no bombardeio manual é perda da atenção devido a ação inimiga, focar no pipper e não voar a aeronave, demora na aquisiçao do alvo, erro no sistema de altitude e mascaramento do alvo pelo pipper.

CEP
Erro circular provável (sigla CEP em inglês) é o círculo onde caem metade das armas em uma série de lançamentos. O conceito de CEP é usado para comparar armas e para estatísticas de precisão. Nos dados acima 99 bombas Paveway 2 conseguiram um CEP de 1,2 metros contra um CEP de 100 metros para 99 bombas não guiadas. As bombas foram lançadas a 15 mil pés (cerca de 5 mil metros de altura).
 
Defesas dos Alvos

As operações de bombardeio aéreo sempre tiveram como objetivo a destruição de alvos específicos. Mas até alvos grandes como pontes e navios são apenas pequenos pixels na mira quando o ataque é feito a média altitude.

Para atacar alvos pequenos como bunkers a pontaria precisava de três fatores: sorte, estatística e coragem para enfrentar as defesas em terra. Alvos de grande valor são sempre bem defendidos e os bombardeiros sempre operam em ambiente hostil. Para diminuir as perdas ficavam no limite do alcance das defesas antiaéreas. Na Segunda Guerra Mundial as operações eram feitas a noite e a grande altitude para diminuir a ameaça.

Atacar a baixa altitude era mais preciso, mas queriam aumentar a distância para evitar as ameaças em terra. Os jatos no Vietnã passaram a atacar a baixa altitude para evitar os mísseis SAM. Se a defesa antiaérea conseguir manter as aeronaves de ataque e bombardeiro no canto do céu onde não conseguem atacar direito então cumpriram seu papel, mesmo sem derrubar nenhuma aeronaves.

Durante a Guerra do Golfo os aliados prepararam seus ataques para vôos a baixa altitude. Os equipamento, armas, treino e táticas eram apropriadas e os pilotos estavam confortáveis e seria efetivo por já treinarem para este cenário na Europa. Nos primeiros dias os B-52, F-111, EF-111, Tornados e algumas unidades da US Navy atacaram a baixa altitude. A intensidade da artilharia antiaérea era tão grande que forçou o vôo a média altitude. A deficiente no treino a médio altitude foi um problema nos primeiros dias, mas aprenderam rápido.

Os ataques a média altitude foram a maioria dos ataque no Golfo. Uma vantagem é que o piloto não tem que se preocupar com os fragmentos e estilhaços durante o impacto. Outra vantagem é pouca ameaça de mísseis portáteis e artilharia antiaérea. O ângulo de impacto sempre é alto ou cerca de 30-60 graus. O alcance das armas é maior, é mais fácil navegar e identificar os alvos e a munição penetrante se torna mais efetiva. Por outro lado a aeronave está sempre dentro do envelope de mísseis SAM de médio e longo alcance, interceptadores e artilharia antiaérea guiada por radar. Também é mais difícil conseguir surpresa. O disparo de bombas guiadas a laser cria o risco de ficar na área a média altitude que é compensada pela destruição rápida do alvo e não precisavam voltar novamente com novo risco.

As bombas burras mostraram ser inefetivas contra alvos de ponto se disparada a média altitude, precisa de tempo bom, e o HUD cobre alvos pequenos. Funciona bem com o apoio de radar contra alvos de área e para auxiliar o disparo de bombas guiada a laser.

A limitação visual de dia logo se tornou aparente no inicio do bombardeio aéreo. A mira Norden só funcionava de dia e não dava precisão. O vôo a baixa altitude era preciso, mas muito perigoso contra alvos bem defendido. Com os radares de acompanhamento do terreno foi possível voar baixo e a noite contra alvos mais bem defendidos. Esta tecnologia apareceu no meio da década de 60 com os A-6A Intruder entrando em combate em julho de 1965.

Já para com os bombardeiros as operações de saturação do tipo carpete de bombas era feito para saturar uma pequena área para garantir sucesso. O aparecimento das armas nucleares diminuiu o problema da precisão.

Os bombardeios de saturação do B-52 foram usados no Golfo em 1991 em locais onde o risco era baixo, e podia ser mais barato, efetivo e com dano psicológico ao inimigo. Por exemplo, o complexo de fabricação de armas de Taji era bem grande e foi atacado em massa. Foram 68 saídas de B-52 entre 10 e 27 janeiro e foi bem efetivo. Alvos em Bagdá que poderiam ser atacados por B-52 foram atacados pelos F-117 devido as grandes defesas na área.

