SISTEMA DE LANÇAMENTO EM CASULO A falta de escoltas antiaéreas é uma necessidade muito sentida na Marinha Brasileira. Inspirado no Lightweight Sea Dart (LSD) britânico e SDLS (Ship Defense Launching System) americano é possível solucionar o problema da Marinha relacionado com a falta de escoltas antiaérea armadas com mísseis superfície-ar de médio alcance.
Lightweight Sea Dart (LSD)
No inicio da década de 80 o Reino Unido estava oferecendo uma versão do míssil antiaéreo naval de longo alcance Sea Dart em uma versão em container chamada Lightweight Sea Dart (LSD) que poderia ser instalado em navios de pelo menos de 300t ou 50m. O míssil poderia ser usado contra navios, aeronaves e mísseis. Os containers selados seriam usados para transporte, armazenamento e como lançadores no convés.
O sistema não está mais sendo oferecido no mercado mas poderia ser usado como inspiração para um sistema semelhante para equipar escoltas que não tem capacidade de serem modernizadas com lançadores conteiráveis com paióis na estrutura ou que não podem receber instalação de lançadores de mísseis verticais.
O Sea Dart disparado de containers chegou a realizar testes reais e chegou a ser estudado a sua instalação nas Type 22 pela Royal Navy.
Ship Defense Launching System
O Cocoon Launching System (Sistema de Lançamento em Casulo) da United Defense foi vencedor de uma concorrência para um sistema de lançamento de ângulo fixo, pequena elevação, montado no convés designado Self Defense Launching System (SDLS). Também participaram da concorrência a Lockheed Martin e Raytheon.
Casulo SDLS com o Evolved Sea Sparrow Missile Lauching System (ESSM). Uma bateria pode levar 16 mísseis ESSM em quatro containers quádruplo Mk25.O SDLS foi projetado para ser instalado em navios que não operam ou não são capazes de operar o sistema de lançamento vertical VLS Mk41. As características do projeto incluem minimizar a assinatura radar, diminuir as necessidades de manutenção e fornece proteção para os mísseis e sistema de conecção. O sistema é recarregável e aceita vários lançamentos durante a vida útil.
O sistema é capaz de resistir a queima do motor de um míssil agarrado. No futuro será compatível com outros mísseis compatíveis com o VLS Mk 41 como o SM-2 acima do Block IIIB, VL ASROC, VL/RIM-7, NATO Sea Sparrow, TACMS e Land Attack Standard Missile (LASM).
O SDLS está inclinado 20 graus. A foto mostra um teste com o ESSM.
O LSD e SDLS são inspirações para um de um Sistema de Lançamento em Casulo (SLC) nacional ou talvez multinacional.
As opções de mísseis antiaéreos que podem equipar o sistema são inúmeros. Serão citados dois mísseis antiaéreos de médio alcance de uso naval atualmente em operação para exemplificar : o Sea Dart Britânico e o Russo 9K37M1 BUK-1M (designação SA-N-7 na OTAN). Eles serão usados para ilustrar o conceito/idéia e facilitar o entendimento de como poderia ser a instalação do sistema na prática nas escoltas da Marinha.
Sea Dart
O míssil Sea Dart foi desenvolvido a partir de 1962 pela British Aerospace Defense e entrou em operação em 1973. O nome oficial do sistema completo é GWS-30. Esta em operação no Reino Unido e talvez na Argentina. Foi usado na Guerra das Malvinas pelos britânicos.
Desde que entrou em serviço, os Sea Dart vem sofrendo modernizações que ocorrem em grupos de 10. Em 1992 o sistema estava na versão 610 (Block 610). Desde a guerra das Malvinas o sistema teve duas atualizações importantes. Uma em 1983-86 e outra em 1989-91 (troca do motor e ADIMP). O programa ADIMP consistia na adição de um piloto automático. As antenas de comando ficam localizadas em radomos de cada lado do pedestal do radar de busca aérea Type-1022. Os circuitos de bordo foram diminuídos de 6 para 1 o que liberou espaço para o sistema de comando.
Alcance efetivo contra alvos a grande altitude foi aumentado de 70km para 140km. Uma espoleta IR para atacar alvos à baixa altitude foi adicionada posteriormente. O míssil só não possui capacidade contra alvos furtivos e contra mísseis balísticos. O míssil deve continuar em serviço até 2020.
O Sea Dart mais moderno foi testado em combate em 1991 quando o destróier britânico HMS Gloucester atingiu um míssil Silkworm lançado de uma bateria costeira no Irã com um disparo "sobre os ombros" enquanto escoltava navios americanos no Golfo Pérsico. O míssil estava engajando o couraçado USS Iowa que era o maior navio da área e voava a 100m.
