Bombas Guiadas a Laser em Ação

Os EUA entraram na guerra do Vietnã usando as mesmas bombas aéreas da Segunda Guerra Mundial. A experiência com armas guiadas na Segunda Guerra Mundial e Guerra da Coréia não foi muito proveitosa. As bombas guiadas por rádio usadas na Coréia eram pouco confiáveis, difíceis de usar, difíceis de manter, mas mostraram que as armas guiadas eram uma realidade. O pensamento estratégico na década de 50 era para bombas gigantes para destruir cidades e não para atacar pontes. O resultado foi a paralisação do desenvolvimento de armas guiadas.

Durante o conflito do Vietnã os EUA só tinha duas armas guiadas em 1965. Uma era o míssil AGM-12 Bullpup que mostrou ser ruim para atacar pontes e não era tão efetiva como esperado. A outra era a bomba planadora Walleye que mostrou ser bem melhor.

Em 1967 foi iniciado a operação da Walleye pela US Navy com sensor de TV e CEP de 3-6 metros. O primeiro uso com sucesso foi contra o quartel de Sam Son atingido uma janela de um prédio. Tinha defeitos como necessidade de bom contraste visual do alvo, precisa de bom tempo, explosão de bombas anteriores atrapalhava e a ogiva pequena era ruim contra alvos duros como pontes. A USAF iniciou o uso da Walleye em agosto de 1967 com bons resultados contra alvos com bom contraste e bem defendidos. Os custos, restrições e o aparecimento das bombas guiadas a laser, mais simples e baratas, levou ao seu pouco uso no geral. Em 1972 a Walleye II entrou em serviço com ogiva maior e foi usada pela USAF também. O alcance maior de 9km permitia ser disparada fora do alcance das defesas antiaéreas do alvo se tornando a primeira arma guiada ar-superfície de longo alcance (stand-off) do arsenal americano.

As bombas guiadas a laser da série Paveway entraram em operação no Vietnã em 1968 como parte da avaliação operacional da nova arma. Em 1969, 61% das 1.601 bombas GBU-10 disparadas conseguiram um acerto direto no alvo sendo que 85% conseguiu um erro médio de 3 metros. Este erro era bem menor que o raio letal da bomba e os resultados foram impressionantes. A USAF passou a pensar na capacidade "uma-bomba-um-alvo", ou menos ataques para mais alvos e com menos dano colateral.

Em 1969 foram disparadas 1.612 bombas guiadas a laser com 923 (57%) de acertos e 1.114 alvos destruídos sem nenhuma aeronave perdida. O corte em estradas passou a ser um alvo primário da USAF para parar o fluxo de suprimentos na trilha Ho Chi Mim. Entre outubro de 1968 a agosto de 1969 foram realizados 993 cortes de estrada, mas eram facilmente reparadas. Canhões da artilharia antiaérea eram a próxima prioridade na lista de alvos com 390 destruídos.

Em 1971 a USAF reconheceu o valor das bombas guiadas a laser e autorizou a produção de 920 kits por mês sendo 480 GBU-10, 400 GBU-12 e 40 GBU-11. Em 1971 a USAF usava os Kits em bombas de 227kg, 454kg, 900kg e 1.360kg. A bomba menor se tornou o padrão, não devido ao custo (era pouco mais barata), mas para ser levada em maiores quantidades e a precisão permitia levar menores cargas para ser mais efetiva. A maioria das missões era de interdição na Trilha Ho Chi Min que não exigia armas potentes. As GBU-12 de 230kg eram preferidas para atacar veículos enquanto a GBU-10 de 900kg era preferida para atacar pontes e alvos duros. A USAF também gostava de usar para atacar posições de artilharia antiaérea.

A partir de março de 1968 os EUA atacaram alvos apenas no Laos, Camboja e Vietnã do Sul até 1972. Em 1972, nas Operações Linebaker, as bombas guiadas a laser mostraram ser efetiva em áreas civis com poucos danos colaterais. Era uma arma importante por colocar menos aeronaves em risco e destruir o alvo na primeira missão. A efetividade das defesas antiaéreas locais tornava esta rapidez critica.

Com a invasão do Vietnã do Sul as bombas guiadas a laser foram usadas para atacar blindados mostrando ser também efetivas nesta missão. Os F-4D consistiam em 10,4% do esforço anti-carro mas foram responsáveis por 22% dos kill e com 65% de acerto.  

Entre os dias primeiro de fevereiro de 1972 a 28 de fevereiro de 1973 foram disparadas 10.651 bombas guiadas a laser sendo 90% do modelo GBU-10. Um total de 5.107, ou cerca de 50% das bombas guiadas a laser, conseguiu acerto direto e 15,2% não guiaram.

Foi estimado que 48% das Paveway lançadas entre fevereiro de 1972 a fevereiro de 1973 ao redor e Hanói e Haifong atingiram os alvos com CEP de 7 metros. Já os F-105 conseguiam um CEP de 150 metros e apenas 5,5% das bombas conseguiam acerto direto durante a operação Rolling Thunder. O resultado foi permitir atacar alvos bem defendidos e objetivos de ponto. Cinco pontes foram destruídas em um dia na operação Linebaker I com 24 bombas guiadas a laser sendo que seriam necessários 2.400 bombas burras para realizar a mesma tarefa. As bombas guiadas a laser podiam atacar qualquer alvo que pudesse ser iluminado e destruído na primeira passada.

Um estudo da época comparando as LGB com o sistema de bombardeiro com o LORAN, radar e visual, deu zero pontos de efetividade relativa para o LORAN, um para bombardeiro radar, oito para pontaria visual e 124 para as LGB. Ou seja, a LGB é 16 vezes mais efetiva que o bombardeio de mergulho e 124 mais vezes que usando o radar. Outro estudo mostrou que as Paveway I eram 200 vezes mais efetivas que as bombas convencionais contra alvos duros de ponto e 20-40 vezes contra alvos moles e de área.

No Vietnã foram usadas 1.001 bombas Paveway I até 1968 mais 27.507 kits entre 1970 a 1973 somando um total de 28.508 Paveway I destruindo cerca de 18 mil alvos. Foram tres vezes mais armas que as 9.342 disparadas nos 43 dias da Guerra do Golfo em 1991 sem considerar as 1.200 disparadas pelo Reino Unido, França e Arábia Saudita (total mais de 11 mil).

As armas de precisão corresponderam a menos de 1% do total de armas lançadas no Vietnã. As bombas guiadas a laser corresponderam a cerca de 94% das armas guiadas ar-superfície enquanto as Walleye foram 4% e as HOBOS 2%. Já as bombas burras corresponderam a 3.376.000 unidades fora as lançadas pelos B-52.

As Paveway eram mais fáceis de usar que as bombas guiadas por TV e mísseis da época. A USAF gostou por ser precisa e mais barata. Enquanto uma GBU-8 custava US$ 17 mil uma Paveway custava cerca de US$ 4 mil. No fim do conflito no Vietnã com a produção aumentado o preço caiu para US$ 2 mil. Era uma arma cara para a época, mas os pilotos gostavam do beneficio.

Os designadores usados no Vietnã pela USAF eram o AN/AVQ-9 Pave Light de pontaria manual e o AN/AVQ-10 Pave Knife com sensor de TV estabilizado que permitia auto-designação e manobras evasivas durante a iluminação. Outros designadores usados no Vietnã foram o AN/AVQ-14 Pave Arrow levados pelos O-2A do esquadrão 23 TASS (Tactical Air Support Squadron) de controle aéreo avançado e pelos C-123. Também foi planejado se uso nos F-100 de controle aéreo avançado. O Pave Arrow se uniu ao programa AN/AVQ-12 Pave Spot com periscópio estabilizado com visão noturna usado nos O-2A. Dezoito aeronaves OV-10 de controle aéreo avançado foram modificadas com o sistema AN/AVQ-13 Pave Nail com torreta estabilizada e designador laser. Era usado em conjunto com o Pave Spot e Pave Phantom. O sistema Pave Spectre do AC-130 era outro sistema que permitia a designação de alvos a noite. Os TA-4 da US Navy também operavam com designadores manuais durante as operações de controle aéreo avançado.

No verão de 1973 os F-4D estavam equipados com casulo Pave Spike com TV e sistema de acompanhamento automático, computador de disparo de armas e sistema de fácil controle. Era instalado no cabide do Sparrow liberando os cabides nas asas.