Unidades de manobra também são um bom alvo para bombardeio em massa. Uma unidade terrestre só se pode ser considerada efetiva se puder atuar de forma coesa. Para quebrar a coesão será necessário muitos ataques de precisão contra alvos de grande valor como blindados e artilharia com muito custo e risco. As tropas podem se distanciar e se manter seguras. Já os bombardeiros de B-52 mostrou ter efeito psicológico mais efetivo. O bombardeio em massa na Segunda Guerra Mundial mostrou que poucas chances de destruir um blindado. Pode danificar com um acerto próximo, mas podia quebrar a coesão da unidade. Os B-52 também eram armas de terror no Vietnã.

A velocidade do jatos deixou a pontaria ainda mais difícil. Com o uso do radar e computadores melhorou a pontaria, mas estes meios também passaram a auxiliar as defesas antiaéreas. Logo as defesas aéreas se tornaram alvos importantes por serem efetivas e alvos de alto valor, com as aeronaves de ataque dividindo as tarefas entre os alvos e as defesas aéreas.

Assim foram iniciadas as táticas de pacotes de ataque composto de ataque, escoltas, supressão de defesas, guerra eletrônica, reabastecimento em vôo, reconhecimento e Comando e Controle. As aeronaves que atacam os alvos eram uma fração do pacote.

As bombas Paveway não eram de armas de longo alcance e um dos resultados foram os kits Paveway III e o míssil Maverick. A US Navy desenvolveu a Skipper.
 
Táticas


As táticas aéreas mudaram com o uso das bombas guiadas a laser no Vietnã. Alvos difíceis de atacar no Vietnã se tornaram alvos fáceis. Também permitiu que aeronaves grandes como o F-4 fossem substituídas por aeronaves menores como o F-16.

As bombas guiadas a laser podem ser usadas contra qualquer tipo de alvo, duro ou leve, fixo ou móvel em missões de interdição aérea, apoio aéreo aproximado, ataque a bases aéreas e anti-navio.

Uma bomba guiada a laser leva um minuto para cair até o alvo quando disparada de sete mil metros e o laser é ligado nos últimos 10 segundos. A iluminação contra alvo pequeno deve ser continuo. Os pilotos costumam lançar as bombas em um arco balístico ativando o laser para refinar a pontaria, mas com maior carga de trabalho como bomba convencional. O vôo a média altitude aumenta o tempo sobre o alvo o que é bom para armas guiadas a laser que não são boas a baixa altitude, mas aumenta o tempo exposto as defesas inimigas. Alvos lucrativos eram sempre bem protegidos enquanto os alvos reforçados precisam munição penetradora.

O disparo de bombas guiadas a laser contra o vento pode resultar em um acerto antes do alvo. O ideal é com vento na mesma direção do disparo.

Comparando com as bombas guiadas por TV/IR, o laser tem a desvantagem de não ser uma arma do tipo "dispare-e-esqueça". Precisam ser iluminadas continuamente por um casulo com um laser.

A capacidade da bomba também depende do casulo de designação de alvos. Na década de 70 e 80 costuma-se usar um designador separado na aeronave lançadora e outra para iluminar. Os sensores térmicos são usados contra alvos quentes ou para ataque noturno. As cameras de TV mostraram ser melhores para ataque diurno ou contra alvos frios. Técnicas modernas incluem o uso de designadores no solo plantados por forças especiais e ligados durante o disparo quando as tropas no solo já estão bem distantes.

As missões de apoio aéreo aproximado foram favorecidas, com o laser sendo um melhor meio de comunicação entre as tropas em terra com a aeronave. Os Laser Spot Tracker (LST) como o Pavey Penny do A-10 e A-7 também facilitam o trabalho mostrando a posição do alvo no HUD diretamente ao detectar os reflexos do laser em terra. Isto permite atacar alvos com bombas comuns, foguetes ou canhões, além das bombas guiadas a laser.Assim os alvos podiam ser destruídos já na primeira passada. Os laser portáteis mostram facilmente onde está o alvo e a aeronave pode fazer a pontaria para suas armas. A precisão e a comunicação sempre foram os problemas principais nestas missões.