As outras operações de combate foram nas Malvinas em 1982. A Guerra das Malvinas mostrou que o GWS 30 era inadequado contra aeronaves voando muito baixo e tinha um tempo de reação muito longo. Os argentinos também conheciam as fraquezas do sistemas e realizaram testes antes do conflito com suas Type 42. Mesmo assim o Sea Dart derrubou um SA-330L Puma, Um Gazelle (fogo amigo), três A-4, um Camberra e um Learjet. Outros dois A-4C podem ter caído após serem danificados pelo míssil. Varias tentativas de disparo foram canceladas devido a penes como falhas nos radares ou problemas no recarregamento. De certa forma o sistema funcionou ao forçar os argentinos a voarem muito baixo e que acabou diminuindo a eficiência da aviação argentina. O sistema foi considerado relativamente efetivo e poderia ter funcionado melhor com radares capazes de operar contra alvos voando baixo e próximos ao terreno.
Foram produzidos um total de 18 sistemas GWS 30 e 1000 mísseis (1600 segundo outras fontes). Cada míssil custava US$300 mil (dólar de 1986).
Dados Técnicos
Comprimento: 4,36 m
Diâmetro do corpo: 42 cm
Envergadura: 91cm
Peso: 550 kg
Cabeça de guerra de alto explosivo pré-fragmentada de 22,2kg
Propulsão Ramjet sólido
Alcance: 140km contra alvos a grande altitude
Guiamento semi-ativa
Razão de fogo de seis disparos em 2 minutos
Os lançadores conteiráveis são pesados, complexos e precisam de muito espaço abaixo do convés para o armazenamento de mísseis. A Royal Navy está retirando de serviço vários contratorpedeiro Type 42 que poderima servir de fonte para mísseis, radares e central de tiro.
O LSD foi testado contra alvos no mar. Os mísseis antinavio de primeira geração tinham guiamento semi-ativa do mesmo tipo usado pelo Sea Dart.
Houve uma proposta de uma versão terrestre do LSD chamado Guardian que protegeria as bases navais britânicas e as ilhas Malvinas mas não passou da fase de conceito. Usaria os mesmos sistemas do Sea Dart e LSD.9K37M1 BUK-1M
O míssil russo 9K37M1 BUK-1M, ou SA-11 GADFLY segundo o codinome da OTAN, é um míssil de defesa aérea de baixa e média altitude. A versão naval é conhecida como SA-N-7 pela OTAN e SHTIL na Rússia. É guiado por radar semi-ativo e tem sistema de propulsão de foguete sólido.
O radar de vigilância aérea SNOW DRIFT 9S18M1 realiza tarefas de alerta e aquisição indicando dados de altura, direção e distância do alvo para o radar monopulso de guiamento e rastreio FIRE DOME (banda H/I ). O FIRE DOME é capaz de detectar alvos a 85 km contra alvos voando alto, 35 km contra alvos a 100m de atura e 23 km contra alvos rente ao solo (NOE). A capacidade de rastreio é de 70 km para alvos voando alto e 20km contra alvos NOE. Um helicóptero parado a 30m de atura pode ser rastreado a 10km. O sistema pode receber alerta de outros radares. O radar FIRE DOME tem alcance de 3-32 km sendo efetivo em altitude de 15m a 22 km podendo engajar alvos voando até 3000km/h.
O radar pode guiar mais de 3 mísseis simultaneamente contra um único alvo e pode receber um sistema eletro-ótico para uso em situação de grande interferência guiando o míssil com comando de rádio.
O míssil tem uma probabilidade de acerto no primeiro disparo (SSKP), segundo os russos, de 60-90% contra aeronaves, 30-70% contra helicópteros e 40% contra míssil cruise.
O míssil terrestre não teve sucesso de vendas por ter um radar de guiamento em cada lançador o que torna o sistema caro. É usado por cinco países. A Finlândia adquiriu 3 baterias do modelo Buk-1M por US$ 202 milhões em 1996.
A versão naval do Buk-1 é chamada SA-N-7 pela OTAN. O sistema foi seguido pelo Buk-M1-2 ou SA-17 GRIZZLY ou SA-N-12 GRIZZLY ou Yezh.Dados Técnicos
Alcance útil 25km para alvos acima de 1000m ou 18km para alvos voando baixo
O alcance contra alvos cruzados é 18km para aeronave e 6km para mísseis.
Altitude do alvo: 15 a 15500m.
Velocidade do alvo de 420 a 830m/s dependendo da altitude.
Tempo de reação (ativado) 16-19s.
Tempo de ativação: 3 minutos
Número de alvos engajados pode ser de 2 a 12 (dependendo da configuração)
Velocidade: Mach 3
Sustenta manobras de 23 g's
Comprimento: 5,6 m
Diâmetro: 0,4 m
Envergadura das asas: 1,2 m
Peso no lançamento: 650 kg
Cabeça de guerra: 70 kg de auto-explosivo
Zona de destruição: 17 m
Projetista: Toropov Design Bureau
Entrada em serviço: 1980 (SA-11), 1981 (SA-N-7)
Custo: US$ 300.000 por míssil
A versão mais atual do Shtil usa o míssil 9M317ME de configuração bem diferente do 9M38.
Lançador terrestre com quatro mísseis. O sistema EO é visível logo atrás da antena do radar.
Atualizado em 29 de julho de 2005
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