Requerimentos para destruir pontes e vias férreas já existiam nas guerras anteriores, mas o Vietnã trouxe novos requerimentos e demandou novas soluções. O fluxo de suprimentos para sul ocorria principalmente a noite para evitar poder aéreo americano de dia. Os designadores noturnos nos AC-130, OV-10 e O-2 facilitaram a missão durante a noite.

Como as bombas guiadas a laser precisavam ser disparadas a média altitude, a USAF logo percebeu que as tarefas a média altitude precisavam de superioridade aérea e supressão de defesas. Quando voltaram ao Vietnã em 1972 os pacotes tinham grandes forças de proteção como CAP e supressão de defesas, além de bombardeiros de chaff e interferidores eletrônicos.

Nas áreas de grande ameaça as bombas guiadas a laser eram disparadas em formação de quatro aeronaves todas ao mesmo tempo. As aeronaves aproveitavam a proteção dos casulos de guerra eletrônica para proteção mutua.

A US Navy iniciou o uso das Paveway em 1971 com buddy laser pelos F-4 da USAF. A US Navy demorou a usar as Paveway em larga escala, lançando apenas algumas centenas no conflito. Um dos motivos é que se a saída for cancelada após a aeronave ter sido lançada a bomba tem que ser alijada sobre a água por motivos de segurança antes de pousar no porta-aviões. Como eram relativamente caras os kits foram considerados indesejáveis. A US Navy só aproveitou a vantagem da LGB com a Paveway II.

As táticas de designação tipo "buddy" foram usadas desde o inicio no Vietnã. A outra tática é a "auto-desingação" com a aeronave designando para si mesma. No Vietnã um F-4D recebia um designador laser no lado esquerdo da cabina traseira. O designador fica apontado para o alvo enquanto a aeronave voa uma curva a esquerda. As aeronaves com as bombas guiadas a laser passam por cima indo direto para o alvo. As bombas são disparadas em mergulho como bombas comuns. A tática é usada até hoje com uma aeronave usando casulos com designadores iluminando alvos para outra aeronave. Geralmente a aeronave iluminadora faz papel de controlador aéreo avançado aerotransportado. A tática não é boa contra alvos bem defendidos, mas onde as ameaças permitem é possível atacar muitos alvos com uma única aeronave designadora.

As táticas de designação "buddy" tem três opções. A "restricted axis" usa um designador laser acima do alvo em cenários de pouca ameaça e guia os ataques. No "flexible axis" a aeronave designadora fica a distância segura e as bombas são lançadas a 30 graus e ainda dentro da "cesta" que aponta em direção para o alvo. Esta tática é ideal para alvo com ameaça suspeita. A terceira é a "rejoin manual" ou "backup" com a aeronave de ataque voa na ala da aeronave designadora que comanda o momento do disparo como se fosse um disparo no modo "self designation". Esta tática é usada quando a aeronave com bombas guiadas a laser não sabe computar hora do disparo. Uma característica em comum nestas técnicas é que é necessário muito treino e coordenação para seu emprego.

Buddy
Descrição das táticas de buddy laser. O designador pode ser manual ou instalado em veículos ou aeronaves. A versatilidade é obvia. O alvo pode ser designado do ar, pela aeronave atacante, ou controlador em terra em terra ou ar. O alvo é encontrado e atacado já na primeira passada.

Cesta
Descrição de um ataque de um F-111F contra um alvo fixo. A cesta de iluminação é bem visível na imagem.

Paveway I
Uma GBU-12 da série Paveway I nas asas de um B-57G Camberra da USAF durante o conflito do Vietnã. A USAF modificou 16 bombardeiros B-57B Cambera em 1969 para o padrão B-57G com um sistema autônomo e qualquer tempo para interdição noturna contra alvos na trilha Ho Chi Mim. Antes os B-57B realizavam a missão da mesma forma que os B-26 na Coréia. O programa se chamava Tropic Moon III com o Tropic Moon II consistindo em casulos com sensores LLLTV na asa de três B-57B que operaram entre dezembro de 1967 a junho de 1968. A aeronave recebeu novos sensores com radar, sensores IR e LLLTV no nariz. O sistema mostra dados de pontaria e alinhamento com o alvo e o piloto consente com o disparo. Os canhões foram retirados. Os ataque eram feitos entre 5 a 7 mil pés com o disparava de uma a quatro GBU-12. O piloto tinha que desacelerar e fazer um mergulho leve para manter a linha de visada dos sensores e do laser. O sistema mostrou ser efetivo com 80% da bombas caindo a até 5 metros do ponto de pontaria. Entre 21 de novembro e 29 de dezembro de 1970, os B-57G realizaram 59 disparos a 40 mil pés, destruindo 35 caminhões. O sistema custo US$ 49 milhões sendo considerado caro além de dificil de manter. Os AC-130 mostraram ser mais barato para atacar o trafego de caminhões na trilha.

Os alvos mais famosos das Paveway foram as pontes de Thanh Hoa e Paul Doumer atacados em 1972 com parte da operação Linebaker I. Logo no Inicio da operação Rolling Thunder a ponte de Thanh Hóa logo foi vista como um alvo importante para os dois lados. Os vietnamitas deslocaram cinco regimentos de defesa aérea para o local.

No dia 27 de abril, 12 Phantoms da 8 Ala de Caças (8th TFW) atacaram a ponte com oito Paveway apoiados por um designador além de três bombas planadoras Walleye. As Walleye atingiram o alvo primeiro atacando na ortogonal enquanto as Paveway atacavam o alvo no eixo longitudinal. No dia 13 de maio foi realizado um novo ataque para acabar com os restos que ficaram de pé. Foram lançados 14 Phantoms com Paveway contra o pilar central. O ataque final foi no dia 6 de outubro com caças A-4 Skyhawk disparando seis Paveway de 900kg. Depois o alvo foi considerado totalmente destruído e retirado da lista de alvos.

No total foram voadas 873 saídas com 11 aeronaves perdidas para tentar derrubar a ponte. Era um alvo impopular entre pilotos e virou símbolo da resistência vietnamita. Entre as aeronaves usadas estavam os C-130 Hercules. Em maio de 1966 a USAF lançou a operação Carolina Moon. O objetivo era usar uma grande mina magnética lançada de um C-130 que flutuaria rio abaixo até atingir a ponte. A primeira missão pois em 30 de maio com cinco minas lançadas. Um prisioneiro cita que quatro explodiram sem causar grande danos. No segundo ataque o C-130 foi derrubado. Com a divisão do Vietnã do Norte em "Route Package" a ponte passou a ser um alvo da US Navy.

As pontes no Vietnã do norte foram foco dos ataques das bombas guiadas a laser. Entre 6 de abril a fim de junho de 1972 foram 106 pontes atacadas. O conceito operacional e doutrina de emprego das Paveway não mostraram ser diferente das bombas Razon e Tarzon guiadas por radio usadas contra pontes na Coréia.

Outro alvo importante foi o gerador do reservatório de Lang Chi atacado em 10 de junho de 1972 com os Phantoms lançando 10 bombas GBU-10 sem danificar o reservatório ou causaria muitas baixas civis. A represa nunca tinha sido atacada antes devido ao risco de matar civis com o vazamento de água se a represa fosse atingida.

Com a invasão do Vietnã do Sul as Paveway permitiu que as aeronaves táticas atacassem blindados e peças artilharia 130 mm, duas novas armas do Vietnã do Norte. As Paveway mostraram ser bombas para atacar blindados sendo responsável por 10% do esforço anti-carro mas com 22% dos alvos destruídos. As Paveway também atacaram pontes para parar o avanço dos blindados.  

Hanoi
Imagem de uma estação de força em Hanói após um ataque com as Paveway. O alvo estava dentro da cidade e não foram notados danos colaterais.

Danos Colaterais
Imagens do ataque de um B-52 contra um alvo em Hanói e que errou o alvo. O bombardeiro destruiu vários quarteirões com muitas baixas civis. 

Thanh Hoa
Imagens de um ataque contra a ponte de Thanh Hoa com aeronaves convencionais. As crateras ao redor do alvo e as bombas caindo ao redor do alvo são facilmente visíveis.