ATLIS
Foto testes GBU-16 em F-16A com ATLIS II. A aeronave faz uma curva tática depois do disparo o que é uma vantagem para o modo de auto-designação.

Paveway
Perfis de disparo das bombas Paveway. O perfil de disparo tem considerações táticas como tipo de alvo, defesas e armas disponíveis. Os modos são o disparo nivelado, loft/toss e mergulho. O loft é sempre feito a baixa altitude. O modo glide bomb é feito em mergulho de 40 graus enquanto o dive bomb é feito em um mergulho de 60 graus.

As Paveway são baseadas nas bombas da série Mk 80 desenvolvidas pala US Navy na década de 50. O objetivo era diminuir o arrasto para poder ser usada por aeronaves supersônicas. As bombas foram criadas por Ed Heinemann, o mesmo que projetou o A-4 Skyhawk. As bombas "gordas" da Segunda Guerra Mundial não eram problemas para aeronaves lentas, mas criavam muito arrasto nos jatos. As bombas foram alongadas e o tamanho maior também aumentou o número de fragmentos. Foram armadas com o explosivo Tritonal 80/20, ou 80% TNT e 20% de inibidor a base de alumínio. A força explosiva diminuiu, mas ficou estável para ser armazenar com segurança em porta-aviões.

A TI iniciou o uso dos kits de guiamento laser na M-117 por ser da USAF e não teria que comprar bombas novas da US Navy. Com o Pentágono impondo que as Mk seria a bomba padrão das forças armadas americanas o problema foi logo resolvido. A USAF sempre preferiu usar a Mk82 e Mk84 enquanto a US Navy gosta das Mk83 como bomba padrão. A série Mk também formou a base para as minas marítimas da série Destructor.

O aumenta da potência das Mk aumenta com peso mais devido ao aumento dos explosivos. A Mk82 pesa 227kg sendo 89kg de Tritonal, a Mk83 pesa 454kg com 202kg de Tritonal e a Mk84 pesa 907kg com 428kg de Tritonal ou H-6. Apesar de pesar quatro vezes mais que uma Mk82, a Mk84 é cinco vezes mais potente. O raio letal da Mk82 (ou GBU-12 quando recebe kits Paveway) é de 425 metros e por isso é considerada melhor para apoio aéreo aproximado. Contra tropas a melhor arma é o efeito de sopro, barulho e choque com o efeito paralisante.

O padrão de fragmentação da Mk82 é de 900 metros, mas pode ser usada a 200 metros das tropas amigas se estiverem em perigo na chamada situação "danger close". O padrão de dispersão dos estilhaços da Mk84 é três vezes maior que a Mk82, mas 90% do efeito destrutivo de uma Mk84 fica confinado em um raio de 180 metros do ponto de detonação.

Para diminuir o dano colateral é possível lançar cerca de 10 bombas Mk82 no mesmo ponto de pontaria no lugar de duas Mk84. Contra alvos de área o risco de danos colaterais é bem menor podem ser atacados com bombas burras de grande potencia como as Mk82.

O custo de uma bomba da série Mk é tipo como um dólar por libra de peso. Uma Mk82 de baixo arrasto custa US$ 498 enquanto a versão de alto arrasto custa US$ 1.100. Já a Mk84 custa US$ 1.871 e US$ 2.874 respectivamente.

Em 1992, após a guerra do Golfo, o estoque de bombas Mk81, Mk82 e Mk84 da USAF era de 1.130 mil bombas e usaram 114 mil bombas durante o conflito que não foram repostas. Com o uso de kits de guiamento como as Paveway e JDAM o estoque está reduzindo significativamente e se tornando uma arma secundária.

Mk
Imagem interna de uma bomba Mk82.

Próxima Parte: Bombas Guiadas a Laser em Ação
 


Voltar ao Sistemas de Armas


2008 ©Sistemas de Armas
Site criado e mantido por Fábio Morais Castro


     Opinião

  Assine o Livro de Visitas
   Leia o Livro de Visitas

  FórumDê a sua opinião sobre os assuntos mostrados no Sistemas de Armas
  Assine a lista para receber informações sobre atualizações e participar das discussões enviando um email
  em branco para sistemasarmas-subscribe@yahoogrupos.com.br