Thanh Hoa
Imagem do ataque a ponte de Thanh Hoa com bombas guiadas a laser em 27 de abril de 1972. A foto mostra as bombas caindo de modo concentrado em um lado da ponte.
 
Década de 80

O primeiro comprador da Paveway foi o Reino Unido que usou em pequena escala no conflito das Malvinas pelos Harrier GR3 da RAF. O primeiro disparo foi em 10 de junho 1982. O disparo não teve sucesso devido ao mau uso do designador contra uma fortificação argentina. No dia 12 e 13 foram atingidos postos de comando no monte Tumbledown e no dia 14 uma bateria de 105mm em Moody Brook. No dia 14 os Harrier também atacariam um Posto de Comando em Sapper Hill com a Paveway, mas o ataque foi cancelado com o aparecimento de uma bandeira branca devido ao cessar fogo.

Os britânicos também tentaram instalar a Paveway na aeronave de patrulha marítima Nimrod, mas não coube no compartimento interno de cargas por alguns centímetros. Os britânicos queriam uma arma anti-navio pois os torpedos Mk46 e Stingray eram fracos ou inadequados para atacar navios e submarinos na superfície. Tiveram que se contentar com as bombas burras de 454kg e prepararam a instalação do míssil Martel guiado por TV e o AS12 guiado por fio. Depois instalaram o míssil Harpoon
após o fim das hostilidades com dois mísseis sendo levados internamente.

A próxima oportunidade do uso das Paveway foi nos ataques contra a Líbia em 1986. Os F-111F da USAF armados com a GBU-10C/B atacaram alvos em Trípoli. O tipo de alvo e as regras de engajamento resultou em mau desempenho e foi bem menos efetiva que o esperado para mostrar a importância das bombas guiadas a laser. O Pave Tack foi uma inovação na época permitindo o ataque a baixa altitude e a noite dentro da cidade. As Paveway III estavam disponíveis, mas os pilotos não estavam bem treinados no seu emprego.

Em 1988 a US Navy usou uma Skipper II no Golfo Pérsico durante um engajamento onde participouno afundamento de uma fragata iraniana.

Sahang Fragata Iraniana Sahang após ser atacada por aeronaves e navios da US Navy, incluindo bombas Skipper guiadas a laser.

Guerra do Golfo – 1991

Durante a Guerra do Golfo em 1991 as bombas guiadas a laser foram vistas como uma arma revolucionaria mostrando que um grande resultado podia ser atingido focando a destruição. Durante o conflito no Vietnã a história era bem diferente com o conhecimento do uso das Paveway restrito a discussões entre os intrutores da Fighter Weapons School.

Durante o conflito no Vietnã as Paveway foram visto apenas como um avanço tático. O bom resultado na Linebaker II foi obscurecido pelos eventos políticos sendo ainda considerada um item de laboratório e não uma arma já estabelecida. O resultado contra alvos de ponto era bem claro, mas não foram percebidas como sinal de uma grande mudança na guerra aérea. Estudos da época não previam que teriam uma grande papel em guerras futuras como a Guerra do Golfo em 1991 e que redefiniriam o significado do princípio de "massa" ou concentração de força.

Um dos motivos para esta percepção foram as limitações das armas da época. As Paveway tinham que ser disparadas e cair em um pequeno cone sobre o ponto de pontaria que o seeker podia ver o que restringia as táticas de disparo. A aeronave que designava usava o olho para pontaria o que limitava ao uso diurno e com boa visibilidade. Depois da guerra do Vietnã o foco era o cenário na Europa e o mau tempo e teto baixo constante na região criariam muitas limitações para as Paveway operarem.

Os Kits foram melhorados com a série Paveway II aumentando a cesta de tiro para disparo. A Paveway III aumentou esta cesta varias vezes e o piloto automático permitia voar a bomba até a cesta. Outra melhoria foram os novos designadores como o Pave Tack que podia ser usado a noite pelo F-111F.

O fim da Guerra Fria levou a diminuição das forças de caças dos países Europeus em até 40%. Com o uso de munição guiada a força restante ficou até mais eficaz. As bombas guiadas a laser criaram economia em escala com menos armas, menos ataques, menos combustível, menos bases e tornou possível acabar com uma guerra rapidamente. Mas por questão de recursos os países Europeus tiveram participação inexpressiva nos conflitos subseqüentes.

A Guerra do Golfo foi a primeira campanha onde as munições guiadas de precisão, principalmente as bombas guiadas a laser, influenciaram a efetividade dos níveis estratégicos e operacionais de um conflito. Um exemplo foi a destruição dos abrigos reforçados de aeronaves (HAS), resultando em levar o Iraque a mover suas aeronaves para santuários no Irã. Outro exemplo foi a operação de "tank plinking" enfraquecendo as Divisões iraquianas antes da campanha terrestre. Outra capacidade foi atacar sistemas de alvos em paralelo. Foram as armas de precisão, principalmente as Paveway, que permitiu atacar alvos múltiplos ao invés de um alvo de cada vez como feito na Segunda Guerra Mundial, Coréia e Vietnã. No Vietnã as Paveway era uma arma tática, destruía uma ponte, mas não causava grande impacto no resultado final do conflito. No Golfo as Paveway foram usadas como arma padrão e não como arma de propósitos especais mostrando a robustez e efetividade do método de guiamento a laser.

Foi a mudança na doutrina que mostrou a nova capacidade. Foram as doutrinas de mobilidade, guerra de armas combinadas e treinamento que permitiu aos alemães invadirem a França com sucesso tendo a mesma quantidade em tropas e com armas inferiores. A harmonia entre a doutrina e armas permitiu multiplicar o sucesso.

A expectativa de baixas nas operações aéreas era previsto em até 30% das aeronaves derrubadas baseado em dados de conflitos passados. As perdas terrestres previstas também seriam altas podendo chegar a 30 mil tropas. O resultado final foi bem menor pois neste conflito os Comandantes priorizaram as táticas de vôo a média e alta altitude, maximizando a capacidade de sobrevivência das aeronaves ao invés da precisão das armas. Por outro lado, os sensores das aeronaves eram usados em distâncias onde não tinham desempenho, precisão e capacidade de identificação adequados para atacar com bombas burras. Já as bombas guiadas a laser foram disparadas no seu envelope ideal.

Nenhum F-16 disparou bombas guiadas a laser durante o conflito apesar de ter sido sugerido o uso do F-111F com o Pave Tack para designar alvos para os F-16. Nas suas missões os F-16 disparavam cerca de seis bombas Mk-82 contra cada alvo (six bomb, one kill). A dispersão das bombas compensava a menor precisão e garantia que não precisariam voltar para atacar um alvo não atingido. Mesmo assim os F-16 tiveram pouco sucesso com bombas burras. Atacando a mais de 10 mil pés de altura o CEP era muito grande e mesmo assim se achasse algum alvo. Com o radar os F-16 podiam encontrar alvos móveis com modos GMTI. Não atacavam depois das 16 horas para deixar a poeira dos seus ataques baixar para os caças noturnos equipados com designadores a laser e bombas guiadas a laser atacarem sem interferencia. As aeronaves mais caras fizeram a maior parte do serviço como o F-111F e F-117.

Durante um ataque diurno com o F-16 com bombas burras contra reatores nucleares em Bagdá, 32 caças F-16 foram apoiados por 16 caças F-15, quatro EF-111 e oito F-4G com pouco sucesso. Oito F-117 armados com bombas guiadas a laser e sem escolta atacaram e destruíram três dos quatro reatores no primeiro dia e usando 1/6 do apoio de reabastecimento aéreo do ataque anterior feito pelos F-16. Bagdá era protegida por 60 baterias de mísseis SAM e mais de três mil canhões antiaéreos. A frota de F-16 no Golfo voou 8.258 missões. Dois esquadrões voavam a noite com casulos LANTIRN de navegação.

Para interditar o Teatro de Operações do Kuwait (KTO) em 1991, foi estimado que os iraquianos precisavam de 50 mil toneladas por dia de suprimentos para apoiar uma ofensiva e 10-20 mil toneladas para atuarem na defensiva. O Iraque tinha 50 mil caminhões militares apoiados por mais 200 mil veículos civis. Os Aliados não tinham estoques de munições guiadas suficientes para destruir todos estes veículos e por isto as pontes foram consideradas vitais para atrapalhar sua circulação. Foi estimado que seriam necessários 1.000 bombas em 200-300 missões. Como o Iraque reagiu com o uso de pontões montados nos rios foram gastos cerca de cinco mil armas guiadas em cerca de 1.000 saídas para realizar a interdição. Os F-111F realizavam as missões a noite enquanto os F-16 atacavam de dia.

Logo nos primeiros ataques foi observado que as espoletas programadas com atraso das bombas penetradora não davam resultado e só faziam um buraco nas pontes. Com a espoleta programada para impacto e com bombas Mk84 conseguiram realmente destruir as pontes.

Os F-111F do 48a Ala de Caças Táticos (TFW) eram os burros de carga da campanha de interdição profunda, realizando ataque as bases aéreas, pontes, alvos estratégicos, bunkers e blindados. Todos estavam equipados com o designador AVQ-26 Pave Tack e armados com armas guiadas em grande quantidade. Os F-111F voavam em grupos de 4 a 6 aeronaves na primeira noite com as aeronaves espaçadas 60-90 segundos e armadas com bombas guiadas a laser, GBU-15 ou CBU-89.

Nos três primeiros dias realizavam as missões voando bem baixo, mas com a intensidade da artilharia antiaérea passaram para vôos a média altitude em ataques vindo de várias direções ficando no máximo 15 minutos no alvo. Com os F-15C conseguindo a superioridade aérea, os F-111F passaram a levar bombas no cabide interno ao invés de mísseis AIM-9M. A fabrica de munição Latifiyah foi atacada por 20-24 F111 voando em órbitas chamadas de "Wagon Whell", com um par realizando órbitas a 12-20 mil pés centrado no alvo. Faziam passadas repetidas com pontos de pontaria escolhidos até destruir tudo. Este mesmo alvo foi atacada quatro vezes.

No fim de janeiro os F-111F passaram a interditar estradas e pontes, atacando 52 pontes e destruindo 12. Os F-111F usavam o padrão de órbitas "Wagon Whell" e atacavam os suportes das pontes com bombas GBU-24 guiadas a laser e GBU-15 guiada por TV. Os pontões eram alvos fáceis com as GBU-10. Em vôos com mau tempo levavam duas bombas burras Mk84 e duas GBU-10. Se o tempo continuasse ruim disparavam as Mk84 contra alvos de área. Se o tempo ficasse bom usavam as GBU-10 contra alvos de ponto em ataques de precisão. Também fizeram reconhecimento armado nos rios a procura de alvos de oportunidade como pontões. Se não encontrassem alvos atacavam alvos secundários. Nos ataques aos abrigos reforçados HAS os F-111F destruíram 245 dos 375 HAS destruídos na campanha, ou 40% do total de HAS iraquianos. Os F-111F também destruíram 113 bunkers e 160 pontes ou 50% do total.

"Tank Plinking" era o termo dado aos pilotos para pratica de usar munição guiada para destruir artilharia, blindados, carros combate e outros alvos no campo de batalha. Foi o General Norman Schwarzkopf que idealizou o plano para incapacitar 50% do Exército Iraquiano antes da invasão do Iraque por terra em 1991. O plano usaria ataques com os F-111F, A-6E, F-15E, F/A-18, AV-8B, A-10 e F-16 contra as posições iraquianos no Kuwait e sul do Iraque. Durante a preparação da ação, na operação Night Camel em dezembro de 1990, para testar o plano, os pilotos de F-111F perceberam que podiam detectar facilmente os carros de combate no deserto a partir de média altitude com o casulo Pave Tack mesmo se estivessem enterrados. O Pave Tack mostrou ser sensível para detectar a diferente de temperatura entre o solo e os blindados enterrados. O solo tinha razão de resfriamento diferente entre a parte removida e a não removida em terno dos blindados. Os blindados eram detectados a 5-8 km e depois vistos com detalhes com o zoom.

No inicio de fevereiro os F-111F iniciaram as operações de "tank plinking" com a GBU-12 com as táticas de órbitas "Wagon Whell" contra blindados enterrados na areia do deserto. A tática era usar um ou dois pares de F-111F com quatro GBU-12 cada. Na primeira missão real de teste foram duas aeronaves destruindo sete blindados com oito GBU-12. Nas missões subseqüentes foram 90% de acerto com um total de 920 blindados confirmados. Os alvos eram atingidos verticalmente pelas GBU-12 com explosão secundária sempre observadas e gravadas pelo Pave Tack. A GBU-12 era a arma preferida para "tank plinking". A GBU-12 mostrou ser suficiente até se errar o alvo e inutilizando o blindado com um acerto próximo. Cada F-111F levava até oito GBU-12 nas missões. Em uma ocasião 12 aeronaves F-111F destruíram 77 blindados. Foi até estudado instalar as GBU-12 e GBU-10 nos B-52G com os F-111F designando os alvos, mas a guerra acabou antes e também os alvos. O FLIR mostrou ser capaz de distinguir até os alvos atacados dos ainda não atacados.

O 48 TFW voaram 665 missões com 1.804 saídas em 23 dias nestas missões destruiu 920 veículos blindados iraquianos de um total de 6.100 destruídos durante a guerra.  Depois incluíram outras aeronaves e armas na missão como o A-10 com o canhão GBU-8 Avenger e mísseis Maverick. Os A-6E e F-15E também fizeram "tank plinking" no fim do conflito atacando mais a oeste. O F-15E levava até oito bombas GBU-12D. Os F-15E destruíram ou danificaram cerca de mil blindados com as GBU-12 em 949 saídas ou o mesmo número do A-10 equipados com o Maverick bem mais caro e menos potente. Foram destruídos cerca de 150 blindados por noite com as GBU-12.

O resultado dos ataques dos F-111F também puderam ser visto pelas tropas em terra. Na fase terrestre do conflito os tripulantes de blindados iraquianos ficavam escondidos em trincheiras. Quanto atingidos pelos tanques amigos pensaram ser ataque aéreo e continuavam escondidos. Quando percebiam o engano já era tarde.

Tank Plinking
Um blindado M-47 após ser atingido por uma GBU-12 que quase conseguiu um acerto direto. O alvo estava em um estande de tiro no Canadá. Mesmo errando ao alvo foi seriamente danificado.

O F-111F tinha o triplo do custo operacional do F-16. Eram menos de 7% do poder aéreo local (66 aeronaves) e confirmaram mais da metade dos alvos destruídos (60% ou 2.203 alvos) em 2.830 saídas lançando 60% da munição guiada da USAF em peso (ou 4.600 bombas guiadas). Só ele e o F-117 tiveram sucesso contra alvos bem defendidos em Bagdá. Apenas o F-111F podia lançar a bomba perfurante GBU-28 Deep Throat de 4.700lb. O F-111F sofreu nove perdas em 4.060 missões no Vietnã, um na Líbia (tática errada) e nenhum no Golfo apesar de dois sofrerem pequenos danos (um provável por Mig-29). Os F-111F foram responsáveis pelo disparo de 46% das bombas guiadas a laser disparadas no conflito. O grande alcance dava flexibilidade. Nem precisavam de reabastecimento em vôo para ir ao sul da Arábia Saudita e até o Kuwait.

Além da furtividade, os F-117 também tinham a capacidade de lançar bombas guiadas a laser e eram sua arma principal. A frota de 42 caças deslocados para a região correspondia a apenas 6% da frota de caças americanos. Os F-117 realizaram 1.271 saídas, ou 2% das saídas de ataque, atacaram 1.664 alvos e dispararam duas mil toneladas de bombas com 95% de acerto sendo responsáveis por 43% dos alvos estratégicos na região. A grande maioria dos alvos eram de alto valor e muito bem defendidos. Os alvos estratégicos no Iraque eram a liderança, centros de Comando & Controle, instalações de armas QBR, pontes, sistema de defesa aéreo integrado (o KARI). O ataque o KARI incluía ataque aos radares, vigilância eletrônica, operações despistamento, ataque a centros de comando, supressão de defesas, ataques a bases de mísseis SAM e bases aéreas e varredura de caças. Entre as missões foram 219 ataques contra abrigos HAS e 120 contra pontes, 300 saídas apoiando tropas antes da invasão terrestre e fizeram supressão de defesas atacando bases de mísseis SAM para outras aeronaves passaram.

A tática típica dos F-117 era ingresso a 7 mil metros, aquisição e acompanhamento do alvo com o FLIR, disparo nivelado de uma ou duas GBU-27 seguida da designação na fase final e egresso. Uma das primeiras missões dos F-117 era destruir as baterias de mísseis SA-2 e SA-3 para criar corredores para os ataques de outras aeronaves e dos B-52. Uma missão foi destruir um esquadrão de Tu-16 Badgers prontos para realizar um ataque com armas químicas. Outras seis aeronaves destruíram 12 estações de bombeamento que alimentavam os fogos de trincheira no leste do Kuwait. Em outra ocasião os F-117 destruíram um abrigo de munição disparando quatro bomba consecutivas no mesmo ponto de impacto até atravessar a blindagem de concreto. Em um ataque contra um abrigo reforçado HAS, a bomba não penetrou o concreto. A mesma aeronave voltou na noite seguinte com uma bomba que penetrou. Neste intervalo os iraquianos achavam que a falha deixava o local seguro e encheram o abrigo de aeronaves.

SA-2
Os F-117 usaram suas Paveway para atacar bases de mísseis SAM.

A frota de A-6E Intruder com a torreta TRAM era de 117 aeronaves ou 51% do total de aeronaves capazes de disparar bombas guiadas a laser (229), mas a US Navy tinha poucas bombas em estoque e com pilotos pouco treinados. A US Navy disparou 202 bombas GBU-10S, 216 bombas GBU-12 e 205 bombas GBU-16.

A maioria das grandes bombas guiadas a laser usada no Golfo eram do modelo GBU-10, mas os alvos reforçados eram atacados pelas GBU-24 com ogiva BLU-109/B e a GBU-27 (apenas os F-117). Foram disparadas 2.637 bombas GBU-10 (mais de 1/3 pelos F-111F), 4.493 bombas GBU-12 (mais da metade pelos F-111F) e 200 GBU-16 pela US Navy. Um total de 1.181 bombas GBU-24 foram disparadas pelos F-111F e 739 bombas GBU-27 pelos F-117 sendo que 1.600 eram penetradores.

A RAF disparou 1.126 bombas guiadas com kits CPU-123B ou quase o dobro da US Navy. A França disparou dois mísseis AS.30L e 268 bombas guiadas a laser (BGL) apontadas pelo casulo ATLIS II com sucesso de 95%. A Arábia Saudita também usou bombas Paveway em pequena quantidade com os F-5E lançando as bombas com outras aeronaves fazendo a iluminação do alvo.

Na época um kit Paveway II custava entre US$ 9 a 22 mil enquanto uma bomba guiada por TV custava entre US$ 64 a 110 mil. Já as bombas convencionais custavam um dólar por libra de peso. Assim uma Mk82 custava US$ 500 e uma Mk84 custava US$ 2.000.

A reação do Iraque as armas guiadas foi usar muita fumaça e geradores de fumaça para esconder os alvos. Era parte do plano de despistamento. Nas pontes podiam atrapalhar o ataque e a avaliação de danos de batalha depois do ataque. Alguns alvos tinham 10 gerados de fumaça. A fumaça preta em um alvo deu a sensação que o alvo estava danifico e não estava.

Depois da Guerra do Golfo a fama de "uma bomba, um alvo" foi uma simplificação exagerada. Vídeos da Guerra do Golfo mostraram as Paveway entrando por janela e assumido que destruiu o alvo evitando um segundo ataque. Na verdade foram lançadas pelo menos duas bombas guiadas a laser em cada alvo para prevenir possíveis falhas e não ter que voltar para atacar novamente. Seis ou mais bombas foram lançada em 20% dos alvos; oito ou mais em 15% dos alvos e a média foi de quatro bombas guiadas a laser por alvo. Foram gastos cerca de 11 toneladas de munição guiadas e cerca de 44 toneladas de bombas burras por alvo destruído com sucesso (alvo fixo). As falhas na avaliação de danos de batalha (BDA) foi um motivo para repetir os ataques.

Antes do conflito foram deslocados 7.400 toneladas de armas guiadas para o Golfo ou um total de 15.500 armas contra 88.500 toneladas de armas não guiadas ou 210.880 peças, sem incluir 77.299 bombas burras lançadas pelos B-52 (30% do total de armas com 3% das aeronaves da região). As munições guiadas foram 8% do total de armas ar-superficie lançadas em toneladas, ou 10% em quantidade, mas 84% em custos do total. As bombas guiadas a laser foram 6,7% do total com 88% de acerto. Só em bombas guiadas a laser os EUA disparou 9.342 de um total de cerca de 11 mil armas guiadas. Os vídeos dos ataques gravados mostrando alvos sendo atacados foi uma grande propaganda para as forças americanas. As explosões mostrando efeito em corpos não foram mostradas. Uma Paveway foi usada para atingir um helicóptero em vôo.

Os caças F-117, F-111F e F-15E ficaram famosos por gravarem seus ataques para serem mostrados na CNN. Já os F-16 não tinham e ficaram de fora do show. Depois do conflito a US Navy logo passou a investir pesado nas Paveway.

O custo total das bombas 209.940 bombas convencionais disparadas no Golfo foi de US$ 431,9 milhões (bombas MK-82/83/84, M-117, UK-1000, CBU-52/72/78/87/89 e MK-20). Já o custo das 9.473 bombas guiadas foi de US$ 307,6 milhões (GBU-10/12/15/16/24/27/28 e AGM-62B). O custo dos 5.647 mísseis disparados foi de US$ 505,8 milhões (AGM-123A, AGM-109, AGM-65,  AGM-114 e BGM-71).

Em 1992 havia ainda 27 mil kits Paveway na USAF após usar 8.400 no Golfo. A limitação era o número de aeronaves capazes lançar e os designadores disponíveis. Em 1991 os EUA tinha 229 aeronaves capazes de lançar e designar as Paveway sendo que a US Navy tinha pouca capacidade de usar na prática. Em 1996 eram 500 aeronaves com esta capacidade graças a entrada em serviço do LANTIRN nos F-16 e F-15E.


Década de 90

A operação Deliberate Force foi iniciada apos um ataque de morteiro a Seravejo no dia 28 de agosto de 1995 matando 38 civis. Como foi disparo do lado Bósnio a OTAN percebeu que era hora de agir.

As defesas aéreas integradas da Bósnia foram enfrentadas pelos F/A-18 e EA-6B que atacaram sites de radar, posto de comando, torres de comunicações e baterias de mísseis SAM. Aeronaves EC-130 e EF-111 ajudaram a cegar os radares. Horas depois foram lançados cinco pacotes de ataque que atacaram locais de armazenamento de munição, quartéis e posições de artilharia ao redor de Seravejo. Os pacotes tinham até de 30 aeronaves armadas predominantemente com bombas guiadas a laser. Um Mirage 2000 francês foi atingido enquanto atacava alvos em Pale.

No dia 31 de agosto foram lançados mais três pacotes. O objetivo era retirar armas pesadas ao redor de Serajevo e os ataque foram reiniciados no dia 5 de setembro após a Bósnia se recusar a responder aos pedidos. A OTAN passou a atacar sistemas de defesa aérea, pontes, postos de comando e quartéis mais longe de Seravejo. Foram lançados até sete pacotes por dia incluindo a noite. No dia 9 de setembro os sistemas de defesa aérea ao redor de Banja Luka foram atacados com bombas GBU-15 e SLAM fora do alcance dos mísseis SA-6 que defendiam o local. No dia seguinte a base foi atacada por mais 13 mísseis Tomahawk. O mau tempo fez as missões pararem no dia 13. Durante 17 dias foram realizadas 3.515 saídas sendo 1.372 de apoio aéreo aproximado, mais 785 de supressão de defesas. Foram disparados 708 mísseis ou bombas guiadas e 318 bombas burras. Entre as bombas guiadas a laser foram disparadas 344 bombas GBU-10 (outra fonte cita 303), 125 bombas GBU-12, 215 bombas GBU-16, seis GBU-24 e quatro mísseis AS30L. Também foram disparados 10 mísseis SLAM, nove GBU-15, 23 Maverick e 56 mísseis AGM-88 HARM.

A operação mostrou ser um sucesso, mais devido as já enfraquecidas forças Bósnias que estavam sendo atacadas pelos Croatas há muito tempo.

Outra oportunidade de usar bombas guiadas a laser em larga escala foi na operação Desert Fox em 1998 contra o Iraque. Nesta operação foram selecionados 250 alvos e apenas 100 atacados. Foi a primeira operação com uso massivo de armas de precisão que superaram as bombas convencionais.

Nesta operação os Tornados da RAF voaram 32 saídas a média altitude contra alvos de ponto com bombas Paveway II e Paveway III. Um total de 55 Paveway II e seis Paveway III foram disparas com apoio dos designadores TIALD. Foram atacados 11 alvos em 28 saídas completas em três noites. Os alvos eram defesas aéreas, centros de comando, a base de Talil e duas instalações da Guarda Republicana.

Durante a Operação Vijay em 1999 contra insurgentes na região de Kargi, para evitar baixas na área de montanha, a Índia optou por usar o pode aéreo em larga escala. No inicio perderam dois Mig-27 e um Mi-17 em acidentes e mísseis Stinger. Um Camberra de reconhecimento também foi atingido por um Stinger, mas voltou a base. Logo tiveram que usar táticas de voar mais alto e retirar os helicópteros da área e passaram a usar o Mirage 2000H e o Mig-29. Os Mirage realizavam defesa aérea e ataque. A altitude no local eram mais de quatro mil metros e a baixa densidade do ar dificultando a manobra das aeronaves e com menor carga de armas. Os indianos sofreram com a fatal de bombas guiadas. Tiveram que usar bombas de 450 kg da Segunda Guerra Mundial com sensores infravermelho e laser. Os resultados foram considerados excelentes. Os indianos atacaram as linhas de suprimento com suas bombas guiadas a laser, faziam reconhecimento, e depois atacavam as concentrações de tropas. Atacavam as partes altas dos picos para criar avalanches, uma tática muito usada em guerra de montanhas em locais gelados. Foram notados mais 100 mísseis disparados pelos paquistaneses mas fora do envelope. Operando próximo, a cerca de 30 km do local, os caças indianos puderam manter um ritimo operacional alto.

Na operação Allied Force a OTAN pensou que iria tirar Milosevic do comando do país em três dias. Pensando bem na cultura e historia do pais, e medo de danos colaterais, logo viram que era uma pretensão ridícula. Os ataques iniciais foram contra alvos fixos e realizados de forma tímida. O que Milosevic fez foi acelerar a limpeza étnica em Kosovo sendo que as sete mil tropas no local eram difíceis de atacar pelo ar.

Os aliados dispararam cerca de 25 mil bombas contra os sérvios sendo que cerca de 8.500 eram armas guiadas e a maioria bombas guiadas a laser. Neste conflito novamente o mau tempo diminuiu a efetividade das bombas guiadas a laser. As munições conseguiram 90% de acerto. Os Mirage 2000D franceses usaram o casulo CLDP para designar alvos para 84 bombas guiadas a laser e seis mísseis AS-30L em 385 saídas além de bombas burras a média altitude. Os CF-18 Canadenses dispararam 530 bombas durante a Allied Force sendo 361 Paveway.

Uma tática usada em no conflito de Kosovo em 1999 era lançar as bombas guiadas a laser de várias aeronaves para atingir alvos próximos simultaneamente. Isto evitava que a fumaça da explosão de uma interferisse no designador laser de outra atacando um alvo bem próximo. Duas a quatro aeronaves atacavam alvos espaçados em 500 metros um do outro. Sem esta tática seria necessário 10-15 minutos para voltar pois a fumaça ainda poderá estar obscurecendo os alvos e a exposição sucessiva das aeronaves as defesas aéreas seria longa. Uma diferença de mais de um segundo já pode atrapalhar.

Após o conflito em Kosovo em 1999 a USAF comprou mais 2.245 kits Paveway II para substituir as usadas em Kosovo.

Kosovo
Um blindado sérvio destruído em Kosovo. Os sérvios conseguiram esconder e camuflar boa parte das suas forças terrestres. A maioria dos alvos destruídos pela OTAN eram alvos falsos.

 2001

Durante a Operação Enduring Freedom no Afeganistão em 2001, a USAF voou 7.100 missões, 45-46% do total, enquanto a US Navy também voou 7.100 missões e outros paises 1.420 saídas ou 8-10% do total. Entre as missões da USAF, 450 saídas foram missões de inteligência, vigilância e reconhecimento, 3.500 de reabastecimento em vôo e 3.150 de bombardeio ou transporte. A USAF lançou 12 mil bombas sendo 72% de munições guiadas sendo mais de duas mil bombas guiadas  a laser que foram suplantadas em uso pelas JDAM. A US Navy lançou 2.100 bombas no total ou bem menos que a USAF pois estavam no limite do alcance dos seus NAes. Uma Ala embarcada lançou 90% de suas armas como sendo munição guiada. Os B-52 realizaram 10% das missões mas lançaram 70% de todas as armas.

F-15E Durante a guerra do Golfo os pilotos de F-15E gostavam da GBU-10 de 900kg para atacar pontes, Scuds, centros de comando e bunkers. Na Operação Enduring Freedom passaram a gostar mais da GBU-12, menor e mais precisa e com menor dano colateral. Voavam as GBU-12 com espoleta de impacto de um lado e com espoleta de atraso no outro lado.


2003

Durante a invasão do Iraque as Paveway tiveram que competir com as JDAM que foram usadas pela primeira vez larga escala pelas aeronaves táticas. As GBU-10 e a GBU-31 competiram pelos alvos fixos nos primeiros dias do conflito. Depois a GBU-12 passou a ser a arma preferida nas missões de apoio aéreo aproximado visto que a GBU-38 de 227kg ainda não tinha entrado em serviço. Cerca de sete mil GBU-12 foram usadas no Iraque em 2003.

A GBU-12 era a bomba preferida por causar poucos danos colaterais. Quando os esquadrões de F-16 ficaram sem seus estoques de GBU-12 tiveram que usar as GBU-27 e tiveram que atacar menos. Uma GBU-27 chegou a ser disparada contra uma aeronave enterrada e outra aeronave enterrada foi atacada com o canhão.

Durante a operação Iraque Freedom os F-15E desenvolveram táticas para atacar alvos móveis com a GBU-12. As bombas eram disparadas a frente do alvo e com iluminação nos 8-10 segundos finais. Se disparada muito a frente o piloto liga o laser antes para atualizar a nova posição. Os visores multifuncionais mostram o tempo de impacto (TIMPAC) para dar indicação de quando ligar o laser. As bombas eram lançadas no modo CCIP na frente do alvo. Dados do LANTIR mostram onde lançar a bomba. Conseguir acerto direto é mais por sorte, mas alvos móveis geralmente são pouco blindados. Em uma ocasião um alvo foi atacado a 90 graus do jato. Se o motorista estiver precavido, um jato atira a frente e outra em uma direção prevista, a esquerda ou direita. A mesma tática pode ser feita com bombas burras. Em coluna de veículos atiram no primeiro e no ultimo e espalham o resto no terreno onde andam mais lentamente.

É muito difícil disparar uma bomba guiada a laser de uma aeronave monoposto e pior ainda contra um alvo móvel sendo a tarefa mais difícil de todas. Os F-16 geralmente deixam a designação para o Ala e o líder ataca, ou a designação era feita por aeronaves de controle aéreo avançada como os Tomcat.

Em uma ocasião um F/A-18E viu um lança-foguetes debaixo de um ponte. O piloto disparou uma GBU-16 sem acionar a espoleta para não ferir civis nos carros passado acima da ponte. Conseguiu um acerto direto, mas os foguetes dispararam com risco de ter ferido civis.

Na invasão do Iraque a RAF concentrou o uso de suas Paveway contra pistas de pouso e para atacar blindados.

Um total de 29.199 armas foi disparado durante a invasão do Iraque em 2003. As bombas guiadas a laser foram 9.395 (32,2%) incluindo 679 lançadas por aliados e 98 com guiamento duplo Laser/GPS lançadas pela RAF. As JDAM foram a próxima da lista com 6.542 bombas ou 22,5% do total. As bombas convencionais foram 9.251 unidades ou 31,3% sendo a maioria do modelo Mk82 (5.504) e apenas seis Mk84.


Tomcat
Quatro GBU-16 em um F-14D durante a operação Iraq Freedom. Esta configuração é ruim pois a turbulência gerada pelas bombas da frente podem fazer o seeker ser danificado pelo fluxo de ar turbulento. As de trás são lançadas primeiro e a aeronave tem que voar mais lento ou 470 milhas por hora no máximo.

Reaper
A aeronaves mais recente a usar as Paveway foi a aeronave não tripulada MQ-9A Reaper que lançou uma GBU-12 no dia 7 de novembro de 2007 contra uma alvo no Afeganistão. Um controlador em terra chamou ajuda enquanto sua equipe estava sob fogo inimigo. O controle da aeronave foi feito de Nevada nos EUA com o Reaper lançando duas GBU-12 destruindo os alvos e eliminando os inimigos. O Reaper também levava mísseis AGM-114K Hellfire. A vantagem sobre o Predator é exatamente levar cargas maiores como a GBU-12.

 
Até 2007 foram fabricados mais de 250 mil kits Paveway sendo mais de 200 mil Paveway II e mais de 27 mil Paveway III. Um total de 40 mil foram usados em combate. As Paveway estão em operação em 35 países operando em mais de 30 tipos de aeronaves.

Em 1988 o custo de uma unidade penetradora era de US$ 12.686. Em 1991 aumentou para 2 dólares por libra de peso. Os kits Paveway II custava entre US$ 10 a 15 mil dependendo da quantidade comprada.  Em 1998 as Paveway custavam 30-35 mil enquanto as Paveway III custavam 65-70 mil.

O kit de guiamento a laser aumenta o custo da bomba, mas diminui a carga total, aumenta a precisão e a garantia de alvo destruído, resultando em menos missões e mais alvos atacados por missão. Os kits de guiamento a laser são relativamente baratos, mas o casulo de designação de alvos é caro. Os sensores e o laser designador de alvos dos casulos atuais tiveram um aumento de alcance tão grandes que as bombas guiadas a laser podem ser consideradas armas de longo alcance.

O sucesso das Paveway levou outros paises como a URSS, Israel e França a desenvolver suas próprias bombas guiadas a laser. Os Israelense projetaram os Kits Griffin da IAI e os kits Lizard e Lizard/GAL (GPS-Aided Lizard) da Elbit. O russos não usam kits de guiamento mas bombas projetadas desde o inicio para serem guiadas por vários sensores incluindo sensores a laser na família KAB com bombas de 500 e 1.500kg. A França tem a família BGL. A China iniciou o programa LT-2 enquanto os iranianos criaram a Sattar-2 com poucos detalhes conhecidos, mas é propulsada por foguetes.

Enquanto isso as armas americanas eram refinadas com a experiência em combate. A modernização mais atual é a instalação de GPS/INS como backup para uso em mau tempo ou se perder a iluminação do alvo

LT-2
Bomba guiada a laser LT-2 chinesa fabricada pela LOEC. A LT-2 pesa 496 kg e parece que usa corpo próprio e não é kit para bomba comum. O alcance é de 4 km. A LOEC também tem seu próprio projeto de casulo de designação de alvos (foto).

Bombas Guiadas a Laser na FAB

No fim de 2004 as aeronaves A-29 Super Tucano da FAB realizaram uma campanha de testes com armas inteligentes israelenses da família Lizard da Elbit. Os alvos foram designados pelo laser da torreta FLIR Star Safire que equipa os A-29B. O primeiro lote de 250 bombas Lizard foi comprado em 2006 com entregas em 2007. Outros lotes também serão adquiridos. Os F-5EM também poderão lançar as bombas com o guiamento sendo feito pelo casulo Litening III. Os A-1M também devem ser armados com a Lizard e o Litening III.

A limitação do AMX e F-5EM é a dificuldade para levar bombas guiadas a laser de 900 kg a grande distância. A FAB também deve instalar os kits laser nas suas bombas penetradores BPEN 1000 e apenas uma deve ser levada pelo F-5EM ou A-1M. A maioria dos alvos podem ser atacados por bombas menores de 250 kg e até 125 kg, mas a maioria dos alvos estratégicos precisam de bombas maiores com as de 900kg, incluindo bombas penetradores. As bombas são disparadas aos pares para garantir a destruição do alvo e evitar que tenha que ser atacado novamente e arriscar a perda de aeronaves contra alvos bem defendidos. Os alvos mais importantes no inicio de uma campanha são os centros de comando e radares de alerta antecipado que, se forem destruídos, facilitarão em muito as missões de superioridade aérea. Estes alvos ou são bem defendidos ou bem protegidos (casamatas).

As bombas guiadas a laser serão um multiplicador de força para a FAB, podendo criar grande efeito em pouco tempo, levando a uma guerra rápida e com poucos danos para os dois lados. Para referencia sobre a quantidade de armas necessárias temos a operação na Bósnia com 700 bombas guiadas a laser lançadas em poucas semanas e mais de nove mil bombas no Iraque em 2003. Até então a capacidade de precisão da FAB se limitava aos modos CCIP/CCRP do AMX que o colocava em grande risco em ataques a baixa altitude no caso de ataques contra alvos bem defendidos e mesmo assim não garantia que o alvo seria atingido.

Considerando metade da frota da FAB sendo deslocada para a frente de combate teremos 25 aeronaves A-1M, 25 caças F-5EM e cerca de 25 A-29. Os F-5EM se concentrariam na defesa aérea e escolta e os A-1M atacariam alvos estratégicos e fariam supressão de defesas e reconhecimento. Já os A-29, após ser obtido superioridade aérea pelo menos parcial, fariam controle aéreo avançado, apoio aéreo aproximado e interdição do campo de batalha. O resto da frota estaria sendo usada para treinamento, reserva ou estaria em manutenção.

Supondo que cada aeronave irá voar cerca de duas saídas por dia teremos cerca de 50 saídas de ataque estratégico e 50 saídas de apoio aéreo aproximado. Supondo que seriam lançadas uma média de duas bombas guiadas a laser por saída serão cerca de 200 bombas guiadas a laser por dia. O estoque de bombas guiadas a laser não irão durar muito e alguns alvos podem ser atacados por armas convencionais como os alvos de área. Assim, vamos considerar que serão lançadas cerca de 100 bombas guiadas a laser por dia ou 700 bombas em uma semana. Com a FAB comprando 250 kits por ano, em 10 anos teremos um estoque para cerca de quatro semanas de combates.

Os dados acima foram bem simplificados por não considerarem outras variáveis. A lista de alvos estratégicos pode acabar rápido ou são poucos alvos autorizados a serem atacados ou só alvos militares. Pode ser que nem seja necessário realizar missões de apoio aéreo aproximado. Alvos mais distantes diminuirão a disponibilidade das aeronaves assim como ouso de bases distantes e a disponibilidade de reabastecimento em vôo. Os pilotos qualificados para voar a noite podem ser poucos e o cenário pode forçar algumas aeronaves a voar apenas a noite para melhorar a capacidade de sobrevivência como no caso do A-29.

Os alvos podem variar de alvos bem simples como uma estação de radar e suas instalações ou bem complexos como uma base aérea que precisa de vários ataques para ser posta fora de ação e precisa ser atacada continuamente para evitar ser reparada e reconstruída.

Um pacote de ataque típico seria formado por oito caças F-5EM de escolta, quatro aeronaves A-1M de supressão de defesa, dois A-1M para designação de alvos com o Litening e seis A-1M armados com bombas guiadas a laser, ou seja, de um total de 12 aeronaves A-1M no pacote, apenas seis irão realmente atacar o alvo. Em uma frota de 25 aeronaves A-1M deslocado para a frente de combate voando duas missões por dia serão 12 alvos atacados de dia por dois pacotes e 12 alvos a noite nos primeiros dias do conflito.

O número de saídas pode ser maior nos primeiros dias, cerca de três por aeronave. Depois seguido de duas saídas por aeronaves e mantendo cerca de uma saída por período prolongado. O número de aeronaves tende a diminuir devido ao atrito em combate e necessidade de manutenção.

Também não foram consideradas o uso de outras aeronaves como o F-2000 e o FX-2, além de outras armas como as novas bombas guiadas por satélite ainda em desenvolvimento pela FAB. Outra limitação poderá ser o número de casulos Litening disponíveis com uma parte também sendo usada para treinamento, reserva e manutenção.

No caso do FX-2 é importante considerar novas capacidades ofensivas que as aeronaves atuais não possuem. Alvos estratégicos são atacados com pelo menos duas bombas, para garantir que será destruído e não ter que arriscar uma nova saída, e sempre com bombas potentes para garantir a destruição do alvo mesmo se errar por uma margem maior. Alvos mais distantes também devem ser considerados assim como vôo a baixa altitude por longa distância para dar uma certa furtividade. O resultado é o requerimento de uma aeronave de combate peso médio ou pesada.

Concorrentes peso médio e pesado do FX-2, como o Rafale e Flanker, podem levar pelo menos duas bombas GBU-10 ou equivalente, ou até quatro bombas, a grande distância, realizando missões que seriam feitas por 2-4 aeronaves A-1 e não precisam de uma aeronave dedicada para iluminar os alvos com o Litening. A capacidade de escolta e supressão de defesas também seria aumentada podendo levar pelo menos o dobro de mísseis ar-ar ou anti-radar do F-5EM e A-1M respectivamente. A capacidade de autodefesa também é considerável podendo levar mísseis ar-ar de médio/longo alcance o que não é possível com o A-1M. Assim, um pacote com quatro Rafale/Flanker de escolta, dois Rafale/Flanker de supressão de defesa e quatro Rafale/Flanker com bombas guiadas a laser pode atacar pelo menos o dobro de alvos e com o dobro da capacidade de defesa que o pacote de 20 caças F-5EM e A-1M citado anteriormente. A frota proposta de 36 aeronaves novas equivaleria a pelo menos 72 aeronaves F-5EM e A-1M ou 2/3 da frota atual e com novas capacidades como poder atingir alvos mais distantes.

O próximo passo seria a aquisição de uma aeronave de Quinta Geração. As possibilidades são o F-35 americano e o PAK-FA russo. Equipados com duas bombas guiadas de 900 kg estas aeronaves não precisam de escolta de caças ou supressão de defesas confiando na capacidade furtiva para se defenderem. O resultado é que um pacote com 12 aeronaves F-35 ou PAK-FA tem o mesmo poder de fogo que o pacote com 20 aeronaves F-5EM e A-1M citado. Ou seja, a frota de cerca de 100 aeronaves F-5EM e A-1M podem ser substituídos por 30 aeronaves de Quinta Geração considerando apenas a capacidade contra alvos estratégicos. Na prática bastaria apenas um ou dois esquadrões para garantir a superioridade aérea no inicio do conflito e permitir que caças mais antigos realizem suas missões sem se preocupar com ameaça inimiga e com mais caças liberados para tarefas ofensivas ao invés de defensivas.

F-16I
Um F-16I israelense com duas bombas guiadas a laser GBU-24. A aeronave está em uma configuração de longo alcance com cinco tanques extras incluindo dois tanques conformais. Os casulos LANTIRN também sugerem que está preparado para realizar penetração noturna a baixa altitude em qualquer tempo. A concorrência do FX-2 da FAB será uma oportunidade para a aquisição de uma aeronave capaz de ter esta mesma capacidade tendo a capacidade de levar pelo menos duas GBU-10 ou equivalente a longa distância o que é impossível com os meios atuais. Mesmo os alvos que podem ser atacados por bombas menores são atacadas por bombas maiores para garantir a destruição em caso de erro próximo. Uma aeronave da classe peso médio como o F-16 block 50 seria o mínimo necessário ou os alvos estratégicos terão que ser atacados por duas aeronaves ou alguns alvos estarão fora do alcance.

O uso do A-29 em missões de apoio aéreo aproximado em cenários de média intensidade seria possível se estiver armado com bombas guiadas a laser tendo capacidade de atacar alvos a média altitude e fora do alcance das defesas em terra de curto alcance. Com o FLIR Star Safire pode atacar a noite com bombas burras fazendo "tank plinking". Aeronaves A-1 Skyriders operavam no Vietnã do Norte sem nenhum apoio de sistema de guerra eletrônico para autodefesa e nem apoio de aeronave de alerta antecipado dando aviso de aeronaves inimigas voando baixo. 
Os AC-130 operaram no Iraque em cenários selecionados. Defesas antiaéreas mais sofisticadas estariam protegendo alvos estratégicos. A aeronave operaria próxima a frente de combate e seria apoiado por escolta dos F-5EM e alerta dos R-99A contra ameaças aéreas.

Outras missões que o A-29 poderia realizar na frente de batalha seriam:

- Anti-helicóptero e anti-UAV- armado futuramente com mísseis MAA-1B além das metralhadoras de 12,7mm.

- Escolta - em missões de resgate de combate (RESCAP) e escolta de missões de assalto aéreo. Nas operações de RESCAP podem escoltar os helicópteros de resgate ou chegar mais rápido até o piloto derrubado. Para acompanhar os helicópteros a tática é fazer curvas de 90 graus para manter a mesma velocidade ou voar em círculos ao redor. Durante o resgate o A-29 faria controle aéreo avançado no local.

- Controle aéreo avançado - Com o FLIR Star Safire o A-29 faria a mesma tarefa de uma aeronave não tripulada. O A-29 tem um datalink para passar posição de alvos e pode ser equipado com um datalink para enviar imagens de interesse do FLIR para uma estação em terra. Os alvos seriam atacados por outras aeronaves com o A-29, A-1M e até o F-5EM.

No fim de 2007 a FAB abriu uma concorrência de US$ 300-400 milhões para aquisição de 10-12 helicópteros de ataque e 10-12 helicópteros de transporte. A principal missão das aeronaves seria busca e resgate de combate (CSAR) e apoio a operações especiais. O helicóptero de ataque faria escolta e ataque.

A compra dos helicópteros de ataque parece estranha visto que a maioria das missões podem ser realizadas pelo A-29 que já se encontra em operação. Os helicópteros de ataque também não costumam ser usados para escolta visto que os helicópteros de resgate podem ser reabastecidos no ar e os helicópteros de ataque não. Já as aeronaves de escoltas tem autonomia para acompanhar os helicópteros.


Os recursos da concorrência seriam suficientes para elevar parte da frota de A-29 para um novo padrão com novos aviônicos, sistemas e armas. Os A-29 não estão equipados com sistemas de alerta radar (RWR) e alerta de aproximação de mísseis (MAWS) e seriam muito necessários nestes cenários. Mísseis MAA-1B e mira montada no capacete como o DASH seria uma grande melhoria para autodefesa, escolta e operações anti-helicóptero/anti-UAV. Uma torreta Stability and Standoff Range (Star) SAFIRE custa cerca de US$ 500 mil e até parte da frota poderia ser equipada com casulos Litening com maior capacidade que aumentaria a capacidade de aquisição de alvo, ataque e navegação. Pode-se pensar até em instalar o radar SCP-01 em casulos/tanques de combustível, assim como as torretas Star Safire, como propostos para versões baratas do Litening. Apenas a compra de bombas guiadas a laser já seria bem mais barato e multiplicariam a capacidade ofensiva e defensiva da frota de A-29. Ainda mais necessário seriam designadores laser terrestres para controladores avançados para indicar alvos para aeronaves e facilitar a comunicação.

As missões de helicópteros de ataque como atacar blindados poderiam ser feitas pelo A-29 sem muitos problemas em cenários de guerra convencional na América do Sul. Ataques atrás das linhas seriam bem mais fáceis para os A-29 comparado com os helicópteros de ataque. Para missões anti-guerrilhas os helicópteros de ataque não usam táticas de vôo pairado, mais usadas para atacar blindados em cenários de alta intensidade, e são missões que podem ser cumpridas pelo A-29. Os helicópteros também não são ideais para apoio aéreo aproximado em cenários de média intensidade sendo melhores para missões anti-carro o que é mais adequado para ser operado pelo Exército.

Com os recursos da concorrência referente a compra dos helicópteros de ataque poderia ser possível equipar pelo menos um esquadrão de A-29 para realizar missões mais difíceis em cenários de média intensidade. Seria economizado também no custo de operação que não é nada baixo para helicópteros de ataque. Outra opção é ter parte da frota dos A-29 dos esquadrões do Terceiro Grupo com esta capacidade com os pilotos e aeronaves formando um esquadrão provisório em tempo de conflito. As novas capacidades também seria uma vitrine para as novas capacidades do A-29 e apoiaria suas vendas no exterior.

Lizard
Uma bombas guiada a laser Lizard no cabide interno de um F-5EM (foto ALIDE).
 

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